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Porto Alegre, quinta-feira, 17 de novembro de 2016. Atualizado às 23h05.

Jornal do Comércio

Economia

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Notícia da edição impressa de 18/11/2016. Alterada em 17/11 às 23h17min

Saída da crise é crescimento do PIB

Geraldo Santa Catharina foi escolhido o Executivo de Finanças do Ano

Geraldo Santa Catharina foi escolhido o Executivo de Finanças do Ano


JOÃO CARLOS LAZZAROTTO /DIVULGAÇÃO/JC
A previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para o ano que vem é confirmada pelo diretor financeiro da Randon S/A, Geraldo Santa Catharina. Para ele, esta é a alternativa para a crise. "A única saída é fazer o PIB crescer e isso só se faz com confiança", alerta o vencedor do troféu O Equilibrista, que será entregue ao Executivo de Finanças do Ano nesta sexta-feira, em jantar no Grêmio Náutico União. A premiação é promovida pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (IBEF-RS) e reúne as lideranças da área.
"Quando se diz que na crise estão as oportunidades, isto é um bordão muito mais verdadeiro para a nossa atividade" afirma Santa Catharina. Natural de Caxias do Sul, aos 57 anos é vice-presidente da diretoria executiva do Instituto Hercílio Randon, organizado em parceria com a Pucrs para o desenvolvimento tecnológico. Ele atua há 37 anos na área de finanças corporativas, planejamento estratégico, relações com investidores, fusões e aquisições.
Nesta entrevista, Santa Catharina ainda revela ser favorável a PEC do teto de gastos. Quanto às exportações brasileiras, o diretor financeiro critica o excesso de regulamentação, que, de acordo com ele, impõe dificuldades que são particulares ao Estado.
Jornal do Comércio - As projeções de recuperação da economia brasileira devem se confirmar?
Geraldo Santa Catharina - O crescimento do PIB deve se confirmar, mesmo que modestamente. O que causou sua queda foram as incertezas que fizeram os investidores paralisar. Foi um círculo vicioso, que agora precisa fazer o sentido contrário. Normalmente o movimento econômico é determinado por movimentos da gestão pública e influência política. Não quer dizer que estamos no paraíso, mas é mais positivo no que tange a economia global.
JC - A PEC do Teto de Gastos vai trazer novos desafios financeiros ao País?
Santa Catharina - Não vejo como se trabalhar com o orçamento de gastos maior do que o orçamento de receitas. A diferença vira inflação. Quando se analisa que determinados setores poderão ter dificuldades, pode até ser que isso ocorra em função de disputas políticas. Quem vai acertar isso são as forças que estão entre o Congresso e o poder Executivo. Quando ao amago da questão, que é gastar o que se arrecada, sou favorável. Não poderia ser diferente. A diferença é que as pessoas físicas não emitem dinheiro, juros altos, ou inflação para compensar a diferença.
JC - Como o Sr. visualiza a situação das finanças do País daqui para a frente?
Santa Catharina - Não tenho dúvidas de que temos dificuldades em todas as esferas. Reduzir estruturas é sempre muito penoso. A única saída é fazer o PIB crescer. Isso só se faz com confiança. Até acredito que os próximos dois anos serão de maior desafio em função de que o governo é legítimo, mas não é um governo eleito pelo voto.
JC - E quanto a medidas para aumentar as exportações?
Santa Catharina - O Brasil lidou com câmbio flutuante, com banda, câmbio livre com intervenções. Primeiramente é tentar evitar a volatilidade excessiva do câmbio. A outra questão está ligada a parte regulatória. É muito difícil importar e exportar, por questões fiscais e desembaraço alfandegário. O Brasil tem uma crônica falta de uma política de longo prazo, sobretudo industrial. Nas exportações não é diferente. Quando existem políticas de incentivo elas tem que ter uma duração minimamente aceitável e não devem ser tão protecionistas.
JC - No âmbito regional, qual avaliação sobre o setor industrial no Estado?
Santa Catharina - Essa instabilidade tem 30 anos. Não somos muito amigáveis no que tange a parte fiscal comparando com outros estados. Algumas indústrias tiveram incentivos fiscais localizados, mas não há condições para estimular a indústria gaúcha a se desenvolver mais ainda. Isso tem criado uma guerra fiscal entre estados. Quem está melhor leva as indústrias daqui. Além disso, em relação ao Brasil, estamos longe do centro consumidor e fornecimento. Em termos de Mercosul ficamos melhor localizado.
JC - Qual a sua projeção sobre as finanças do Estado em 2017?
Santa Catharina - Essa questão está intimamente ligada com o crescimento, não só do Estado, mas como a recuperação do próprio Brasil. Na medida em que há a recuperação, automaticamente, há um equilíbrio maior nas contas. Passaremos por períodos difíceis. Os ajustes que o Estado precisa são os mais delicados que podemos encontrar no Brasil. Tomar atitudes impopulares é para quando se tem força política e boa comunicação. Ninguém na sociedade, em sã consciência, aceita sacrifícios. Isso é do ser humano. Vai ser um período no qual se plantará bases para daqui a 10 anos.
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