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Porto Alegre, quinta-feira, 29 de setembro de 2016. Atualizado às 00h43.

Jornal do Comércio

Economia

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Mercado de Trabalho

Notícia da edição impressa de 29/09/2016. Alterada em 28/09 às 21h15min

RMPA ultrapassa a barreira de 200 mil desempregados

Taxa de desemprego na Região Metropolitana chegou a 10,7%

Taxa de desemprego na Região Metropolitana chegou a 10,7%


MARCELO G. RIBEIRO/JC
Guilherme Daroit
Voltou a aumentar, em agosto, o contingente de desempregados na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA). No mês passado, segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED-RMPA), o número de pessoas sem ocupação cresceu de 197 mil para 204 mil na região. É a primeira vez na década que a barreira dos 200 mil desocupados é superada. Com isso, a taxa de desemprego também cresceu, de 10,4% para 10,7%.
Ao contrário dos três meses anteriores, quando registrou relativa estabilidade, em agosto a taxa de desemprego foi pressionada pelo aumento da População Economicamente Ativa (PEA). Mesmo pequena em números absolutos, a entrada de quatro mil pessoas no mercado de trabalho é significativa, porque as contratações não absorveram o impacto. Pelo contrário, o número de ocupados continuou a encolher, baixando de 1,701 milhão em julho para 1,698 milhão em agosto, jogando outros três mil trabalhadores para o desemprego.
A PEA, que vinha encolhendo mês após mês e, com isso, ajudava a neutralizar o impacto negativo do aumento nas demissões na taxa de desemprego, agora faz o movimento oposto. "Apesar disso, ainda é cedo para dizer que há uma reversão na tendência", argumenta a economista da Fundação de Economia e Estatística (FEE) Iracema Castelo Branco.
Por um lado, lembra a pesquisadora, as persistentes reduções no nível de emprego e na renda familiar devem motivar a entrada de novos trabalhadores no mercado, como os estudantes que se dedicam apenas ao estudo. Ao mesmo tempo, porém, o aumento no tempo médio de procura por uma vaga é um desincentivo ao ingresso.
A preocupação com a deterioração do mercado de trabalho também ocorre pela substituição de empregos mais seguros, com carteira assinada, por ocupações como autônomos. "Como não conseguem retornar ao mercado, as pessoas fazem isso como estratégia de sobrevivência", diz Iracema. Em 12 meses até agosto, o número de assalariados nos setores privado e público caiu 5,9%. Ao mesmo tempo, o número de autônomos cresceu 4,5%. É a única categoria que registrou aumento.
Com mais pessoas disputando esse tipo de ocupação, a renda dos autônomos é, também, a que mais sofre. Em 12 meses até julho, o rendimento médio dessa categoria despencou 15,4%. No total dos ocupados, há também retração, mas menos intensa, de 6,4%. Olhando apenas julho (a pesquisa é feita sempre sobre os salários do mês anterior em relação ao mês pesquisado), a única categoria que registrou aumento na renda sobre junho foi a dos assalariados do setor público, na ordem de 1,6%.
A pesquisa mostra uma discrepância expressiva entre os moradores de Porto Alegre e os das demais cidades metropolitanas. Enquanto na Capital a taxa de desemprego caiu entre julho e agosto, de 9,7% para 8,8%, nos outros municípios subiu de 10,8% para 11,7%. Embora não haja um estudo mais aprofundado de por que isso aconteceu, Iracema argumenta que historicamente Porto Alegre tem taxas menores, por motivos estruturais. A Capital possui uma parcela maior da população que não está no mercado de trabalho, com mais aposentados e jovens que apenas estudam.
 

Indústria e construção retomam as contratações, mostra pesquisa

O lado positivo da Pesquisa de Emprego e Desemprego da FEE é o indicativo de que alguns setores da economia, como a indústria e a construção civil, dão sinais de retomada nas contratações. Em agosto, a indústria da transformação elevou em 6,8% o seu contingente, chegando a 297 mil empregados. Foi a primeira vez nos últimos meses que o setor cresceu no acumulado de 12 meses, com 4,9% trabalhadores a mais do que em agosto de 2015.
O outro setor que registrou aumento foi a construção civil, que ampliou sua base em 5,3%, para 119 mil trabalhadores, mas ainda registra números negativos em 12 meses, com retração de 5,6%. Já o comércio, com queda de 0,6%, e os serviços, com queda de 2,9%, tiveram mais demissões do que contratações no mês.
Segundo a economista da FEE Iracema Castelo Branco, a indústria se beneficia do aumento nas exportações, principalmente na cadeia calçadista. Os dois setores que tiveram aumento foram os primeiros a sentir os efeitos da crise em 2015. "Comércio e serviços, que demoraram a sentir, são mais dependentes da renda que circula, que está menor. Mesmo que aconteça uma retomada leve em 2017, é difícil acreditar que estes setores voltem ao patamar de ocupados de antes da crise", projeta Iracema.
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