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Porto Alegre, quinta-feira, 16 de junho de 2016. Atualizado às 22h28.

Jornal do Comércio

Opinião

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editorial

Notícia da edição impressa de 17/06/2016. Alterada em 16/06 às 20h56min

Brasil brada por mais rigor contra a corrupção

Novas denúncias contra próceres da República. Delações premiadas, previstas no ordenamento jurídico, apontam para descalabros éticos e mesmo corrupção deslavada em setores tidos como acima de qualquer suspeita. O ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, que se comprometeu a devolver aos cofres públicos R$ 75 milhões que teria recebido de propina enquanto comandou a estatal, de 2003 a 2014, acusa, entre outros, o presidente interino da República, Michel Temer (PMDB). Em pronunciamento, Michel Temer classificou de "irresponsável, leviana, criminosa e mentirosa" a acusação de que tenha pedido recursos ilícitos para a campanha do então candidato à prefeitura de São Paulo, em 2012, Gabriel Chalita.
Ainda assim, fica uma sensação de pessimismo no imaginário da população com os desdobramentos de tudo o que tem sido divulgado.
Parece que não adianta, fica a sensação de que a impunidade vencerá no final. As denúncias fizeram com que o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, pedisse demissão - o terceiro a cair no governo interino. Evidentemente que a corrupção existe na sociedade, e não é de hoje. Mas é intolerável. A Operação Lava Jato, com dezenas de etapas, tem sido a espada brandida contra os malfeitos na República.
De permeio, quem é favorável ao governo afastado (de Dilma Rousseff) critica o que classifica como "a volta do fascismo". Quem é favorável ao interino Temer, aplaude as medidas que estão sendo enviadas ao Congresso para análise e eventual aprovação. Mas é uma dicotomia que beira, às vezes, ao radicalismo, em que a lógica e o bom senso têm pouco lugar. Muitos pensadores ditos de esquerda no Brasil pregam que as manifestações ocorridas em diversas cidades brasileiras representaram, tão somente, "o ódio das elites contra a ascensão dos 40 milhões de pobres no Brasil". No entanto, mesmo que a corrupção seja uma "senhora idosa", que pode estar em todos lugares, o certo é que é desabonadora. Porém, o que nos interessa é combatê-la aqui, no País, no qual atingiu índices para lá de insuportáveis.
Se é para comparar, vamos ignorar o Estatuto do Idoso, tirar todos os direitos e encarcerar essa hipotética senhora idosa em uma casa geriátrica de onde não poderá sair até o fim dos seus dias terrenos. O juiz federal Sergio Moro - ao retrucar o que alguns classificam como "República de Curitiba" - defende o seu trabalho, ao entender que autorizou o uso do mecanismo dentro das excepcionalidades previstas em lei, pois "eu me deparei com um quadro de corrupção sistêmica, em que existe a necessidade de medidas para estancar a sangria dos cofres públicos".
Segundo a lei, justifica-se a prisão cautelar para prevenir a continuidade da prática de delitos. E os tribunais superiores têm entendido da mesma forma.
Quanto aos acordos de leniência, criticados pelos que acabaram denunciados, são acertos semelhantes às delações premiadas, mas para as empresas, desde que cumpram os requisitos comprometendo-se a abandonar as práticas ilícitas, de revelar fatos e de trocar o comando interno que se mostrou envolvido com a corrupção. Assim, a empresa tem que fazer sua faxina doméstica. O conluio entre público e privado ficou provado no escândalo da Petrobras, tristemente. É aquilo que sempre se repete: não existem empresas ou instituições corruptas, mas pessoas de má índole e aproveitadoras, ansiosas pelo dinheiro acima de tudo. Sem ética e, o pior, sem temer a Justiça, na certeza da impunidade.
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