Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, quarta-feira, 21 de setembro de 2016. Atualizado às 23h43.

Jornal do Comércio

Economia

COMENTAR | CORRIGIR

Petróleo

Notícia da edição impressa de 22/09/2016. Alterada em 21/09 às 22h26min

Cortes da Petrobras afetam setor petroleiro do Estado

Parceria na refinaria de Canoas poderia agilizar tomada de decisões

Parceria na refinaria de Canoas poderia agilizar tomada de decisões


GABRIELA DI BELLA/ARQUIVO/JC
Jefferson Klein
O anúncio da Petrobras da redução de 25% na previsão de investimentos no período de 2017 a 2021, prevendo um gasto total de US$ 74,1 bilhões nesse espaço de tempo, causou apreensão em várias companhias e trabalhadores ligados ao setor do petróleo. No Rio Grande do Sul, a tendência é que os maiores impactos sejam sentidos no polo naval, na Metade Sul, e na refinaria Alberto Pasqualini (Refap), em Canoas.
O presidente do Sindicato dos Petroleiros do Rio Grande Sul (Sindipetro-RS), Fernando Maia da Costa, argumenta que o polo naval será afetado devido à diminuição das encomendas de plataformas e a refinaria por causa da expectativa da entrada de um parceiro privado. O dirigente vê com inquietação o corte nos aportes da Petrobras. "O que está ocorrendo é um fatiamento da estatal e a desestruturação da cadeia produtiva do petróleo", critica. O sindicalista lembra que a previsão é que, entre 2017 e 2021, a Petrobras se desfaça de US$ 19 bilhões em ativos. O presidente do Sindipetro-RS destaca que estão ameaçadas subsidiárias como a BR Distribuidora e a Liquigás. "A Petrobras está abrindo mão de ser protagonista", lamenta. Costa aponta que haverá um sucateamento da empresa para abrir espaço para a discussão da privatização da companhia.
Sobre possíveis parcerias na Refap, como aconteceu no passado, quando a Repsol YPF detinha 30% do capital social da empresa até a Petrobras assumir o controle total da refinaria, Costa tem restrições. O presidente do Sindipetro-RS recorda que quando a estatal decidiu ampliar a refinaria e aumentar a produção de gasolina, GLP (gás de cozinha) e propeno (matéria-prima petroquímica), em 2005, a Repsol foi contrária à tomada de empréstimos para realizar a iniciativa. Cerca de cinco anos depois, a companhia privada também colocou obstáculos para que fosse implementada uma estação para diminuir o teor de enxofre no diesel. "A Repsol foi mais uma âncora do que uma incentivadora."
Neste ponto, envolvendo a Refap, apesar de ambos estarem preocupados quanto ao corte de gastos da Petrobras, o presidente da Associação RS Óleo e Gás, Luiz Carlos Vivian Corrêa, discorda do representante do Sindipetro-RS. Para Corrêa, a participação da Repsol na Refap foi positiva, pois os negócios dos prestadores de serviço do Estado com a refinaria eram feitos diretamente e, agora, são concretizados com os executivos da Petrobras localizados na região Sudeste. Corrêa argumenta que um parceiro na Refap permitiria aumentar a capacidade de investimento do complexo e agilizaria as tomadas de decisões.
A Associação RS Óleo e Gás representa cerca de 70 empresas ligadas a áreas como refrigeração, usinagem, fornecimento de peças, mão de obra, entre outras. O presidente da entidade considera a posição da Petrobras em restringir os investimentos como uma readequação da estatal. No entanto, o empresário destaca que as demandas da companhia já vêm diminuindo nos últimos anos, impactando as empresas gaúchas que atendem à própria Petrobras ou a fornecedores da estatal. Corrêa recorda que a Operação Lava Jato implicou o desaquecimento do setor e atrasos nos pagamentos oriundos da Petrobras.
O presidente em exercício do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio Grande e São José do Norte, Sadi Machado, manifesta muita ansiedade quanto à redução em 25% dos investimentos da estatal. "A gente achava que com a troca de governo isso poderia acontecer", diz. Machado enfatiza que o Brasil desenvolveu a sua produção de petróleo e acabará entregando de "mão beijada" esse patrimônio para o capital estrangeiro. O dirigente espera que o corte de recursos não atinja Rio Grande, mas, se isso acontecer, Machado adverte que afetará as demandas que estão sendo feitas no polo naval gaúcho e futuras encomendas de plataformas. "O único polo do setor naval do País que vem operando ativamente, mesmo que precariamente, é o nosso", frisa.

Empresas estão preparadas para a saída da companhia

A Petrobras anunciou que irá se retirar de setores como de produção de fertilizantes e distribuição de GLP. A estatal também antecipou que irá sair de dois setores relevantes para o Estado: o de biocombustíveis e o petroquímico.
O diretor-superintendente da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), Donizete Tokarski, argumenta que o afastamento da Petrobras da produção de biodiesel não deve gerar impactos significativos, porque as indústrias têm capacidade para absorver essa fatia de mercado, considerando a ociosidade do setor, que está em cerca de 45%. "É provável que essas unidades da Petrobras Biocombustível sejam adquiridas por outros grupos e continuem em funcionamento", projeta. Procurado, o presidente da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio) e diretor-presidente da BSBIOS (empresa que tem participação da Petrobras), Erasmo Carlos Battistella, preferiu não se manifestar.
Na área petroquímica, o diretor da MaxiQuim Assessoria de Mercado João Luiz Zuñeda recorda que o setor vive um bom momento no cenário mundial, o que deve valorizar os ativos da estatal, como os 47% do capital votante e 36,1% do capital total da Braskem. Através da assessoria de imprensa, a Braskem informou que não comenta o tema, pois este é um assunto que diz respeito aos acionistas.

Trabalhadores da Ecovix fazem manifestação em Rio Grande

Na manhã de ontem, funcionários do estaleiro da Ecovix, em Rio Grande, bloquearam trechos da rodovia BR-392. O presidente em exercício do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio Grande e São José do Norte, Sadi Machado, explica que o protesto foi em virtude do atraso do adiantamento de salário e o não pagamento de férias e de rescisões (cerca de 200 empregados foram demitidos há mais de 20 dias).
O sindicalista informa que a companhia comunicou que, devido à operação da Polícia Federal chamada Greenfield (que apura possíveis fraudes em fundos de pensão), houve o bloqueio das contas da Ecovix. Machado estima que em torno de 300 pessoas participaram da mobilização de ontem. No momento, são cerca de 5 mil funcionários atuando no estaleiro da Ecovix. Machado afirma que a categoria continuará mobilizada e hoje será realizada uma assembleia na entrada do complexo para discutir a situação.
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia