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Porto Alegre, segunda-feira, 08 de agosto de 2016. Atualizado às 10h23.

Jornal do Comércio

Economia

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Turismo

Notícia da edição impressa de 08/08/2016. Alterada em 08/08 às 01h51min

Cotação da libra facilita viagens à terra da rainha

Momento é considerado propício para quem busca experiência e estudo no Reino Unido

Momento é considerado propício para quem busca experiência e estudo no Reino Unido


CI INTERCÂMBIO/DIVULGAÇÃO/JC
Adriana Lampert
Entre os impactos econômicos decorrentes da saída do Reino Unido da União Europeia, a menor cotação da libra beneficiou brasileiros que desejam viajar à Inglaterra a passeio ou para o estudo de idiomas. Alguns já se deram conta da queda de valores e têm realizado pesquisas junto às agências de turismo e de intercâmbio. Nas casas de câmbio, enquanto o dólar está custando R$ 3,38 (incluindo IOF) e o euro beira a R$ 3,76 (somando IOF), em média, a libra está sendo comercializada por R$ 4,52.
Esta é uma das cotações mais baixas da moeda britânica frente ao dólar, desde 2009 (o recorde ocorreu dia 24 de junho, após o anúncio do referendo sobre a ruptura com o bloco europeu). Quem estava com demanda reprimida não perdeu tempo e, já na primeira semana de queda na cotação, aproveitou para comprar pacotes para o destino. Logo que a compra da moeda britânica baixou, os primeiros produtos a saírem da prateleira foram os de intercâmbio para Londres.
Segundo a assessoria de imprensa da CVC Turismo, as vendas deste produto tiveram um grande incremento. Muita gente fechou a compra, não somente porque a temporada em Londres ficou mais em conta, mas também porque muitas das melhores escolas de idiomas estão localizadas no Reino Unido, explica a empresa.
Antigamente, o preço local de despesas extras em Londres era muito caro, comenta a gerente da unidade da CI Intercâmbio da Zona Sul de Porto Alegre, Janaína Mengue Brentano. Segundo ela, um número grande de estudantes tem procurado por pacotes de estudo de idiomas no destino, e, em três meses, somente na filial que administra, foram fechadas três vendas. "É um número positivo, se considerarmos que, há mais de cinco meses, não tínhamos comercializado nada para o país devido aos valores muito altos." Ao perceber que a queda da moeda gerou uma economia de cerca de R$ 1 mil nos orçamentos comparados aos do início do ano, a equipe da CI passou a oferecer aos clientes que haviam pesquisado o destino, mas desistido, anteriormente. "O momento é propício para embarcar, não só o preço do curso, incluindo acomodação, baixou muito. Tudo está 20% mais barato", destaca Janaína.
Para se ter uma ideia, o valor de quatro semanas de intercâmbio em Londres custava R$ 9 mil na CI Intercâmbio, em janeiro. Atualmente, o mesmo produto está sendo ofertado por R$ 7,6 mil. A gerente comenta que, antes da crise econômica e política que assolou o País, ainda que o destino fosse mais caro frente aos Estados Unidos e ao Canadá, por exemplo, tanto a procura dos estudantes quanto a venda dos pacotes para a Inglaterra era mais constante. "Para piorar, há dois anos, as escolas do Reino Unido cortaram a alternativa de vincular trabalho com estudo durante o intercâmbio, o que direcionou muitos alunos para destinos como Irlanda, Austrália e Canadá, onde esta combinação ainda é possível."
De acordo com a CVC, com a queda da cotação da libra, os valores dos pacotes de intercâmbio na empresa também tiveram uma redução que chega a 20%. Aqueles que têm interesse em cursar duas semanas de inglês na capital britânica, com acomodação em casa de família e café da manhã diário, encontram ofertas a partir de R$ 7,6 mil na empresa, incluindo passagem aérea, com embarque em agosto. Já o mesmo produto custa a partir de R$ 9,3 mil se o destino eleito for Nova Iorque.
A CVC pondera, em nota, que percebe que não é exatamente o fato de queda da moeda que faz com que o consumidor decida pela viagem, mas a certeza de que ele ficará confortável em relação ao câmbio. Ou seja, quanto menos oscilações, melhor. "Neste momento, nosso cliente tem analisado as opções disponíveis, orçado os valores da viagem e até fechado as compras, mas a preocupação principal não é o custo do pacote, e sim se quando for viajar a moeda ainda estará atrativa, estável, fazendo com que o planejamento de gastos no destino não tenha grandes impactos", afirma a empresa.

Consumidor de turismo de lazer ainda tem receio com cenário econômico

A valorização do real ante outras moedas tem feito com que os brasileiros voltem a procurar as viagens ao exterior, e as vendas internacionais já se recuperaram da queda do ano passado, quando a alta do dólar bateu recorde. No entanto, ainda há receio, principalmente quando o câmbio em questão supera o dólar, como é o caso da libra, historicamente mais cara que a moeda norte-americana e que o euro.
"Ainda não vimos melhora na demanda para a Inglaterra, mas acho que é um problema de mercado, de muita incerteza do consumidor em relação aos rumos da economia e da política no País", comenta a diretora da Personal Operadora, Jussara Leite. "A queda da cotação da libra, por exemplo, não impactou nas vendas de pacotes para Londres, que é um destino muito cobiçado pelos brasileiros."
A diretora da Personal opina que a melhora das comercializações deve ocorrer a partir de outubro, com a definição da política no governo federal. "Seja o que for que ocorrer, as pessoas vão saber afinal o que estará acontecendo, e não ficarão na dúvida sobre os impactos da conjuntura nos seus orçamentos." O presidente regional da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav-RS), João Augusto Machado, concorda que o consumidor de turismo de lazer não dá sinais de ter notado a economia possível com a queda da moeda britânica frente ao dólar.

Após aumento da demanda, venda nas casas de câmbio volta à estabilidade

O sócio-proprietário da Câmbio Ideal, Lucas Xavier Rech, dá o tom: "Desde que a Inglaterra saiu da zona do euro, a paridade entre a libra e o dólar diminuiu bastante, e o preço está muito bom". Isso não significa que a moeda vá permanecer neste patamar durante muito tempo, pondera Rech.
"Acredito que ainda é um bom momento para comprar, pois não se tem garantia que vai cair mais. Estamos em um momento político do País que beira ao colapso, e qualquer coisa que aconteça aqui ou no exterior mexe bastante nas moedas - ainda tem risco de subir novamente a cotação da libra." Como o planejamento de uma viagem deste patamar em geral é feito com antecedência, alguns consumidores que ainda não bateram na porta das agências de turismo, mas aguardam o momento para fechar pacotes, correram para as casas de câmbio logo que a libra baixou.
"Em geral, quem compra, é para turismo. Pouca gente investe em libra", justifica o diretor da Prontur Câmbio, Pietro Predebon. Ele atesta que nos primeiros dias após a queda da cotação da moeda britânica ocorreu um movimento extraordinário nas empresas de câmbio. "Pudera, caiu quase R$ 2,00." Predebon explica que a libra sempre irá acompanhar o movimento do dólar, assim como as demais moedas do mundo inteiro. "Todas são atreladas à cotação do dólar norte-americano."
O responsável pela mesa de operações da Cambionet, Rafael Pires, comenta que a procura pela libra aumentou, porque o setor de câmbio "tem uma certa demanda reprimida". "Normalmente, quem vai viajar para fora do País, se programa um ano ou dois antes, e acompanha sempre a cotação da moeda, então quem estava esperando melhora na cotação aproveitou."
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