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Porto Alegre, domingo, 21 de agosto de 2016. Atualizado às 17h55.

Jornal do Comércio

Economia

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Gestão

Notícia da edição impressa de 15/08/2016. Alterada em 14/08 às 17h47min

Crise evidencia falta de efetividade da governança corporativa no País

Doris afirma que a governança não está no DNA das empresas

Doris afirma que a governança não está no DNA das empresas


ANTONIO PAZ/JC
Patricia Knebel
A crise conjuntural e ética que assola o Brasil levou junto centenas de empresas que, além de terem seus negócios afetados por uma economia instável, se viram muitas vezes diante de graves polêmicas, como fraudes contábeis.
Para especialistas em gestão, é um cenário delicado e que deixa evidente uma questão: a governança corporativa não é um tema tão bem administrado como se pensava. "As empresas têm os seus códigos de ética, regulamentos internos, políticas de negociação e manuais de conduta. Mas, quem está acompanhando se de fato estão aplicando isso e colocando na prática?", questiona a especialista Doris Wilhelm, do escritório paulista FF Advogados - Fernandes, Figueiredo, Françoso e Petros. Ela é economista, mestre em Finanças Internacionais e tem cerca de 27 anos se experiências em grandes companhias abertas, como Unibanco, Ambev, Votorantim, Grendene e Taurus.
A falta de efetividade nesse tema contribui para os escândalos e problemas de gestão enfrentados na história recente do Brasil por players como Aracruz, Sadia, Petrobras e Oi. "De uma forma geral, a governança corporativa ainda não está no DNA das nossas corporações", diz. Doris esteve recentemente em Porto Alegre para participar do seminário Governança Corporativa em Tempos de Crise, realizado pela Câmara Brasil-Alemanha Rio Grande do Sul e que abordou as principais variáveis de riscos a serem controladas em períodos como o atual.
Ela apresentou o Governança Corporativa Aplicada (GCA), um produto criado pelo escritório FF Advogados para ajudar as companhias a serem mais efetivas nessa área. Ao seu lado nessa iniciativa está Francisco Petros.
O advogado e economista acredita que, em momentos de crise, as empresas precisam repensar a sua forma de se organizar - e a governança tem papel decisivo para aumentar eficiência e melhorar os resultados, garantir uma melhor gestão e ajudar a dar mais consciência de riscos. "O Brasil não está fadado a dar certo. Vamos ter que trabalhar muito para isso acontecer e a governança é um dos pontos essenciais nesse processo. Esse ainda é um tema subestimado e precisamos mudar essa cultura", aponta.
Existem conjunturas políticas e econômicas que vão tornar a vida das empresas mais fácil ou difícil, dependendo do momento. Porém, se a governança corporativa fizer parte as cultura, vai ajudar a superar momentos de crise, acredita o coordenador-geral do capítulo do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) no Rio Grande do Sul, Leonardo Wengrover.
"O que percebermos nos eventos recentes do Brasil é que, sem dúvida, as empresas envolvidas tinham estruturas de governança corporativa, mas faltava a essência que é a adesão às melhores práticas", observa.
Muitas vezes, as organizações criam essas áreas para atender as exigências da legislação e esquecem que o verdadeiro papel desses princípios é ajudar a dar longevidade para os negócios a partir do trabalho de questões como a transparência, equidade, responsabilidade e sustentabilidade. "São valores básicos que independem do porte da empresa e que precisam partir do topo da administração, alcançar toda operação e se disseminar ao longo da cadeia, com todos os stakeholders", acrescenta.

Fluxo correto de informação é decisivo

Especialistas são unânimes ao destacar que as empresas brasileiras ainda precisam avançar muito na aplicação dos princípios que regem a governança corporativa. São mudanças que deve começar com as organizações fazendo o dever de casa e trabalhado de forma mais efetiva alguns temas importantes. O primeiro passo é conseguir criar um entendimento mais apurado e um fluxo eficiente dos dados corporativos, alerta o advogado e economista, Francisco Petros. Isso significa informar corretamente o que é estratégico, secreto e o que pode ser divulgado.
Hoje em dia, é comum que as informações que são levadas aos órgãos superiores de gestão das corporações não sejam, de fato, as mais adequadas para tomada de decisão. "Existem casos em que os executivos não têm um conhecimento profundo de tudo que envolve uma determinada situação e, assim, acabam expostos a tomar decisão errada", relata. Além disso, é comum não ocorrer uma harmonização das informações divulgadas para os stakeholders, como sindicatos, empregados e acionistas. Há muita contradição na comunicação e isso é muito sério, pois são aspectos que têm uma influência direta na vida empresarial", acrescenta. Outra questão importante para que as companhias evoluam na governança é aumentando a profissionalização dos processos de sucessão - não apenas dos fundadores, mas de cargos gerenciais.
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Comentários
Carlos Daniel Vaz de Lima Jr 21/08/2016 17h40min
O DNA empresarial das novas gerações deve ser forjado desde cedo permeado de valores de Governança Corporativa e sua relação com a otimização do valor econômico da organização e a facilitação ao acesso a capital de terceiros. Em outras palavras, as novas gerações devem estar suficientemente esclarecidas de que a sustentabilidade do patrimônio familiar depende da observância desses valores, que não se tratam apenas de preceitos éticos, mas preceitos garantidores da preservação do patrimônio.