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Porto Alegre, segunda-feira, 10 de outubro de 2016. Atualizado às 01h11.

Jornal do Comércio

Economia

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Indústria

Notícia da edição impressa de 10/10/2016. Alterada em 09/10 às 20h59min

Futuro do polo naval de Rio Grande apresenta incertezas

Plataformas em construção garantem serviços por apenas dois anos

Plataformas em construção garantem serviços por apenas dois anos


ANTONIO PAZ/JC
Jefferson Klein
A dependência de encomendas da Petrobras e as dúvidas quanto à direção que a estatal tomará no futuro deixam um ponto de interrogação quanto ao destino do polo naval de Rio Grande. As plataformas de petróleo que estão sendo feitas pelos estaleiros Ecovix, QGI e EBR (localizado em São José do Norte) garantem serviços para os próximos dois anos. Depois disso, o cenário é nebuloso.
Após esse período de demandas confirmadas, a situação dependerá da orientação da Petrobras e da condução da política industrial no País, além dos preços internacionais do petróleo, adianta o pesquisador em Economia da Fundação de Economia e Estatística (FEE) César Conceição. Com o também economista Roberto Rocha, Conceição produziu um texto a respeito da indústria naval e o polo gaúcho, publicado na mais recente edição do Panorama Internacional FEE. O pesquisador alerta que os impactos que atingiram a estatal, com a Operação Lava Jato, a crise econômica e a queda do barril do petróleo, implicaram redução de encomendas e, se o quadro se agravar, o polo naval gaúcho poderá se tornar inviável.
Conceição reforça que o polo naval depende da Petrobras e, quando a companhia adia as decisões de investimentos, acaba refletindo na geração de empregos da indústria. Ele argumenta que a empresa pode sofrer mudanças, devido a orientações políticas, contudo a retomada de algumas encomendas, como as plataformas P-75 e P-77, possibilitará a continuidade dos trabalhos, mas não tão intensamente como em 2013 e 2014.
O vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio Grande e São José do Norte, Sadi Machado, concorda quanto ao apontamento da dependência do polo naval em relação à Petrobras e à incerteza a longo prazo. O dirigente teme que o atual governo adote uma política de enviar as encomendas de plataformas para o exterior. Machado diz que as informações no polo são que os estaleiros da Ecovix, QGI e EBR irão concorrer em novas licitações, o que garantiria, caso essas empresas vençam as disputas, atividade no polo por alguns anos.
Atualmente, o sindicalista informa que estão empregados no polo entre 6 mil a 6,5 mil pessoas. A expectativa do dirigente é que esse número aumente para 8 mil a 8,5 mil nos próximos 120 dias, com a intensificação dos trabalhos nas plataformas. Hoje, segundo Machado, são entre 6 mil e 7 mil trabalhadores da indústria naval na região que estão desempregados.
De acordo com os economistas, os países líderes na construção naval possuem política industrial ativa de contratação de encomendas pelas petrolíferas nacionais. Entre os principais produtores mundiais, a superação de barreiras à entrada no setor foi realizada com ampla e diversificada política de estímulos, de planejamento e de atuação produtiva estatal, e também pelo aproveitamento, em um período inicial, de diferenciais de custo de matéria-prima, como o aço e a mão de obra (barata e qualificada). Ainda conforme o estudo, o investimento competitivo no setor naval e offshore exige capital elevado, com longo prazo de maturação, e uma demanda estável por um tempo mais extenso.
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