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Porto Alegre, domingo, 24 de julho de 2016. Atualizado às 16h47.

Jornal do Comércio

Política

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Conjuntura nacional

24/07/2016 - 16h41min. Alterada em 24/07 às 16h48min

Ombudsman diz que Folha "errou e persistiu no erro" ao ocultar dados do Datafolha

Agência Brasil
A ombusdman da Folha de S.Paulo, Paula Cesarino Costa, escreveu, neste domingo (24), em sua coluna que o jornal "errou e persistiu no erro" ao publicar dados incompletos sobre pesquisa Datafolha de avaliação do governo do presidente interino, Michel Temer.
A pesquisa, divulgada no último sábado (16), foi alvo de críticas e acusada pelo site de notícias independente The Intercept, de cometer "fraude jornalística" em relação à preferência do brasileiro sobre a permanência de Michel Temer, a volta da presidente afastada Dilma Rousseff ou a realização de novas eleições.
Na publicação original, a Folha informou que 50% dos entrevistados preferiam a permanência de Temer à volta de Dilma, e que, diante dessa questão, 3% disseram defender novas eleições. No entanto, quando a possibilidade de novas eleições aparece entre as respostas estimuladas, o percentual de entrevistados que optam por essa alternativa chega a 62%, o que não foi dito pelo jornal.
A Folha só publicou a versão com esse percentual após as críticas e disse que não errou, mas que optou por não destacar cenário considerado "pouco relevante" pela direção do jornal. A ombudsman diz que sugeriu à redação "que reconhecesse seu erro editorial e destacasse os números ausentes da pesquisa em nova reportagem".
"A meu ver, o jornal cometeu grave erro de avaliação. Não se preocupou em explorar os diversos pontos de vista que o material permitia, de modo a manter postura jornalística equidistante das paixões políticas. Tendo a chance de reparar o erro, encastelou-se na lógica da praxe e da suposta falta de apelo noticioso.
A reação pouco transparente, lenta e de quase desprezo às falhas e omissões apontadas maculou a imagem da Folha e de seu instituto de pesquisas. A Folha errou e persistiu no erro", escreveu a Paula Cesarino Costa na edição deste domingo.
Além da polêmica sobre o trecho da pesquisa que tratava de novas eleições, a ombudsman também critica a escolha do jornal de destacar na manchete sobre a pesquisa o otimismo com a economia, "subaproveitando temas políticos".
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