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Porto Alegre, terça-feira, 22 de novembro de 2016. Atualizado às 08h03.

Jornal do Comércio

Economia

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Conjuntura

Notícia da edição impressa de 22/11/2016. Alterada em 21/11 às 21h22min

Temer recebe governadores para tratar de dívida dos estados

eco reunião do Conselhão

eco reunião do Conselhão


PR/JC
O presidente Michel Temer irá conversar hoje com governadores para tentar encontrar uma saída para o endividamento dos estados. "Os estados estão praticamente quebrados, pleiteando que o governo federal cuide deste assunto", mencionou Temer em seu discurso na primeira reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão, em seu governo. Segundo o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, os governadores apresentarão propostas na reunião.
"Haverá, por parte dos governadores, propostas de cada um deles que serão avaliadas pela Fazenda para ver de que forma se pode ser parceiro. O ministro Meirelles (Henrique Meirelles, da Fazenda) tem deixado claro que o mais fácil é que se viabilize financiamentos diretamente para os Estados. O governo federal vai para uma negociação com os Estados em que não há premissas desde já lançadas à mesa", disse Padilha.
Na sexta-feira passada, Padilha disse que os R$ 100 bilhões que devem ser devolvidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes) ao Tesouro poderiam ser utilizados no socorro, o que mais tarde foi desmentido por Meirelles. O ministro-chefe da Casa Civil afirmou ainda que, assim como o governo federal está ajustando suas contas, os governos estaduais também terão de reequilibrar suas finanças.
"A União vai para negociação com estados sem que haja premissas sobre a mesa. O governo federal, nas palavras do presidente, tem sim as responsabilidades que são da federação, há outras que são dos estados, mas o presidente Temer entende que é preciso que haja convergência de interesses para que se possa ir resolvendo progressivamente a crise dos Estados", disse Padilha. "Medidas eu penso que não teremos, mas sim propostas dos estados que serão analisadas pela área econômica do governo."
Segundo Padilha, uma questão que deve ser avaliada pela Fazenda é a possibilidade de antecipar recursos da repatriação em 2017. Os estados têm direito a parte do imposto de renda, e há quem defenda que a União antecipe esses valores para repassar aos estados ainda este ano.
 

Retomada em 2017 não é certeza entre empresários

A saída da recessão em 2017 não é uma certeza entre os representantes do setor privado que participam do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão. Nomes importantes do empresariado indicam que o grande desafio do governo no próximo ano é impedir a continuidade da recessão.
Abílio Diniz, um dos grandes acionistas do grupo alimentício BRF e sócio do Carrefour não escondeu o pessimismo e descarta a retomada do crescimento no curto prazo. "A previsão é muito ruim. Não podemos imaginar que vamos chegar a 2017 com crescimento", disse o empresário durante a reunião no Palácio do Planalto.
Apesar de ser investidor em duas grandes empresas ligadas ao varejo, Diniz disse ser preciso haver investimento em infraestrutura com o argumento de que não é mais possível "fazer crescimento" com base no consumo. O empresário defende a realização de reformas estruturantes e, em especial, algo que proporcione o destravamento dos investimentos em infraestrutura e a unificação das alíquotas do ICMS, para colocar um fim à guerra fiscal entre os estados.
Com muitas incertezas à frente, a presidente da Latam Brasil, Claudia Sender, afirma que o debate econômico não deveria estar focado na velocidade da retomada e sim na sustentabilidade desse movimento. Para a executiva, o principal desafio em 2017 é colocar a recessão para trás. "Precisamos acabar com este ciclo vicioso de pessimismo", afirmou, ao defender que medidas impopulares devem ser tomadas de forma mais rápida.
O presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, ressalta que indicadores recentes sinalizam que o pior está ficando para trás, já que o nível de confiança reagiu recentemente. Mas o principal executivo do segundo maior banco privado do País reconhece que o resultado da eleição nos Estados Unidos - com Donald Trump eleito - influencia o cenário e reduz, por exemplo, o espaço para o corte de juros no Brasil.
Para Trabucco, 2017 ainda será um ano de desafio para obter crescimento. "Encontrar os motores do crescimento acho que é o grande desafio que sociedade e governo têm para encontrar a retomada. Porque sem a retomada através do investimento privado a gente não vai ter um ciclo de geração de emprego", afirmou.
Para acabar com as incertezas e recolocar a economia na trajetória de crescimento, o receituário é sempre o mesmo: reformas. O presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, avaliou que o crescimento econômico acima de 2% ao ano no Brasil só será possível se três reformas forem realizadas: a trabalhista, a das regras de intermediação financeira e a política.
A mesma estratégia foi defendida pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf. "Em outubro, houve um sinal de retomada. Em novembro, freou. Mas as reformas estruturais do País previstas para serem aprovadas em 2017 podem reverter este quadro", afirmou.

Preço do descuido das contas públicas é pago pelo trabalhador, afirma Temer

O presidente Michel Temer (PMDB) afirmou que para que a economia brasileira possa retomar o crescimento é preciso antes vencer a recessão. Segundo ele, somente após vencer essas etapas, será possível retomar o ciclo de retomada do nível do emprego, o qual ele reconheceu ser o dado "mais dramático" do governo hoje.
"Antes do crescimento é preciso vencer a recessão. Só após essa tarefa poderemos começar a crescer e, então, retomar o emprego. São fase inafastáveis", afirmou. Para o presidente, o governo federal partiu de "diagnósticos precisos" para começar essa retomada. O primeiro deles foi reconhecer que "nossa crise é de natureza fiscal". "Por muito tempo o governo gastou mais do que podia", disse.
Temer afirmou que, nesse contexto de crise fiscal, a confiança dos investidores e dos consumidores "ruiu", a inflação subiu, o risco Brasil disparou. Na avaliação dele, o preço do descuido das contas públicas é pago atualmente pelo trabalhador.
"Este descuido é pago pelo trabalhador, que sente os efeitos da irresponsabilidade fiscal no bolso, na fila de emprego", destacou. O presidente disse ainda que o crescimento só será retomado se o governo substituir o "ilusionismo pela lucidez".

Dona do Magazine Luiza diz que prioridade será simplificar impostos

A empresária Luiza Trajano, presidente do grupo Magazine Luiza, defendeu na reunião do Conselhão que uma das prioridades a serem discutidas pelo colegiado é a simplificação de impostos. Segundo ela, se o País simplificasse impostos, as empresas poderiam ter uma redução de 3% a 10% nos custos. "A gente teria um custo muito baixo, diminuiria muito o custo de nossas empresas. Não tem condições de a gente continuar a ter 50 advogados", afirmou Luiza.
Segundo ela, três coisas são importantes para o País retomar o crescimento: emprego, renda e crédito.
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Comentários
Cicero Queiros dos Santos 21/11/2016 23h21min
Como o Governo Federal Consegue tirar algo de positivo de um Conselho com quase uma centena de conselheiros falando uma linguagem diferente. cada um defendendo o seu setor, é a população que pague a conta mais uma vez. É a mesma coisa que a torre de "BABEL".