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Porto Alegre, quarta-feira, 07 de setembro de 2016. Atualizado às 23h54.

Jornal do Comércio

Economia

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Indústria cinematográfica

Notícia da edição impressa de 08/09/2016. Alterada em 07/09 às 22h59min

Gramado prepara evento de negócios do cinema

Encontro acontecerá junto com a 45ª edição do Festival, adianta Arns

Encontro acontecerá junto com a 45ª edição do Festival, adianta Arns


CLEITON THIELE/DIVULGAÇÃO/JC
Guilherme Kolling
Sem meias palavras, os organizadores do Festival de Cinema de Gramado salientam que além de difundir a sétima arte, o objetivo do evento é divulgar a cidade turística da Serra Gaúcha. E, de fato, o encontro de cineastas e cinéfilos ajudou a catapultar o município ao posto de um dos principais destinos turísticos do País. Enquanto isso, o Festival se consolidou como referência para o lançamento de filmes nacionais e latino-americanos.
Agora, o desafio é agregar um terceiro elemento: ser um centro de negócios para a indústria cinematográfica. A intenção foi revelada na coletiva de imprensa de encerramento da 44ª edição do Festival de Cinema, no fim de semana passado. O diretor de eventos da Gramadotur - autarquia responsável pelas ações turísticas e culturais da cidade -, Enzo Arns, informa que a ideia é fazer um encontro paralelo ao festival, o 1º Gramado Film Market.
Nesta entrevista ao Jornal do Comércio, Arns explica como funcionará esse novo evento de Gramado, que terá sua primeira edição em 2017, inspirado em outros festivais de cinema do mundo, como os de Berlim (Alemanha) e Toronto (Canadá), que também promovem rodadas de negócios. O executivo, que também é diretor-geral do Festival de Cinema de Gramado, conta ainda que a 45ª edição deve ser maior, com orçamento estimado em R$ 4 milhões.
Jornal do Comércio - Como será essa rodada de negócios do cinema, planejada para 2017 em Gramado?
Enzo Arns - Na verdade, é mais do que uma rodada de negócios. Vai ser um evento paralelo ao Festival de Cinema, o Gramado Film Market. Hoje já existe, no Rio de Janeiro, o Rio Content Market, que é um grande evento de audiovisual, mas muito mais voltado para a televisão. Aqui, a gente quer o que fazem outros festivais - Toronto, Berlim -, um fórum para tratar negócios como um todo. As rodadas de negócios vão ser um pedaço disso. A ideia é ter expositores aqui com equipamentos, prestadores de serviços, cursos, palestras ligadas à parte técnica do cinema, debates. E conseguir que se tenha uma geração de negócios efetiva: compra, venda, distribuição. Então, como a gente já tem um contingente enorme de empresas e profissionais que vem para cá na mostra competitiva (do Festival de Cinema)...
JC - Diretores, produtores estão todos aí...
Arns - A ideia é aproveitar isso e colocar eles ao lado do mercado para comercializar seus produtos. E também é o momento "fresquinho", logo depois de ter visto o filme, o profissional vai comprar, comercializar, distribuir... A nossa ideia é exatamente essa, juntar as duas coisas.
JC - E já é certo que será realizado nos mesmos dias do 45º Festival de Cinema de Gramado, em 2017?
Arns - Pode ser que comece um pouquinho antes, pode ser que comece um pouquinho depois, mas vai ter uma intersecção direta em alguns dias, porque é importante que a gente aproveite esse fluxo (de profissionais do cinema).
JC - E o Gramado Film Market vai acontecer nas mesmas instalações do Festival de Cinema?
Arns - Isso mesmo. Ou vai ter um anexo, um centro de convenções próximo, vai depender um pouco do tamanho que o evento vai tomar. Estamos indo atrás dos players, vendo modelos internacionais para servir de base. Ainda neste ano vamos formatar todo o modelo para poder colocar nos trilhos no ano que vem.
JC - O Festival de Gramado já vai para a 45ª edição. Mas esse projeto é novo e tem eleição municipal em outubro. Depende da nova administração?
Arns - A Gramadotur é uma autarquia municipal, mas tem um conselho a parte. Somos da diretoria executiva de uma empresa pública, que tem um conselho de administração privado. Então, independentemente da mudança de governo - se ela houver ou não - isso não muda o trabalho da Gramadotur, que foi criada exatamente para isso, para que não corresse risco nesses períodos de mudanças governamentais. Então, como política isso se mantém, e acho até que as pessoas que fizeram esse Festival de Cinema devem ser as mesmas no ano que vem.
JC - É certo que então que o evento de negócios acontece em 2017?
Arns - É certo que sai ano que vem independente de qualquer coisa.
JC - O Festival de Cinema desse ano já foi um embrião em termos de negócios. Qual foi o balanço?
Arns - Ainda tem material que vai ser encaminhado pelos players para fazer esse fechamento (dos números). Mas posso dizer que a conversão é muito grande, dada a qualidade do que a gente tinha ofertado, todo mundo fez negócio. Não tenho dados concretos do volume, mas quem veio para cá gostou do que aconteceu.
JC - E que exemplos se pode citar de negócios fechados em Gramado?
Arns - O Canal Brasil, por exemplo, comprou 15 filmes. Isso, só nesta semana (em que aconteceu o Festival) em um mostra de 79 filmes, é muito representativo.
JC - Como equilibrar as questões de negócio e a qualificação artística do Festival de Cinema? Há este equilíbrio?
Arns - Sim, depois de um frio na barriga para testar o modelo, a gente acertou a mão. Recebemos grandes produções que estão indo para mercado. Os filmes nacionais que devem ser as melhores bilheterias do Brasil no segundo semestre passaram primeiro aqui: Elis (de Hugo Prata), O Roubo da Taça (de Caíto Ortiz), O silêncio do Céu (de Marco Dutra), Aquarius (de Kleber Mendonça Filho) e ainda o Barata Ribeiro, 716 (de Domingos de Oliveira). São cinco filmes que, imagino, estarão entre os principais filmes brasileiros no segundo semestre.
JC - O orçamento deste ano do Festival de Cinema foi menor?
Arns - Comparado ao ano passado, tivemos uma queda de 10% no orçamento global do evento. Imagino que a gente vai ficar perto de R$ 2,8 milhões com os fechamentos neste ano, em 2015 foi perto de R$ 3 milhões de orçamento global.
JC - E para 2017, que é uma data simbólica, 45ª edição?
Arns - Esperamos para o ano que vem um orçamento na casa dos R$ 4 milhões. Então, cresce muito, porque esse modelo de negócio ligado à comercialização vai nos ajudar. E a gente já tem a sinalização de alguns dos players que não puderam participar neste ano, simplesmente porque não tinham recurso para incentivar. Com a recuperação que parece que o País vem alcançando, devemos ter boas novas em termos de captação no ano que vem.
JC - O Festival de Cinema de Gramado ainda é o maior evento da cidade ou já foi superado pelo Natal Luz?
Arns - É o maior evento gerador de mídia espontânea de Gramado. Como evento, é muito menor que o Natal Luz. Então, é o segundo evento da cidade. E é gerador de mídia para o público que a gente quer que se relacione com a cidade: um cliente das classes A e B, que busca a qualificação de prestação de serviços, que está interessado no destino por causa do diferencial qualitativo que ele tem. O Natal é um evento de massa e o Cinema é um evento mais segmentado e qualificado.
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