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Porto Alegre, segunda-feira, 25 de julho de 2016. Atualizado às 19h06.

Jornal do Comércio

Economia

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mercado financeiro

25/07/2016 - 18h14min. Alterada em 25/07 às 19h06min

Dólar sobe com queda do petróleo e cautela sobre quadro fiscal do País

Moeda americana fechou em queda de 2,40%

No fechamento, o dólar à vista estava em alta de 0,91%, aos R$ 3,2885


KAREN BLEIER/AFP/JC
O mercado de câmbio operou com giro pequeno e um viés de alta na maior parte da sessão desta segunda-feira (25). A demanda pela divisa americana foi estimulada pelo forte recuo do petróleo, a queda de moedas emergentes e preocupações com o quadro fiscal do País, segundo operadores de câmbio.
No fechamento, o dólar à vista estava em alta de 0,91%, aos R$ 3,2885. O giro total movimentado somou cerca de US$ 488,6 milhões. Na sessão, a mínima foi de R$ 3,2554 (-0,10%) e a máxima, de R$ 3,2958 (+1,14%). No mercado futuro, às 17h27, o dólar para agosto subia 0,87%, aos R$ 3,2925. Na mínima, caiu a R$ 3,2615 (-0,08%) e, na máxima, subiu a R$ 3,3025 (+1,18%).
A fraca agenda diária também deixou os investidores em compasso de espera por eventos importantes da semana. Internamente, estão no radar a divulgação da ata da reunião do Copom da semana passada, amanhã, os dados fiscais do setor público consolidado (dia 29) e de arrecadação federal, ainda sem data marcada. Entre balanços, Vale, Natura, Santander, Bradesco divulgam seus resultados do segundo trimestre nesta semana. Lá fora, os destaques são os encontros de política monetária do Federal Reserve (Fed) na quarta-feira e do Banco do Japão (BoJ) na quinta e sexta, e ainda o PIB dos Estados Unidos, na sexta-feira, além de balanços da Apple, Facebook, Caterpillar, McDonald's, entre outros.
O economista Ignácio Crespo Rey, da Guide Investimentos, disse que os mercados operaram hoje com volumes fracos internamente e em Nova York. Há muita expectativa pela reunião do Fed na quarta e do BoJ na sexta-feira, disse ele. Sua percepção é de que os investidores trabalham com a possibilidade de alta de juro até o final do ano nos Estados Unidos. Por lá, alguns bancos não descartam que o Fed vai deixar as portas abertas para uma elevação em setembro, embora as previsões são de uma elevação no mínimo a partir de dezembro.
Em relação ao ambiente fiscal, Crespo Rey acredita que, com a definição sobre o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff em agosto, o governo interino vai começar a discutir de forma mais intensa as reformas e a necessidade do ajuste fiscal. "Tirando o impeachment da frente, o tom poderá ficar mais duro e a entrevista hoje do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, vai nesse sentido", comentou.
Em evento na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Fijran), o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que as "despesas vinculadas tornam o ajuste fiscal quase impossível". Além desse impasse, os agentes econômicos observam a possibilidade de Meirelles vir a anunciar um aumento de tributos. Ele avisou aos parlamentares hoje que, caso não seja aprovada a criação de um teto para gastos públicos, o País terá alta de impostos e juros elevados por longo tempo.
O operador José Carlos Amado, da Spinelli Corretora, disse que essas declarações causaram desconforto e, em um ambiente de giro baixo, favoreceram o viés de alta.
Antevendo a possibilidade de aumento de tributos, uma fonte ouvida pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado, disse que o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, já se movimenta dentro e fora do governo para impedir a elevação da Cide que incide sobre os combustíveis. Segundo a fonte, a preocupação de Ilan é de que, dependendo da alíquota da Cide, a contaminação para o IPCA poderá ser maior do que o estimado pelo mercado. Além disso, como boa parte das despesas do governo é corrigida pela inflação, o impacto negativo do aumento dessa contribuição nas contas públicas poderá custar mais do que a arrecadação com a elevação do tributo.
No exterior, os preços do petróleo aprofundaram as perdas durante a tarde, quando atingiram as mínimas em três meses. O recuo abaixo de US$ 45 por barril em Londres decorreu das preocupações com o excesso de oferta da commodity, sobretudo de derivados. No fechamento, o petróleo tipo Brent para setembro caiu 2,23%, aos US$ 44,67 por barril, em Londres. Em Nova York, o WTI para o mesmo mês recuava 2,56%, aos US$ 43,06 por barril.
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