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Porto Alegre, segunda-feira, 18 de julho de 2016. Atualizado às 22h27.

Jornal do Comércio

Economia

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Notícia da edição impressa de 19/07/2016. Alterada em 18/07 às 21h18min

Opinião econômica: Pergunta lá no posto Ipiranga

Nizan Guanaes é publicitário e presidente do Grupo ABC

Nizan Guanaes é publicitário e presidente do Grupo ABC


Jonathan Heckler/Arquivo/JC
Nizan Guanaes
Eu amo essa propaganda do posto Ipiranga. Porque ela vende, porque ela constrói marca, porque ela virou bordão que atravessa os anos ficando cada vez melhor, porque ela está inserida na cultura do País.
A agência que a criou, a Talent, tem tradição em publicidade assim. É dela o clássico "Isso é uma Brastemp".
Neste momento em que tanto lero está sendo escrito sobre propaganda tradicional, se você quer saber se propaganda tradicional vende, pergunta lá no posto Ipiranga.
Eu sempre digo que propaganda tradicional não vende mesmo, porque, se é tradicional, não é propaganda.
Propaganda propaganda tem que ser disruptiva. Tem que fazer rir, chorar, lembrar, repetir, querer comprar imediatamente. Ela vira conversa de bar e de festa de aniversário.
É tão simples o anunciante saber se sua publicidade está indo bem!.... Pergunte à sua sogra, à sua mulher, ao seu marido. Cunhado não serve porque cunhado é sempre do contra.
Propaganda boa é aquela que vira cultura popular. Duvida? Pergunta lá no posto Ipiranga.
É só olhar. Esse tipo de propaganda na maioria das vezes é tão cultura local que não ganha Leão no Festival de Cannes nem prêmios internacionais. "Desce Redondo", "Pipoca com Guaraná", "Isso é uma Brastemp", "Mamíferos" - essas campanhas ganharam o povo brasileiro, ganharam o Leão das ruas. É essa a propaganda na qual eu acredito.
E ela pode ser feita em qualquer plataforma. Na internet, nas mídias de rua, num viral de celular. O que eu recebo de coisa linda no meu celular é inacreditável.
Você já viu, por exemplo, o comercial do Channel 4 britânico para a Paraolimpíada do Rio? Tem que ver. É uma obra-prima da propaganda. E é um comercial de TV que eu vi no meu celular.
A plataforma não importa. Importa a ideia, o "storytelling", a emoção, a coisa em comum que tem por trás, que faz a gente não desligar, não "skippar" um comercial. Como é que se faz isso? Pergunta lá no posto Ipiranga.
O Brasil é uma potência da propaganda porque tem um povo criativo que se identifica com criatividade. Alex Periscinoto, os MPMs, os DPZs, Julio Ribeiro da Talent, o grande Washington Olivetto, Marcelo Serpa, Alexandre Gama, Eduardo Fischer, Celso Loducca, Anselmo Ramos, Joana Monteiro, Sergio Gordilho, os caras que estão fazendo a propaganda do posto Ipiranga hoje: o Brasil tem continuamente produzido grandes talentos publicitários e pode apostar nessa nova safra que está aí. Quem são eles? Pergunte lá no posto Ipiranga. Tem muita gente boa.
E, para fazer uma série antológica como essa, tem que ter um grande cliente junto, como o posto Ipiranga. É mérito do cliente Ipiranga acreditar na ideia, ter paciência e sabedoria de fazer o bordão crescer e ter o talento e a coragem de fazê-lo variar e nos encantar ao longo do tempo.
As grandes agências de publicidade do mundo que me encantam - RGA, Droga5, Dentsu, Adam & Eve DDB, Wieden Kennedy - fazem esse tipo de propaganda. Uma propaganda que mexe com a cultura do mundo.
É como as velhinhas do comercial do Itaú que nossa agência Africa acabou de fazer. As velhinhas são impagáveis e fizeram tanto sucesso na internet que a gente acabou botando na TV.
Portanto, se você quer saber o que é propaganda que vende, de onde veio, para onde vai, se é digital, tradicional etc.; é fácil encontrar a resposta. Pergunta lá no posto Ipiranga.
Publicitário e presidente do Grupo ABC
 
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