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Porto Alegre, quarta-feira, 10 de agosto de 2016. Atualizado às 07h59.

Jornal do Comércio

Economia

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Comércio Exterior

Notícia da edição impressa de 10/08/2016. Alterada em 10/08 às 08h02min

Brexit pode afetar vendas gaúchas à Europa

Reino Unido recebe 7,8% dos produtos industrializados do Estado

Reino Unido recebe 7,8% dos produtos industrializados do Estado


JUSTIN TALLIS/AFP/JC
Guilherme Daroit
Quase dois meses após a votação que referendou a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), os impactos que o movimento trará à economia brasileira e gaúcha ainda não são claros. O motivo para isso é que, por ser uma decisão inédita, nem mesmo os personagens diretos do chamado Brexit sabem como funcionará a desvinculação. O nível de turbulência nesse processo é que deve determinar o quanto os exportadores serão afetados. Mas efeitos imediatos, como a desvalorização da libra esterlina e o novo atraso no acordo Mercosul-UE, já assustam.
"O Reino Unido, assim como o bloco europeu, vem em estagnação econômica desde 2008, e a desvalorização da libra esterlina retarda a retomada", argumenta o pesquisador em relações internacionais da Fundação de Economia e Estatística (FEE), Bruno Mariotto Jubran. A perda de poder para importações e investimentos que vêm a bordo da depreciação também tendem a ser mais perigosos para as empresas gaúchas e brasileiras, segundo o pesquisador, que publicou artigo sobre o tema na Carta de Conjuntura de agosto, divulgada ontem pela entidade.
No ano passado, o Reino Unido respondeu por apenas 1,1% do total das vendas externas do Rio Grande do Sul. Em geral, o país absorve produtos gaúchos com algum nível de industrialização, sendo os principais produtos: carne, fumo processado, calçados, resinas e móveis. Com isso, entraram por lá 7,8% dos produtos industrializados que o Rio Grande do Sul vendeu para a União Europeia.
A participação real do país nas vendas gaúchas, porém, pode ser muito maior. Isso acontece porque, como há livre trânsito de mercadorias no bloco europeu, grande parte de nossos produtos desembarcam em centros como Bélgica, Holanda e Alemanha, que depois os redistribuem dentro do continente.
O maior risco, continua Jubran, acontece caso a saída seja repentina e, principalmente, turbulenta. É improvável, por exemplo, que um processo não gradual não gere rupturas, mesmo que pelo simples fato de "chacoalhar" canais e acordos que já estavam consolidados. Contratos precisariam ser refeitos, por exemplo, e a equação ainda pode ter de levar em conta que muitas empresas com sede em solo britânico podem se mudar.
"O melhor quadro seria o da saída gradual e com estabilidade, pois um desarranjo pode trazer prejuízos a médio prazo", afirma o pesquisador. A má notícia é que, pelos movimentos que aconteceram até agora no cenário interno do Reino Unido, os defensores de uma saída repentina parecem estar em vantagem. A nomeação de um dos principais expoentes da tese, Boris Johnson, como chefe das relações exteriores do país já teria sido uma mostra disso. Por outro lado, quem os especialistas tinham como defensores da cautela nas disputas internas do Partido Conservador, como a própria primeira-ministra, Theresa May, também estariam se alinhando a uma saída mais aguda.
Um dos prejuízos já consolidados é mais uma frustração quanto ao acordo Mercosul-UE. Discutido há anos, a aliança comercial perdeu ainda mais espaço na pauta de prioridades dos europeus, que focarão seus esforços em decidir os parâmetros do Brexit. "Além disso, sem o Reino Unido, o Brasil perde um aliado nas negociações", comenta Jubran. Sem o país, visto como mais afeito ao livre comércio, medidas protecionistas, entre elas os subsídios agrícolas, tendem a ser fortalecidas no bloco.
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