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Porto Alegre, domingo, 04 de setembro de 2016. Atualizado às 13h23.

Jornal do Comércio

Economia

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crédito

Alterada em 04/09 às 13h30min

Sem trabalho e sem crédito, brasileiro reduz endividamento

O endividamento das famílias atingiu em junho deste ano o menor patamar desde dezembro de 2012. Mas o que, à primeira vista, poderia indicar um alívio, tem um lado perverso. A fatia de dívida na renda do brasileiro tem caído por causa do desemprego e do aperto do crédito.
De acordo com dados do Banco Central, o nível de endividamento das famílias recuou em junho, último dado disponível, para 43,7% da renda anual. Em abril de 2015, quando atingiu o maior patamar da série histórica iniciada em 2005, foi de 46,4%.
"O indicador caiu porque o consumidor está fazendo menos dívidas", afirma Flávio Calife, economista da Boa Vista SCPC. Segundo a instituição, a demanda por crédito do consumidor recuou 6% nos últimos 12 meses. "Há também o ajuste pelo consumo: com a piora do mercado de trabalho e o aumento da inflação, os orçamentos apertaram muito", diz.
Nos últimos anos, com a forte expansão da economia brasileira e várias medidas de estímulo ao consumo, houve um crescimento na concessão de crédito. "Várias medidas do governo estimularam um excesso de endividamento, como reduções de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e bancos públicos oferecendo crédito barato", diz Luiz Rabi, economista da Serasa Experian.
A rápida deterioração da economia brasileira, no entanto, colocou fim à bonança e levou ao aumento da inadimplência.
Sem emprego, a secretária Isabel Silva entrou para esse grupo. "De repente minha renda não era mais compatível com os gastos e dívidas", conta. Com três cartões de crédito estourados e no limite do cheque especial, ela teve de partir para as renegociações.
Na jornada que percorreu para sair do vermelho, ela conseguiu quitar um cartão e renegociar outro. As demais dívidas ainda dependem de um acordo. "Tinha semana que não conseguia dormir. Tinha vergonha de passar por isso", afirma. Hoje, de volta ao mercado de trabalho e menos pressionada, ela já traça metas para ficar em dia com as dívidas. "Até o fim do ano quero resolver todas."
Acordos. O caminho seguido por Isabel tem sido cada vez mais comum. Segundo o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), 47 3% dos inadimplentes pretendem buscar um acordo com credores para limpar o nome. Em 2015, esse porcentual era de 37,2%.
Outra estratégia utilizada pelos inadimplentes é o bico. São 22 9% os que recorrem a essa modalidade de renda extra. Isabel Silva, por exemplo, já vendeu lingerie e pijamas, e ainda faz bolos e salgados para complementar a renda. "Já fiz de tudo um pouco para conseguir um dinheiro e pagar minhas despesas."
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