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Geral

- Publicada em 30 de Junho de 2016 às 12:46

Poeta e cineasta abrem Flip em clima de amizade e relembram Ana Cristina Cesar

Agência Estado
A mesa de abertura da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) trouxe o poeta Armando Freitas Filho e o cineasta que o filmou por sete anos, Walter Carvalho. Eles falaram das similaridades e especificidades de suas artes e abriram para o público uma relação de amizade que se fortaleceu ao longo das filmagens do filme Manter a linha da cordilheira sem o desmaio da planície, em que Carvalho investiga de onde nascem os poemas de Freitas Filho.
A mesa de abertura da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) trouxe o poeta Armando Freitas Filho e o cineasta que o filmou por sete anos, Walter Carvalho. Eles falaram das similaridades e especificidades de suas artes e abriram para o público uma relação de amizade que se fortaleceu ao longo das filmagens do filme Manter a linha da cordilheira sem o desmaio da planície, em que Carvalho investiga de onde nascem os poemas de Freitas Filho.
"A primeira vez em que abri um livro do Armando, li um poema que dizia assim: uma gaivota passa riscada a lápis'. Não sabia se estava diante de um poema ou diante de uma imagem", lembra o cineasta, que conta que "tinha muita curiosidade sobre como vive um poeta: vocês andam de ônibus? Pegam Táxi? Vão ao banco?"
O poeta Freitas Filho, que foi um dos maiores amigos e é curador da obra de Ana Cristina Cesar - a autora homenageada desta edição da Flip -, brincou ao falar da relação com o diretor de cinema e disse que ninguém nunca olhou para ele por tanto tempo. "Não só ele olhou pra mim. Eu também não tirei os olhos dele. Ficamos apaixonados", disse, arrancando risadas da plateia. "[O Armando do filme] não é exatamente uma invenção dele, mas é uma criação dele sobre o que ele acha de mim e, principalmente, sobre o que ele sente por mim".
Em uma carreira que começou na década de 60, Armando tem 53 anos de poesia e conta que sua arte tem influência do cineasta francês Jean Luc Godard. "Cada gênero de arte tem a mesma origem: descobrir o que ninguém falou daquela maneira. O poeta procura um modo de falar e dizer novo ou, pelo menos, inesperado", disse Freitas Filho.
O diretor de cinema e fotógrafo Walter Carvalho lembrou um trabalho feito há 20 anos em que transita por objetos da homenageada da Flip, Ana Cristina Cesar, que chegaram a ele em uma sacola de plástico, entregue pela família.
"Colocamos todos os objetos em uma mesa e, em duas tardes com a câmera, fomos tentando encontrar as conexões daqueles objetos e tentando entender a poeta Ana Cristina através daqueles objetos".
O poeta Freitas Filho contou que conheceu a amiga quando ela ainda tinha 20 anos e que a relação entre os dois sempre foi marcada por brigas. "Ela provocava você para falar, para contar, para ouvir. Era uma mulher que ouvia muito o que você falava. E isso era forte e até incômodo. Não é à toa que nesses sete anos de profunda amizade a gente brigou muito, porque tudo era um problema pra ser resolvido", recorda.
Armando Freitas Filho é o curador da obra de Ana Cristina Cesar a pedido de sua família, desde que a autora morreu, em 1983. A poetisa é uma das principais representantes da poesia marginal brasileira da década de 1970, quando os autores editavam e distribuíam suas obras de forma caseira em uma época marcada pela repressão da Ditadura Militar.
Antes das discussões iniciais, o diretor da Flip, Mauro Munhoz destacou que a festa literária tem uma tarefa difícil "em tempos de ânimos tão acirrados e polarizados" e que cultiva a ideia de escutar o outro.
O curador da exposição, Paulo Werneck destacou que 2016 tem sido um ano difícil para o mercado editorial, com o fechamento de editoras que, inclusive, tiveram autores convidados para a Flip. Na visão dele, no entanto, o esforço de tocar a festa mostra a força da cultura. "Temos novos autores se estabelecendo na nossa literatura apesar de todas as descontinuidades e de todas as crises".
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