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Porto Alegre, quinta-feira, 18 de agosto de 2016. Atualizado às 01h13.

Jornal do Comércio

Opinião

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Artigo

Notícia da edição impressa de 18/08/2016. Alterada em 17/08 às 19h11min

Ipês e outras espécies

Maria Rosa Fontebasso
Sábado de sol e um rumor invasivo chama alguns moradores à rua. Metade da quadra já está com boa parte do verde das árvores no chão. Alguns homens com uniforme de trabalho executam sua tarefa com atenção. Perguntas traduzem a incredulidade, as afirmações e dúvidas diante da extensão dos cortes. Seria necessária tamanha radicalidade. A fiação elétrica poderia ser protegida de outra forma. Seria poda ou cirurgia radical? O meio do inverno seria a época adequada? Haveria chances de os troncos com seus galhos reduzidos a zero brotarem outra vez? E as árvores exóticas, enormes? No passado, ações individuais e sem conhecimentos adequados deixaram uma herança de espécies que não deveriam estar ali. Cidadãos que amam sua rua e usufruem do verde que os protege do calor, dos raios UVB e UVA, e vivem num clima que costuma ser impiedoso no verão, conversam entre si.
Leigos, mas interessados em conhecer as ações da prefeitura que administra os serviços. Lamentam também o sumiço de abacateiros, pitangueiras, ipês roxos e amarelos, aroeiras para dar lugar a mais um edifício. E as falas continuam, conhecimentos partilhados, lamentam que muitos projetos sofram solução de continuidade se o mesmo partido não se reelege. Como em muitas cidades no mundo, a rede elétrica é subterrânea. Os custos são altíssimos, mas devem ser projetos de longo prazo, numa administração pública com visão de futuro e não de interesses econômicos de grupos que financiam campanhas eleitorais. Assim também as árvores equivocadamente plantadas nas calçadas deveriam ser substituídas aos poucos.
A rua não prescinde da rede elétrica, nem da natureza que suaviza o viver entre cimento, vidros e asfalto. Então, uma harmonia tão necessária entre natureza e urbe teria que ser a cobrança de cada cidadão aos programas dos próximos candidatos à administração da cidade. E cobrada como mantra cotidiano depois das eleições, porque administrar não é queixar-se da falta de recursos. A queixa é desculpa.
Professora universitária aposentada
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