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Porto Alegre, domingo, 06 de maio de 2018.

Jornal do Comércio

Economia

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Turismo

Notícia da edição impressa de 15/08/2016. Alterada em 16/08 às 02h31min

Concorrência do Airbnb preocupa hotéis na Serra

Rhoden (e) e Lima (d) já perceberam queda da demanda na pousada

Rhoden (e) e Lima (d) já perceberam queda da demanda na pousada


PATRÍCIA COMUNELLO/ESPECIAL/JC
Adriana Lampert
O aluguel de temporada já fisgou em torno de 20% a 25% da ocupação dos hotéis de Gramado, Canela, São Francisco de Paula e Nova Petrópolis. Representados pelo Sindtur - Serra Gaúcha, hoteleiros destes municípios estão inconformados com o que chamam de concorrência desleal de sistemas de locação de diárias, a exemplo do Airbnb. O serviço on-line é responsável por intermediar o aluguel de casas ou apartamentos para férias, mas também dá aos hóspedes a opção de alugar ou permanecer em um quarto vago de uma residência, por exemplo, com o proprietário presente no local.
"Pelo menos em Gramado e região, já não existe mais o conceito de aluguel de temporada, que foi criado para suprir a demanda de hospedagem onde não houvesse empresas do ramo", considera o presidente do Sindtur, Fernando Boscardin. "O que tem ocorrido, na prática, é um comércio informal de diárias hoteleiras, que vem causando prejuízo para as empresas regulamentadas", dispara. O dirigente destaca uma série de irregularidades, a exemplo de contratação de pessoas (para limpeza dos quartos do sistema de compartilhamento) vinculadas ao seguro-desemprego; e ressalta que o negócio funciona livre do recolhimento de impostos. "Ou seja, a rede hoteleira e os moradores da região gastam mais para manter a estrutura das cidades, sendo que chega uma população de fora e usa tudo, sem contribuir para nada."
O sócio-proprietário da Pousada Aldeia dos Sonhos, Ricardo Rhoden, afirma que é "perceptível" a queda de demanda, inclusive em alta temporada. "Para piorar, estamos em meio a uma crise, que, por si só, já gerou uma queda de 30% na ocupação", contextualiza o hoteleiro, que atua em Canela há 13 anos. Rhoden comenta que já perdeu hóspedes para o sistema Airbnb. "Pelo menos uma cliente, eu tenho certeza. Ela é minha amiga e parou de reservar diária na pousada porque aderiu ao aluguel de temporada, que é legítimo quando se trata de um período acima de 15 dias." O empresário destaca que o setor não é contra aos negócios viabilizados por intermédio de sites como Airbnb, Decolar ou Booking (os três que mais fisgam a clientela na Serra). "O problema é que estão alugando quartos por dois, três dias, como se fossem hotéis, mas sem oferecer o serviço de hotelaria, sem pagar impostos e, muitas vezes, sem cumprir o que prometem na internet, prejudicando também os consumidores."
Para quem loca neste sistema, é vantajoso, pois lucra mais, ainda que os valores das diárias cobradas sejam semelhantes aos da hotelaria formalizada. Mas para o consumidor, normalmente, os preços passam a ser mais favoráveis quando envolve um maior número de pessoas. "Se for um casal, por exemplo, não vale a pena, porque não tem café da manhã e outras comodidades", compara Rhoden.
Boscardin pondera que o sindicato não considera que a prática de aluguel por temporada deva ser proibida, mas está trabalhando junto ao Ministério do Turismo e pleiteando a atenção da Receita Federal e das secretarias municipais da Fazenda para que seja regulamentada. "É preciso atualizar a legislação, e formalizar os sites que têm atuado de forma arbitrária." Em cidades de outros países, a exemplo dos Estados Unidos (em São Francisco, na Califórnia; e em Nova Iorque) ou Portugal, isso já foi resolvido, compara o dirigente.

Competição com negócios informais pressiona setor hoteleiro da região serrana, afirma Sindtur

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marco quintana/jc
Conforme o superintendente do Sindtur, Carlos Augusto Freitas, somente Gramado e Canela receberam juntas 6,5 milhões de turistas em 2016. As duas cidades possuem atualmente 13 mil leitos na rede hoteleira e uma taxa de ocupação de 85% a 88% ao ano. Seria suficiente, mas agora o setor amarga ter que competir com produtos que vão desde mansões até garagens transformadas em apartamentos de subsolo. "Então, qualquer um pode lucrar, basta abrir as portas, a exemplo de alguns proprietários de prédios residenciais inteiros, que estão encerrando contratos com locatários para entrar no esquema do aluguel de temporada colocando 40 apartamentos no sistema", denuncia Fernando Boscardin. O dirigente considera que estas iniciativas não passam de hospedagens clandestinas, sob a cumplicidade de imobiliárias, que ganham dinheiro com o intermédio de locações. "Quem trabalha com tudo embutido, em termos de impostos, acaba fazendo papel de trouxa", reclama.
Procurada, a Airbnb respondeu através de sua assessoria de imprensa que "acredita que há espaço para todos e para o crescimento do turismo em geral". A nota afirma que a empresa considera a concorrência saudável para o mercado e para a sociedade e garante que não se abstém de colaborar para um processo de regulamentação da atividade. "Nossa plataforma amplia a oferta de hospitalidade e oferece a oportunidade de uma hospedagem que não concorre diretamente com os hotéis. Estamos proporcionando uma experiência diferente, para pessoas que procuram isso ou que talvez não poderiam viajar. Por isso, é importante que eventuais regulações priorizem os cidadãos e a sociedade, sem criar barreiras e burocracias." Já três imobiliárias atuantes na Serra, que realizam aluguel de temporada, preferiram não se manifestar sobre o tema.
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Comentários
Maria Aparecida dos Santos 05/05/2018 22h37min
Outra coisa importante que.no foi mencionada é o fato dos hotéis e pousadas terem, de forma geral, uma manutenção e limpeza inferiores aos demais meios de hospedagem.
Rômulo Plentz Giralt 24/08/2016 17h17min
Os aluguéis por temporada suprem a demanda por hospedagem principalmente nos períodos de alta temporada, quando a rede hoteleira está esgotada. Além disso, é uma ótima opção para famílias que querem ficar juntas em um mesmo local o que não ocorreria em um hotel. Talvez os hotéis devessem oferecer diárias mais compatíveis com o poder aquisitivo das pessoas. Não vejo problema com a concorrência sadia entre os dois sistemas. Isto é capitalismo! Ou será que só é bom quando é cartelizado?
Antonio Carlos 16/08/2016 10h31min
Esqueceram de comentar sobre o abusivo preço das refeições. Um casal fazendo 2 refeiçoes por dia gasta R$ 200,00 ou mais. Hotéis e pousadas não disponibilizam cozinhas. Portanto, alugo um apto. mobiliado por diárias e com cozinha,reduzindo minhas despesas pela metade. Gaúcho que vai a Gramado não joga dinheiro pelo ralo. Xô hoteleiros de olho grande.
Fernando Noronha 15/08/2016 15h49min
Se a rede de Gramado e Canela não tivesse "CRESCITO TANTO O OLHO" desprezando os turistas do RS por conta de turistas que vem de fora e pagam qualquer coisa (inclusive R$100,00) por um café colonial, não estariam agora charamingando as mazelas. Acabo do ligar para o Laje de Pedra, onde eu costumava ficar frequentemente no passado, e o preço para o próximo fim-de-semana 27/28/ago/2016 ficou em R$ 1,003,00 para um casal. nOu seja, gasta-se num fim-de-semana mais a ida de avião para Miami.n
Renato Russowsky 15/08/2016 15h47min
A unica coisa que esses empresários sabem é reclamar. Ate parece a máfia dos taxistas de Porto Alegre tentando impedir o funcionamento do UBER. VIVA o AIRBNB...veio pra ficar e veio pra combater a roubalheira que esses hoteis e pousadas fazem, principalmente na alta temporada, onde um quarto vagabundo custa o preço de um 5 estrelas em Paris....
Leonardo 15/08/2016 15h39min
Concorrência sempre é bom para o consumidor, empresario acomodado é que reclama.
joao carlos 15/08/2016 10h40min
É muito bom que isso esteja ocorrendo, ou seja, a diminuição da demanda principalmente nos hotéis de Gramado e Canela. Haja vista o absurdo preço que mantem em suas diárias, e em alguns casos acrescidos de porcentagens a mais á titulo de taxas. Ou a rede hoteleira e gastronomica de Gramado e Canela caí na realidade de nosso turista, ou sofrerá perdas e mais perdas. Eu por exemplo, que subia a serra pelos menos três vezes por ano, reduzi a no máximo uma vez. Considero os preços uma exploração!