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Porto Alegre, quarta-feira, 27 de julho de 2016. Atualizado às 14h22.

Jornal do Comércio

Geral

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Tragédia

27/07/2016 - 13h07min. Alterada em 27/07 às 13h26min

Justiça decide levar a juri popular réus no incêndio da Boate Kiss

 UM ANO DA TRAGÉDIA DA BOATE KISS EM SANTA MARIA.    NA FOTO: FACHADA DA BOATE KISS EM SANTA MARIA.

Além das 242 mortes, maioria jovens universitários, mais 636 pessoas ficaram feridas no incêndio em 2013


JOÃO MATTOS/ARQUIVO/JC
A Justiça de Santa Maria anunciou na manhã desta quarta-feira (27) que os réus acusados da tragédia da Boate Kiss vão a juri popular. A decisão do Ulysses Fonseca Louzada, da 1ª Vara Criminal, significa que os acusados serão julgados por pessoas da comunidade em um Tribunal do Júri.
Os empresários donos do estabelecimento Elissandro Callegaro Spohr e Mauro Londero Hoffmann e os músicos Marcelo de Jesus dos Santos e Luciano Augusto Bonilha Leão vão responder pelo homicídio doloso de 242 pessoas, vítimas do incêndio da boate em 27 de janeiro de 2013. Foi uma das maiores tragédias na história do Brasil. Além das mortes, os réus responderão por tentativa de homicídio de outros 636 feridos.
Além dos donos da Kiss, mais quatro pessoas podem ser arroladas para ir a julgamento - um bombeiro que teria fraudado documentos, um ex-contador e um ex-sócio da boate que teria prestado falso testemunho. A partir de agora serão abertos os prazos para vistas do Ministério Público e recursos dos acusados contra a decisão.
Caberá ao Conselho de Sentença, formado por sete jurados, decidir se os quatro réus são culpados ou inocentes das acusações de homicídio duplamente qualificado (242 vezes consumado e 636 vezes tentado), apontadas pelo Ministério Público Estadual. "As versões defensivas, embora possam existir, não restaram demonstradas de forma cabal, uníssona, numa única direção para que possam subtrair o julgamento pelo Conselho de Sentença", declarou o magistrado na decisão.
O processo criminal que apura o caso soma 20 mil páginas separadas em 93 volumes. Foram ouvidas 204 pessoas, sendo 114 vítimas, 16 testemunhas de acusação, 50 testemunhas de defesa, 2 testemunhas referidas, 18 peritos e os 4 réus.
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Comentários
Roberto 27/07/2016 14h15min
Não importa se foi 240 mortes, tentativa de homicídio e lesões corporais, o que se configura aí é um concurso formal de crimes (uma única ação, vários delitos). Responde pelo crime mais grave das cabíveis, porém aumentadas de 1/6 até a metade. Ou seja, se a pena de um homicídio foi de 20 anos de prisão, a maior dentre todas, aumenta-se esta de 1/6 até a metade e é isso que o sentenciado irá cumprir.