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Porto Alegre, terça-feira, 28 de junho de 2016. Atualizado às 17h45.

Jornal do Comércio

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Ensino Superior

Notícia da edição impressa de 27/06/2016. Alterada em 27/06 às 10h19min

Oppermann quer ampliar participação social

Rui Vicente Oppermann já atua como vice-reitor da Ufrgs na atual gestão de Carlos Alexandre Netto

Rui Vicente Oppermann já atua como vice-reitor da Ufrgs na atual gestão de Carlos Alexandre Netto


ANTONIO PAZ/JC
Suzy Scarton
No dia 17 de junho, foram conhecidos os nomes que estarão no comando da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) pelos próximos quatro anos. O professor Rui Vicente Oppermann, docente na Faculdade de Odontologia, e a professora Jane Tutikian, do Instituto de Letras, pertencentes à Chapa 3, foram eleitos mesmo sem a maioria dos votos, devido ao sistema de contagem da universidade, que atribui um peso específico a cada uma das categorias votantes. Oppermann já atua como vice-reitor, ao lado do reitor Carlos Alexandre Netto. Nesta entrevista ao Jornal do Comércio, o professor se mostra preocupado com possíveis cortes orçamentários e define como prioridade da gestão a participação da universidade junto à sociedade.
Jornal do Comércio - Quais serão, agora, as prioridades da gestão sob o seu comando como reitor?
Rui Vicente Oppermann - A Ufrgs quer se colocar como uma parceira institucional da sociedade. As pessoas imaginam que a universidade seja uma torre de cristal, isolada, mas temos expertise em áreas que contribuem com o encaminhando de soluções, tanto na formação de recursos humanos como na produção científica e tecnológica, que precisa ser compartilhada. Para isso, buscamos parcerias públicas e privadas que queiram trabalhar dentro dessa perspectiva. No campus Litoral Norte, por exemplo, temos um curso de Gestão Regional, para formar administradores naquele ambiente, com capacidade de trabalhar com a prefeitura. Nos últimos anos, a Ufrgs se expandiu muito, tanto na inclusão como na presença internacional, e temos desafios próprios de uma universidade complexa. A participação junto à sociedade é justamente um deles.
JC - O senhor teme que possíveis cortes orçamentários na educação causem prejuízos à Ufrgs?
Oppermann - É uma situação que não se configurou ainda, mas vemos com preocupação. Em momentos de crise, é fácil reduzir o investimento na educação, mas talvez seja o momento de manter esse investimento, para garantir que, com a participação das universidades, a crise possa ser mais rapidamente superada, seja pela formação de quadros competentes, seja pelo encaminhamento de soluções. Por enquanto, o governo provisório tem garantido o custeio da universidade. Tivemos recursos sustados para novos equipamentos e edificações. Nosso orçamento é de R$ 1,5 bilhão.
JC - Reclamações recorrentes dizem respeito à infraestrutura das salas de aula e dos prédios. Quais são os projetos para melhorias?
Oppermann - Temos dois planos de infraestrutura, o de manutenção e o das edificações. O de manutenção é pontual, que lida com alagamentos, goteiras, consertos em geral. Para cada campus, demandas diferentes, portanto, é preciso uma coordenação. Na questão das edificações, estamos com uma série de obras em andamento. O Instituto de Ciências Básicas da Saúde, na rua Ramiro Barcelos em direção à avenida Ipiranga, está sendo reformado. Quando estiver pronto, os alunos da Medicina serão transferidos para lá, e o prédio da Medicina, por sua vez, entrará em recuperação. Há algumas prioridades, como prédios que precisam ser construídos para a área da Fisioterapia, da Dança e da Educação Física. No campus do Vale, temos um plano diretor que envolve uma série de novos prédios e, para colocar em prática, aguardamos a liberação ambiental da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam). A nova biblioteca do Vale já está licitada e a construção deve começar em 2017.
JC - Outra questão que abala os estudantes é a falta de segurança no entorno dos campi. Está sendo feito algo para melhorar isso?
Oppermann - A segurança interna é terceirizada e corresponde ao maior investimento em custeio da universidade. Temos 196 postos com regime de 12 horas, e redistribuímos, alocando o maior número de seguranças para as áreas externas, onde ocorre a maioria dos assaltos. Estamos colocando, no campus Central, um sistema de câmeras de monitoramento. Como possuímos um painel de controle, podemos agir no momento do assalto. Esse monitoramento, que será instalado também nos outros campi, está em fase de testes e deve entrar em funcionamento no mês que vem. A troca da iluminação por lâmpadas de LED, que garantem maior luminescência, também está sendo feita. Temos um bom relacionamento com a Brigada Militar, que faz rondas periódicas na área, mas o entorno é um reflexo da sociedade como um todo. A iniciativa dos estudantes da Engenharia (que instalaram, no começo de junho, um assaltômetro) é boa, previne o cidadão que estiver passando por ali. Nos preocupamos, também, com o entorno do Campus do Vale, que tem favelas e vilas. Temos tentado promover a cidadania - a única maneira que entendemos para diminuir a violência.
JC - A maioria dos docentes votou na Chapa 3. No entanto, estudantes e funcionários, em maioria, optaram pela Chapa 1 (Carlos Alberto Saraiva e Laura Vinas). Essa preferência pela oposição preocupa a gestão?
Oppermann - O fato de os estudantes terem votado na oposição não assusta tanto quanto a baixa participação na eleição. Somente 10% a 20% dos estudantes votaram, e isso mostra que temos muito a crescer no que se refere à mobilização dos alunos para além dos movimentos estudantis. Entendemos a preferência dos funcionários, uma vez que esta foi a administração que instituiu o ponto eletrônico. Esse argumento foi utilizado fortemente pelo sindicato. Além disso, eles são contrários ao modelo de eleição que temos, cujo voto dos docentes vale 70%, e o dos funcionários e alunos, 15% cada. Muitos entendem que o regulamento é antigo. A Lei nº 11.892/1998 já propõe a paridade, mas o governo federal não provocou a mudança nas universidades. Isso deve ser trabalhado em espaços nacionais.
JC - Algum projeto para ampliar a assistência estudantil?
Oppermann - Temos de garantir o repasse do Plano Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes), um recurso extra que é usado para todas as modalidades de assistência ao aluno carente. Em 2014, recebemos R$ 16,6 milhões, e em 2015, R$ 18,9 milhões. Em maio deste ano, 3.806 alunos eram atendidos pelo Pnaes. Em 2014, foram 3.898, e em 2015, 4.493. Lutaremos pelo reajuste no recurso, para que possamos manter o padrão. Além disso, temos uma demanda significativa pela moradia estudantil. Temos um projeto, parado até hoje na Fepam, para a construção de uma casa do estudante no Campus do Vale. Enquanto isso, existe o auxílio moradia, de R$ 400,00 mensais. É pouco, mas se o aluno se juntar com três colegas, já garante R$ 1,6 mil. O carente não paga o almoço e recebe auxílio transporte. No fim, dá bem mais que R$ 400,00. Concordo que existem pessoas que não são carentes (estudantes oriundos da rede pública ou com renda familiar per capita de até um salário-mínimo e meio), que estão um pouco acima disso, e que também deveriam receber essas bolsas. É um problema que temos de equacionar: primeiro os carentes, depois, os outros.
JC - Mais de 100 escolas gaúchas foram ocupadas por estudantes que pediam por melhorias na educação. Podemos esperar uma geração de universitários mais politizada?
Oppermann - Alguém disse que nossa juventude era apática, mas estão errados. As ocupações e os movimentos sociais mostram que ela possui capacidade de mobilização e a consciência de participação em sociedade. Os estudantes são representados por coletivos, em democracia participativa, algo que saúdo como forma importante de construir a cidadania. O cidadão não é guiado por ninguém, tem participação direta nas decisões pessoais. Se não tivermos essa consciência da importância da educação, vai ser difícil termos uma perspectiva de desenvolvimento para o Brasil. E a questão da ocupação faz parte disso: as pessoas estão cansadas de somente ouvir que é preciso priorizar a educação.
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Comentários
Sergio 28/06/2016 16h21min
Todo aluno, professor Rui Vicente Oppermann, que estiver sendo assaltado irá se lembrar de sua sabias palavras (espero que ele olhe para a câmera e sorria), agora, quando acontecer uma tragédia virão as "explicações". Acredito que sem um intercambio com a brigada militar para patrulhamento externo aos campus, o resto é balela sem efeito algum.