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Porto Alegre, quarta-feira, 14 de setembro de 2016. Atualizado às 19h19.

Jornal do Comércio

JC Logística

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Indústria Automotiva

Notícia da edição impressa de 15/09/2016. Alterada em 14/09 às 18h10min

Vendas de veículos caem 11,3% em agosto, mas ritmo de piora desacelera

Montadoras vivem uma das maiores crises dos últimos anos, com queda de produção e de vendas

Montadoras vivem uma das maiores crises dos últimos anos, com queda de produção e de vendas


JONATHAN HECKLER/JC
As vendas de veículos em agosto recuaram 11,3% em relação ao mesmo período do ano passado, mas cresceram 1,4% em relação a julho. O resultado, divulgado pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), indica uma desaceleração do ritmo de piora do setor.
Em julho, a retração anual do indicador havia sido de 20,3%. A projeção da entidade é de que o ano termine com uma queda de 19% nos licenciamentos.
Já a produção de veículos teve queda de 18,4% em relação a agosto de 2015, um aprofundamento em relação a julho, quando houve uma redução de 15,3%. Segundo a entidade, o número foi influenciado pela parada da produção de uma associada à entidade.
A Volkswagen parou a produção em quatro plantas que produzem automóveis e motores no período por problemas com um fornecedor. O fato também afetou o total exportado pelo setor, que caiu 11,8% na comparação mensal. No ano, porém, houve aumento de 16,7% nas vendas para o exterior.
Os estoques permaneceram estáveis em agosto, com uma média de 36 dias - em julho, eram 37 dias. "Nós estávamos aguardando a estabilização política do País. Agora, com a definição do processo de impeachment, não há por que ficar aguardando, temos que seguir em frente", diz Antonio Megale, presidente da Anfavea.
Para ele, o setor não pode mais "perder tempo". A entidade afirma apoiar o ajuste fiscal e a reforma da Previdência, mas é contrária ao aumento de impostos - possibilidade levantada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.
O segmento de máquinas agrícolas e rodoviárias teve um resultado positivo acima da média, na comparação com outros segmentos. Influenciada pela melhora na confiança no agronegócio, as vendas avançaram 7,3% em relação a agosto do ano passado e 12,5% na comparação com julho. O segmento também apresentou um crescimento de 28,6% nas exportações no ano, e de 18,6% no mês. De acordo com Megale, a variação resulta em parte da retomada de importações do mercado norte-americano, o principal comprador.
O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automores (Anfavea), Antonio Megale, disse estar confiante de que a economia voltará a crescer em 2017, favorecendo a retomada das vendas internas de veículos. Ao apresentar o balanço sobre o desempenho da indústria automobilística relativo a agosto último, Megale disse que a associação manteve previsão de queda de 19% nos licenciamentos até o final do ano.
Em agosto, a demanda do mercado doméstico aumentou 1,4% sobre julho e, embora no mês anterior as vendas tenham crescimento a uma taxa maior (5,6%), o número de unidades vendidas em agosto foi o mais elevado do ano. Na avaliação do presidente da Anfavea, o resultado só não foi mais expressivo, porque as vendas no Rio de Janeiro, que é o terceiro maior mercado brasileiro, sofreram o impacto de vários dias sem comercialização durante a realização dos jogos da Olimpíada Rio 2016.
O executivo defende a necessidade de reformas estruturais, embora reconheça que algumas irão demandar tempo. Ele citou, como exemplo, as mudanças na Previdência Social e nas leis trabalhistas. Para ele, entre as medidas a curto prazo que poderiam estimular os investimentos está o corte nos gastos públicos.
"Acreditamos que o fator principal era a definição política e, agora, isso abre espaço para virar a página. Precisamos avançar nas reforma previdenciária e na legislação trabalhista para o País voltar a gerar empregos e ter crescimento do PIB", disse. Para Megale, só o fato de terem iniciado as discussões já resgata a confiança do mercado tanto de empresários quanto de consumidores, que, aos poucos, irão deixar de temer a perda do emprego.

Estoques caem e deixam de exigir mais ajustes na produção

Pátios de fábricas já registram redução no número de carros estocados
Pátios de fábricas já registram redução no número de carros estocados
MARCELO G. RIBEIRO/JC
As montadoras terminaram o mês passado com 211,4 mil veículos em estoque, um volume suficiente para 34 dias de venda, segundo informou a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), entidade que representa o setor.
O nível de automóveis encalhados nos pátios de montadoras e concessionárias recuou em relação a julho, quando os estoques somavam 222,2 mil unidades e eram suficientes para 36 dias.
Embora o ideal seja um patamar mais próximo de abastecer 30 dias, o presidente da Anfavea, Antonio Megale, disse que o estoque chegou a nível "razoável", tendo em vista a reação do mercado aguardada para o fim do ano.
Segundo Megale, os estoques se estabilizaram, reduzindo a pressão sobre a produção. "Não há mais necessidade de fazer ajuste de produção (para reduzir os estoques)", comentou o executivo. Segundo ele, a parada das fábricas da Volkswagen em agosto ajudou a indústria a adequar os estoques.
Apesar da redução dos estoques, o número de veículos emplacados - incluindo carros, comerciais leves, caminhões e ônibus novos - caiu 20,5% no acumulado de janeiro a agosto, ante igual período de 2015, aponta a Fenabrave, associação de concessionários.
Ao todo, foram comercializadas 2,1 milhões de unidades neste ano, contra 2,7 milhões nos oito primeiros meses de 2015. Na comparação entre agosto de 2016 e de 2015, a queda foi de 13,5% - quase 276 mil unidades emplacadas no mês, contra 319 mil no ano passado.
Na comparação com julho deste ano, no entanto, houve ligeira alta, de 1,53%. O resultado pode ser atribuído ao maior número de dias úteis: 23 dias em agosto, ante 21 em julho. Não fosse por isso, o resultado teria sido negativo, porque as vendas diárias sofreram retração de 8% em agosto, na comparação com o mês anterior.
Segundo Alarico Assumpção Júnior, presidente da Fenabrave, as Olimpíadas impactaram negativamente as vendas nas concessionárias, que tiveram fluxo reduzido de clientes durante os dias de jogos. Para ele, o setor e a economia devem começar a reagir a partir da definição do quadro político nacional.
"Sabemos que os índices de confiança estão melhorando e, com a definição política, a economia e o setor devem começar a reagir, ainda que moderadamente, nos próximos meses, o que nos faz projetar uma queda menor no acumulado do ano, em torno de 16%", diz Assumpção.
Quando considerados apenas os segmentos de automóveis e comerciais leves, o comportamento foi parecido. Em agosto, a queda nos emplacamentos foi de 10,87%, na comparação com igual mês do ano passado.
No acumulado dos primeiros oito meses do ano, esses segmentos caíram 22,8%, com 1,3 milhão de unidades emplacadas em 2016, contra 1,6 milhão no mesmo período de 2015. Em relação ao mês anterior, os emplacamentos de veículos no País cresceram 1,9% em agosto, com 178 mil unidades, ante 174 mil comercializados durante o mês de julho.

PDV não atinge meta, e a Mercedes retoma plano de corte de empregos

Trabalhadores da Mercedes-Benz fizeram ato em defesa do emprego
Trabalhadores da Mercedes-Benz fizeram ato em defesa do emprego
ROVENA ROSA/ABR/JC
Após suspender a demissão de cerca de 2 mil pessoas no final de agosto, a Mercedes-Benz voltou a cortar funcionários em São Bernardo do Campo (SP), de acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. A montadora havia suspendido a produção em 15 de agosto e dado licença remunerada aos quase 10 mil funcionários da fábrica, dos quais pretendia demitir cerca de 2 mil, afirma o sindicato.
Depois de mobilizações convocadas pela entidade, trabalhadores e empresa chegaram a um acordo para a abertura de PDV (Programa de Demissão Voluntária), cuja meta esperada era de 1.400 adesões. Contatada, a empresa não confirmou a informação sobre as demissões e disse estar fazendo um balanço do último PDV, sem data para divulgação.
No atual programa, a Mercedes se comprometeu a pagar R$ 100 mil por funcionário, além de dar estabilidade no emprego aos remanescentes até o final de 2017. Os trabalhadores abriram mão de reposição da inflação nos salários do próximo ano.
Com 1.048 adesões, porém, o programa não atingiu a meta, segundo o sindicato. A montadora não confirma o número. "Tentamos ponderar com a empresa de que o número atingido pelo PDV é próximo da meta de 1.400 prevista no acordo que fizemos com a fábrica. Nossa intenção é sensibilizar a direção para não efetivar as demissões e utilizar os mecanismos de flexibilização para gerenciar o que faltou", diz, em nota, o diretor sindical Moisés Selerges. A entidade vai organizar uma mobilização na fábrica) contra os cortes.
De acordo com a montadora, há cerca de 2,5 mil pessoas excedentes na planta de São Bernardo do Campo, que produz caminhões e ônibus. Desde 2013, a Mercedes-Benz vem adotando medidas para reduzir seu quadro de funcionários. Até o final do passado, 3.200 vagas foram cortadas no Brasil, de acordo com o balanço de resultados mais recente da Daimler.
De janeiro a junho deste ano, a despesa da empresa com demissões foi de 33 milhões. A expectativa é que o gasto chegue a 100 milhões até dezembro. Além de ter aderido ao PPE, diminuindo jornada e salários, a empresa realizou lay-offs (suspensão temporária do contrato de trabalho) e PDVs.
No penúltimo PDV, entre 1 de junho e 25 de julho, houve adesão de 630 funcionários. A montadora atribui a medida à queda na demanda em razão da desaceleração econômica, o que obrigou a empresa a diminuir a produção. Entre janeiro e julho deste ano, a Mercedes-Benz vendeu 8.783 caminhões e 4.098 ônibus, queda de 23,2% e 27,7% em comparação ao mesmo período do ano passado, respectivamente.

Em dois anos, a perda foi de mais de 200 mil vagas

Alguns trabalhadores aderiram ao Programa de Demissão Voluntária por não verem mais futuro no setor
Alguns trabalhadores aderiram ao Programa de Demissão Voluntária por não verem mais futuro no setor
ALEXANDER NEMENOV/AFP/JC
A crise que levou à redução drástica nas vendas e na produção de veículos no Brasil provocou o fechamento, de 2014 até agora, de 31 mil vagas nas montadoras, onde normalmente os empregos são considerados de melhor qualidade. Na rasteira, foram demitidos mais de 50 mil trabalhadores nas autopeças e mais de 124 mil nas concessionárias, numa conta que supera 200 mil cortes.
Os números vão seguir em alta, pois ainda há ajustes a serem feitos em algumas fábricas, como as de Taubaté (SP) e São José dos Pinhais (PR), onde a Volkswagen deve seguir o mesmo procedimento realizado na unidade do ABC paulista, com abertura de Programa de Demissão Voluntária (PDV), que atraiu pelo menos 1,2 mil funcionários nos últimos dias.
Na Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo (SP), 1.047 trabalhadores se inscreveram em um PDV, após a montadora oferecer R$ 100 mil como incentivo, além dos direitos da rescisão. Apesar disso, a empresa não obteve as 1,4 mil adesões que esperava e, por isso, demitiu mais 370 funcionários.
Alguns trabalhadores aderiram ao programa por não verem mais futuro no setor, até pouco tempo muito cobiçado. "O ambiente atual é de muita pressão", diz Gustavo, funcionário da Mercedes há cinco anos, que pediu para não ter o sobrenome divulgado, por questão de segurança. Ele vai aproveitar o salário extra e a rescisão para quitar as prestações do apartamento em Santo André (SP), onde mora com a esposa, que trabalha numa administradora de condomínios, e a enteada, de 12 anos. "Com isso, me livro da maior dívida que tenho."
No fim de 2013, as montadoras do País empregavam 157 mil trabalhadores, número que, em agosto, era de 126 mil. Desse total, 2,5 mil estão em lay-off (contratos suspensos por cinco meses) e 19,8 mil no Programa de Proteção ao Emprego (PPE), que reduz jornada e salários. A partir de 2014, quando as crises econômica e política se intensificaram, a produção nacional despencou de 3,7 milhões de veículos para as esperadas 2,3 milhões de unidades neste ano.
O mercado interno encolheu 1,7 milhão de veículos e deve fechar o ano com vendas de no máximo 2 milhões de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus, retornando a volumes próximos aos de 10 anos atrás. Voltar a vender anualmente mais de 3 milhões de unidades, como ocorreu de 2009 a 2014, deve levar no mínimo quatro anos, prevê Rodrigo Custódio, diretor da área automotiva da consultoria Roland Berger para a América do Sul.
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