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Porto Alegre, quarta-feira, 26 de outubro de 2016. Atualizado às 23h33.

Jornal do Comércio

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Segurança pública

Notícia da edição impressa de 27/10/2016. Alterada em 26/10 às 23h57min

Operação Avante reduz ocorrências no Centro Histórico de Porto Alegre

Ontem, presos sem lugar para serem levados esperavam nas viaturas

Ontem, presos sem lugar para serem levados esperavam nas viaturas


Marcelo G. Ribeiro/JC
Isabella Sander
Seis meses depois de iniciada, pode-se dizer que a Operação Avante, no Centro da Capital, é uma iniciativa bem-sucedida da Brigada Militar. Nesse período, 641 criminosos foram presos, a partir da abordagem a 15.549 pessoas e 3.037 veículos. Além disso, 2,5 quilos de drogas (maconha, cocaína e crack), 44 armas (brancas e de fogo) e R$ 21.790,35 foram apreendidos.
Em setembro, por exemplo, houve redução de 11,2% nos crimes contra o patrimônio, que envolvem roubos de veículos, a pedestres, a transporte público e a estabelecimentos comerciais, financeiros e de ensino. Em outubro, até o dia 23, a queda era de 61,4% nesses mesmos índices. A tendência é de queda dos índices desde maio.
O foco da atuação dos cerca de 400 policiais militares (PMs) destacados para a Operação Avante é o combate a crimes nos logradouros Voluntários da Pátria, Júlio de Castilhos, Otávio Rocha, João Pessoa, Salgado Filho, Praça da Alfândega e em bares e danceterias da região central. "A criminalidade não é generalizada, ela acontece em alguns locais pontuais. Das 641 prisões que efetuamos, por exemplo, 600 delas foram na Júlio de Castilhos e na Voluntários da Pátria", revela o tenente-coronel Marcus Vinicius Gonçalves, comandante do 9º Batalhão de Polícia Militar (BPM), responsável pelo Centro. Em média, 550 mil pessoas andam diariamente pela região central de Porto Alegre.
Quando comparado com 2015, o número de roubos a pedestres na região central diminuiu desde o começo da Operação Avante. Em setembro do ano passado, foram 897 roubos, enquanto no mesmo mês de 2016 a incidência passou para 659 ocorrências. Em outubro de 2015, 989 pessoas foram roubadas no Centro (quase 32 por dia). A estimativa para este ano é que a quantidade não passe de 626 até o final do mês (20 por dia).
A incidência de roubos a transporte público também teve redução. Entre maio e outubro de 2015, foram 395 assaltos a ônibus e lotações. No mesmo período de 2016, com projeção até o fim de outubro, o número de ocorrências deve chegar a 96.
O comandante do 9º BPM ressalta que a Operação Avante é fruto de um profundo estudo sobre gestão que desencadeou ações como o fechamento do posto da Brigada Militar próximo ao Parque da Redenção, na esquina da avenida Osvaldo Aranha com a rua José Bonifácio. "Não fechamos por falta de pessoal, e sim devido a esse estudo. O resultado está aí: antes tínhamos três a quatro assaltos por dia na Osvaldo Aranha e, hoje, raramente temos algum evento no local", pontua.
A Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP) pretende estender a Operação Avante para outras 20 cidades gaúchas onde acontecem 85% dos crimes, a maioria na Região Metropolitana. Segundo o titular da pasta, Cezar Schirmer, a realização desse plano dependerá especialmente do apoio das prefeituras envolvidas. "Temos escassez de recursos humanos e financeiros. O enfrentamento exitoso da insegurança só se viabiliza se tivermos a cooperação dos órgãos públicos, da sociedade civil organizada e dos cidadãos", defende.

Estado amenizará déficit de vagas com centros de triagem

Segundo o secretário de Segurança Pública, Cezar Schirmer, nunca se prendeu tanto no Rio Grande do Sul quanto desde o início do governo de José Ivo Sartori. Entre janeiro de 2015 e outubro deste ano, houve acréscimo de 6 mil pessoas na população carcerária gaúcha, totalizando 35 mil nas prisões do Estado. "Esse aumento demonstra que estamos determinados em não deixar os criminosos nas ruas. Obviamente, isso gera dificuldades, como a presença de presos em delegacias e viaturas policiais. Estamos examinando alternativas para sanar essa situação", assegura.
Schirmer se refere ao fato de detentos estarem sendo colocados em viatura por longos períodos de tempo, devido à falta de vagas no sistema prisional. Ontem de manhã, quatro viaturas com 10 PMs estacionaram diante do Palácio da Polícia, na avenida Ipiranga, com presos dentro dos veículos. Eles aguardavam a liberação de vagas. "Já há a previsão de construção de dois centros de triagem com 350 a 400 lugares cada, em Porto Alegre e em Charqueadas, mas demorarão um pouco para serem construídos. Estamos averiguando soluções emergenciais. Problemas antigos não se resolvem com soluções tradicionais", pontua.
Em busca de alternativas, a SSP criou um grupo de trabalho, iniciado ontem, composto por representantes da pasta, juntamente com o Tribunal de Justiça, do Ministério Público, do Tribunal de Contas do Estado (TCE), da Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz), da Secretaria-Geral do Governo e da Superintendência de Serviços Penitenciários (Susepe). Os integrantes terão 30 dias para debater e apresentar respostas para o problema de falta de vagas e para a falta de pessoal para levar presidiários a audiências no Judiciário. "Recebi um ofício de um juiz, dizendo que um detento não compareceu sete vezes a uma audiência. Isso é inaceitável, alguma coisa está errada", destaca.
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