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Porto Alegre, domingo, 17 de julho de 2016. Atualizado às 18h08.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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Com a palavra

Notícia da edição impressa de 18/07/2016. Alterada em 15/07 às 18h29min

Restaurante Madero dribla a crise e planeja expansão

Junior Durski carrega a responsabilidade de administrar os quase 70 pontos do Restaurante Madero no Brasil e uma loja nos Estados Unidos

Junior Durski carrega a responsabilidade de administrar os quase 70 pontos do Restaurante Madero no Brasil e uma loja nos Estados Unidos


RESTAURANTE MADERO/DIVULGAÇÃO/JC
Maria Eugenia Bofill
Bem-humorado, apreciador de vinhos e champanhe, aos 54 anos, Junior Durski carrega uma grande responsabilidade nas costas: administrar os quase 70 pontos do Restaurante Madero no Brasil e uma loja nos Estados Unidos. Advogado por diploma, empreendedor por vocação, acredita que, para manter um negócio de sucesso, não há outra opção além de gostar do que faz e fazer bem-feito. Aos 20 anos, foi eleito vereador de sua cidade natal, Prudentópolis, no Paraná. Aos 22, largou a carreira política e mudou-se para a Amazônia para ser madeireiro. No Madero, o trabalho é realizado em família. A esposa Kethlen é a arquiteta dos pontos espalhados pelo Brasil e Estados Unidos. Já as filhas Laysa, 27, e Maysa, 24, fazem a gestão do Madero Miami e da engenharia dos restaurantes, respectivamente. A família se completa com as pequenas Isabela, de oito anos, e Alice, de cinco.
JC Empresas & Negócios - Como alguém que trabalhou com algo tão distante da culinária - em uma madeireira - e incursionou pela política se interessou pela gastronomia?
Junior Durski - Venho de uma família que sempre comeu muito bem, a boa mesa faz parte da minha casa. Vivíamos em volta do fogão, era na cozinha que as coisas aconteciam, então eu já tinha muita noção de culinária. Aos 22 anos, mudei para a cidade de Machadinho do Oeste, na Amazônia, e lá não tinha muita opção. Para comer bem, comecei a cozinhar.
Empresas & Negócios - Você imaginava que a primeira hamburgueria, aberta em Curitiba em 2005, construiria um império que chega a 70 pontos hoje?
Durski - Não imaginei. Fiz o primeiro Restaurante Durski em 1999 e, em 2005, o primeiro Madero, mas era o meu hobby. Continuei madeireiro, mesmo morando em Curitiba. Então as coisas foram acontecendo, acredito que o espírito empreendedor foi falando mais alto, e as oportunidades surgiram.
Empresas & Negócios - Há planos de expansão?
Durski - A meta é fechar 2016 com 85 restaurantes no Brasil. No ano que vem, pretendemos abrir 30 restaurantes no Brasil e quatro na Flórida (Estados Unidos).
Empresas & Negócios - Por que a internacionalização do Madero começou nos Estados Unidos? Há planejamento para abrir em outros países?
Durski - Eu adoro os Estados Unidos, é um país espetacular, de todos os pontos de vista: pelo lado de empreendedorismo, de desenvolvimento, de crescimento, exceto pela comida boa. Eu sou um empreendedor, isso está no meu sangue. Para quem é um empreendedor, o mercado norte-americano é um paraíso. Fazer um negócio de sucesso no Brasil é muito bom, mas fazer um empreendimento top nos Estados Unidos é o dobro. O norte-americano tem uma praticidade muito grande, principalmente quando se fala em restaurantes, mas não significa serviço de excelência ou qualidade de atendimento. No Brasil, o serviço gastronômico é muito melhor. Também estamos planejando abrir três restaurantes em Sidney, na Austrália, mas ainda sem previsão de data.
Empresas & Negócios - Muitas redes operam por franquias. O Madero é uma exceção ao privilegiar pontos próprios. Como é administrar todas essas unidades?
Durski - Hoje, temos 70 restaurantes. Desses, apenas 15 são franquias, e 55 são próprios. As franquias são do início do negócio. Chegamos a ter 29 franquias, mas recompramos. Hoje, não fazemos mais franquias, todos os restaurantes que abrimos são próprios. Em cada restaurante temos um sócio gestor, que fica responsável pelo ponto. É um funcionário do Madero que vem subindo de cargo: era garçom, tornou-se subgerente, gerente, então o convidamos para ser sócio gestor.
Empresas & Negócios - O Madero produz parte dos alimentos que serve?
Durski - Quase tudo que servimos somos nós que produzimos. Temos uma fábrica em Ponta Grossa, no Paraná, onde fabricamos pão, hambúrguer, linguiça, bacon, maionese e sobremesas, por exemplo. Temos uma frota própria de 20 caminhões que faz entregas semanais no Brasil inteiro. Não gosto de terceirização. Creio que traz muita facilidade, mas pouca qualidade.
Empresas & Negócios - É você mesmo, na figura de chef, que elabora os cardápios? De onde vem a inspiração?
Durski - Sim, sou eu que faço todos os pratos. Na verdade, não é inspiração, é uma expiração. Nunca fui um chef criativo. Sempre fiz aquilo que já existe, mas sempre fiz bem-feito. Não inventei o cheeseburger, o churrasco, o fettuccine. Isso já existia, mas temos o cuidado de fazer com muita qualidade. Eu só não sou o responsável pelos doces. Quem faz a sobremesa é a Laysa, minha filha.
Empresas & Negócios - A crise interfere nos planos de crescimento do Madero?
Durski - Na verdade, tem ocorrido o contrário. Evidentemente que, em alguns lugares, nossa venda caiu; mas em outros, principalmente nas capitais, não. Quando a crise estava chegando, fomos rápidos em cortar os desperdícios. A crise nos trouxe três vantagens: ajustamos tanto os restaurantes que caíram a venda, quanto os que não caíram também. Até dois anos atrás, estávamos com dificuldades em conseguir pessoas para trabalhar; neste ano, vamos fechar contratando 2.500 funcionários, e os shoppings nos oferecem condições excelentes de aluguel para abrirmos os pontos. A crise ajuda você a se ajustar, não desperdiçar e rever todo o processo, fazer a coisa, cada vez mais, melhor.
Empresas & Negócios - Qual será o investimento de 2016 e o faturamento previsto para o ano?
Durski - O investimento totalizará 100 milhões. A estimativa é fechar o ano com faturamento de R$ 390 milhões, mas estamos tentando chegar aos R$ 400 milhões.
Empresas & Negócios - Que conselhos você daria para alguém que sonha em empreender?
Durski - Tente ser, a cada dia, de todas as maneiras, um pouco melhor. No momento em que alguém falar "já sei tudo, não preciso aprender, não preciso melhorar", acabou o negócio. Tem que pensar que amanhã se pode fazer um pouco melhor do que hoje. Não acredito em sorte, em inteligência superior, em talento. Acredito em trabalho. Não há outro milagre.
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