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Porto Alegre, quinta-feira, 08 de setembro de 2016. Atualizado às 23h20.

Jornal do Comércio

Opinião

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Editorial

Notícia da edição impressa de 09/09/2016. Alterada em 08/09 às 21h44min

Paralimpíadas ou a superação do ser humano

Um espetáculo emocionantemente belo, com nuances de algo que prova a superação do ser humano quando se dedica, mentaliza o esforço e acaba praticando algo que, até meados do século XX, era considerado apenas para pessoas saudáveis, a disputa esportiva. Depois de realizar os Jogos Olímpicos Rio 2016 com sucesso, contrariando a maioria dos prognósticos pessimistas, o Brasil está sediando a Paralimpíada. São 23 modalidades paralímpicas, cerca de 4 mil atletas, 11 dias de competição, 528 provas valendo medalhas, 225 femininas, 265 masculinas e 38 mistas.
Aliando tecnologia com apresentações individuais de pessoas com alguma deficiência, inclusive de uma sensacional bailarina deficiente, pode-se considerar que o espetáculo de abertura da Paralimpíada foi muito bonito. O público que lotou o Maracanã aplaudiu intensamente as diversas etapas da apresentação.
A bandeira paralímpica foi levada em boa parte do percurso por crianças deficientes amparadas pelos respectivos pais. E na reta final para acender a tocha da Paralimpíada, como que a simbolizar toda a essência e as virtudes do evento, uma atleta deficiente caiu. Aplaudida, a personagem, auxiliada para se levantar, completou o percurso e passou adiante a tocha, que foi levada até a pira e está hoje indicando e iluminando a trajetória para todos os que buscam a superação.
A primeira Paralimpíada ocorreu em Roma, em 1960. Contudo, a história do movimento paralímpico no mundo remete ao ano de 1888, quando se tem notícia dos primeiros clubes esportivos para pessoas surdas, em Berlim, na Alemanha. Em 1922, foi fundada a Organização Mundial de Esportes para Surdos. Assim, as pessoas com esse tipo de deficiência chegaram a organizar sua própria competição internacional - os Jogos Silenciosos. Hoje, os atletas surdos costumam praticar esportes junto de pessoas sem deficiência e não possuem modalidades no programa paralímpico.
Em 1945, com o término da Segunda Guerra Mundial, um espólio visto principalmente nos países europeus envolvidos no conflito foi o considerável número de combatentes que sofreram lesões na coluna vertebral, ficando paraplégicos ou tetraplégicos. Isso influenciou o neurocirurgião alemão Ludwig Guttmann a iniciar um trabalho de reabilitação médica e social de veteranos de guerra, por meio de práticas esportivas. Tudo começou no Centro Nacional de Lesionados Medulares de Stoke Mandeville. O próprio neurocirurgião teve sua vida influenciada pela guerra, pois teve de fugir da Alemanha Nazista por ser judeu. A primeira competição para atletas com deficiência aconteceu em Stoke Mandeville, no dia 29 de julho de 1948.
Quatro anos depois, em 1952, atletas holandeses também passaram a competir nas disputas de Stoke Mandeville. Assim, surgiu o movimento internacional, hoje chamado de Movimento Paralímpico.
E, mais uma vez, o Brasil deu mostras de que, quando há organização e planejamento para um espetáculo, jogos, ou certames, é capaz e criativo. Foi o que se assistiu na abertura. Então, que a Paralimpíada, como os Jogos Olímpicos, sirva de inspiração para todos nós, do mais alto dirigente até os anônimos trabalhadores em todo o Brasil: a solução dos nossos problemas e a superação das dificuldades, por mais espinhosas que sejam, começam por nós mesmos. O famoso "espírito olímpico ou paralímpico" nos aponta que, com dedicação, disciplina e trabalho, é possível afastar o que nos está obstaculizando o progresso, emperrando a economia, dificultando a geração de empregos.
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