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Porto Alegre, domingo, 31 de julho de 2016. Atualizado às 18h35.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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Com a palavra

Notícia da edição impressa de 01/08/2016. Alterada em 29/07 às 17h52min

Braskem celebra competitividade obtida pela planta no México

Roberto Bischoff é presidente da Braskem Idesa (joint venture formada pela empresa brasileira e a mexicana)

Roberto Bischoff é presidente da Braskem Idesa (joint venture formada pela empresa brasileira e a mexicana)


BRASKEM/DIVULGAÇÃO/JC
Jefferson Klein
Aquele sentimento de chegar ao supermercado e se deparar com o produto pretendido a um preço barato é semelhante ao da companhia petroquímica Braskem quanto a sua unidade no México. O presidente da Braskem Idesa (joint venture formada pela empresa brasileira e a mexicana), Roberto Bischoff, enfatiza que a matéria-prima competitiva (no caso, gás natural) foi o fator determinante para o grupo construir seu complexo de polietilenos na cidade de Nanchital. O empreendimento absorveu um investimento total de US$ 5,2 bilhões, com um financiamento de US$ 3,2 bilhões, estruturado por sete agências oficiais, com maior participação do Bndes (US$ 623 milhões).
JC Empresas & Negócios - Por que a Braskem escolheu o México para receber a sua nova planta?
Roberto Bischoff - O projeto tem escala internacional, e um empreendimento desse tipo, para poder ser implementado, precisa de disponibilidade de matéria-prima em longo prazo e competitiva. Esse foi um tema fundamental. O insumo foi colocado em disputa através de leilão, com a participação de mais de 30 empresas internacionais, pelo governo mexicano e pela Pemex (estatal do setor do petróleo).
Empresas & Negócios - Quanto a matéria-prima no México é mais competitiva do que no Brasil?
Bischoff - Hoje, há uma visão geral que a matéria-prima gás, principalmente pela abundância na região (América do Norte), em função do desenvolvimento do shale gas (conhecido como gás de xisto), é e será mais competitiva que a nafta. Mas esses são números que mudam muito em função da variação do custo do petróleo, da nafta e do gás.
Empresas & Negócios - Em 2017, quando o complexo poderá operar durante um ano inteiro (a unidade foi inaugurada em junho), qual a capacidade de produção que a Braskem pretende atingir no México?
Bischoff - Esperamos, no próximo ano, que a planta opere com sua capacidade nominal, 1.050 milhão de toneladas de polietilenos anuais.
Empresas & Negócios - Há demanda para esse patamar de produção?
Bischoff - O mercado mexicano de polietilenos é de um pouco mais de 2 milhões de toneladas ao ano. Nesse mercado, dois terços dele são supridos por importações, principalmente provenientes dos Estados Unidos. Fizemos um programa de pré-marketing nos últimos três anos, preparando a nossa entrada. Essa iniciativa nos permitiu comercializar, em 2015, em torno de 100 mil toneladas no mercado mexicano, revendendo produto de diversas origens. Planejamos, neste ano, colocar cerca de 50% da nossa produção no mercado doméstico.
Empresas & Negócios - No futuro, qual será o percentual para o mercado interno e para a exportação?
Bischoff - Essa planta será focada no mercado interno. O mercado mexicano continua crescendo a uma taxa em torno de 4% ao ano. Imaginamos que, por razões de estratégia comercial, vamos manter sempre alguns canais de exportação ativos. Mas não imagino que seja nada mais do que 10%, no máximo 20% da produção destinada para canais permanentes de exportação.
Empresas & Negócios - Qual foi o investimento e o número de empregos gerados pela planta?
Bischoff - Essa unidade significou um investimento total de US$ 5,2 bilhões. O projeto, durante a construção, gerou 26 mil empregos, em períodos diferentes, com pico de 17 mil durante um mês. Em operação permanente, o complexo proporciona cerca de 700 postos de trabalho diretos e em torno de 2,3 mil indiretos.
Empresas & Negócios - Há ligação da operação do Brasil com a do México?
Bischoff - Existem sinergias que estão sendo exploradas desde o início da implementação do projeto. Uma dessas sinergias é a de pessoas. O conhecimento detido pela equipe da Braskem foi e está sendo fundamental desde a etapa de projeto, até o início e consolidação da operação. Além disso, estamos aproveitando a infraestrutura do Centro de Tecnologia da empresa no Brasil (localizado em Triunfo) para desenvolver novos produtos para o mercado mexicano.
Empresas & Negócios - A revista Época publicou uma matéria apontando indícios de tráfico de influência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva favorecendo a Braskem para implantação do empreendimento da empresa no México. Qual o posicionamento da companhia a respeito dessas afirmações?
Bischoff - Na verdade, existe um posicionamento oficial da empresa. O presidente Lula veio ao México presenciar uma cerimônia de um contrato assinado, fortalecendo uma relação bilateral e respondendo a um convite do presidente da república (do México, Felipe Calderón) para que participasse da Cumbre (uma reunião de chefes de Estado). É isso. Em um contexto geral, foi apresentado de uma forma como se isso pudesse representar algum tipo de influência em um trabalho de leilão internacional, com mais de 30 empresas participando, que estava definido. É absolutamente sem sentido.
Empresas & Negócios - Qual é a sua avaliação sobre o cenário petroquímico mundial?
Bischoff - O cenário de volatilidade de preços que se enfrenta no mercado de petróleo tem afetado bastante as decisões de investimentos, não somente na indústria petroleira, que tem importância na disponibilização de matérias-primas, mas, especialmente, nas empresas que usam esses produtos e fabricam petroquímicos. Então, vejo que é um momento em que o nível de volatilidade não favorece a decisão de investimentos.
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