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Porto Alegre, quinta-feira, 29 de setembro de 2016. Atualizado às 22h28.

Jornal do Comércio

Opinião

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Artigo

Notícia da edição impressa de 30/09/2016. Alterada em 29/09 às 20h11min

Falta muito pouco

Ariel Barazzetti Weber
Tudo ou nada. Preto ou branco. Oito ou 80. Honesto ou bandido. "Petralha" ou "coxinha". Vivemos na era da dualidade, dos opostos, da rivalidade. É como se um lado fosse a favor do desenvolvimento do País, e o outro, contra. Sem grandes conversas, sem grandes discussões, o povo brasileiro vive a era do antagonismo sem diálogo. O mesmo grupo que defende que as ideias são a única fonte de luz, deixa apenas a lamparina de seu lado da cama acesa. O outro lado - já que é assim que se referem uns aos outros - por sua vez, repete quase mantras, buscando que a lamparina não só apague, mas incendeie o quarto todo.
A prisão não pode ser aplaudida quanto a uma operação policial e ignorada em relação à outra. Acusado de corrupção é tão acusado quanto o sonegador. É a lei. É simples. É o que gostam de chamar de Estado de Direito, embora esse só apareça quando conveniente ao discurso do momento. Eis o ponto: tudo é efêmero, tudo gera insegurança. A seguridade social pública é um erro, mas admitir revisão administrativa de uma decisão judicial por esse motivo é correto? E se o próximo passo for revisar todas as decisões judiciais de suspensão da cobrança de tributos, acertado também estaria? Dois erros fazem mesmo um acerto? Discursos repetidos para plateias convencidas, eis a nova política brasileira. A praça pública não é mais local de discussão, mas de sobreposição de opiniões. "Sem partido" ou "com mordaça", já que tudo que impacta exige uma reação, digladiam-se as vozes fortes na busca de exposição, de espaço, de atenção. Chegou-se à triste situação em que convergir não gera mídia, e, portanto, não gera voto. Vive-se hoje uma epidemia de daltonismo seletivo, e quem paga é você, que para "nós" e para "eles" será sempre cinza.
Advogado
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