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Porto Alegre, segunda-feira, 03 de outubro de 2016. Atualizado às 22h58.

Jornal do Comércio

Economia

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Notícia da edição impressa de 04/10/2016. Alterada em 03/10 às 21h19min

Opinião econômica: Desglobalização

Benjamin Steinbruch é diretor-presidente da CSN e presidente do conselho de administração da empresa

Benjamin Steinbruch é diretor-presidente da CSN e presidente do conselho de administração da empresa


Fred Chalub/Folhapress/Arquivo/JC
Benjamin Steinbruch
Forças protecionistas emergem em várias regiões do mundo contra a globalização. Na Europa, o primeiro grande movimento culminou com a decisão que aprovou, em referendo, a saída do Reino Unido da União Europeia. O "brexit", como ficou conhecida a decisão de 23 de junho, foi até agora a principal manifestação popular desglobalizante, mas outras declarações e outros fatos apontam para a mesma direção.
Na França, a ascensão dos ultraconservadores da Frente Nacional, partido comandado por Marine Le Pen, representa uma clara opção por ideias protecionistas e, naturalmente, contra a globalização.
Na Alemanha, a chanceler Angela Merkel teve de recuar de sua política humanitária de abertura de fronteiras para milhares de refugiados que chegam à Europa.
O mais emblemático de todos os movimentos antiglobalização se dá, sem dúvida, nos Estados Unidos. Às vésperas das eleições presidenciais, continua com chances de vitória o candidato republicano, Donald Trump. Mesmo contra a opinião de parcela importante do partido, ele conseguiu no voto popular a indicação para concorrer contra a democrata Hillary Clinton em 8 de novembro. E Trump obteve êxito com um discurso marcadamente contra a imigração e os acordos internacionais de comércio. Propôs, inclusive, a construção de um muro para separar os EUA do México.
Por vontade política ou por razões econômicas, o movimento globalizante perdeu força a partir da grande crise econômica mundial de 2008. Os fluxos de comércio globais, que cresceram vigorosamente nas décadas anteriores, caíram após a crise mundial e estão praticamente estagnados. O mesmo ocorre com os fluxos de capitais.
Diante das dificuldades impostas pela crise, as grandes economias mundiais criaram inúmeras medidas para proteger seus mercados até 2009, mais de 2.000, de acordo com a Organização Mundial de Comércio (OMC). Com a retomada de crescimento econômico moderado, algumas dessas barreiras foram eliminadas, mas a maioria permanece até hoje.
Caso Trump seja eleito presidente nos Estados Unidos e cumpra suas promessas, novas barreiras serão impostas contra a China, o México e outros países da América Latina.
A convicção dos economistas é de que a tendência antiglobalizante não deve prevalecer no longo prazo, num mundo cada vez mais conectado por transportes e comunicações.
Está claro, porém, que não se pode apostar muito na expansão comercial global no curto e médio prazos para recuperar a economia brasileira. Segundo a OMC, o comércio mundial enfrenta forte desaceleração: deve crescer apenas 1,7% neste ano, abaixo da taxa de expansão do PIB mundial, de 3%. Mais do que nunca, ante essa tendência, é preciso olhar com atenção para o enorme mercado interno brasileiro.
A moral da história é que, para superar sua crise atual, o Brasil terá que, o mais rapidamente possível, pensar em medidas para estimular o consumo interno. E o incentivo ao crédito e a redução de taxa de juro são ingredientes obrigatórios nessa receita.
As medidas para equilibrar contas públicas, como a PEC nº 241, que limita o aumento dos gastos públicos, são necessárias. Mesmo que bem-sucedidas, porém, elas não colocarão o País automaticamente de volta à rota do crescimento, especialmente num momento em que há graves ameaças à globalização, em geral, e ao comércio internacional, em particular.
Diretor-presidente da CSN e presidente do conselho de administração da empresa.
 
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