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Porto Alegre, terça-feira, 27 de dezembro de 2016. Atualizado às 15h24.

Jornal do Comércio

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Dom Jaime Spengler

A voz do Pastor

Notícia da edição impressa de 02/06/2016. Alterada em 27/12 às 16h25min

Cruz incômoda

A cruz está presente de muitas formas na cultura ocidental. Ela marca a vida do Ocidente.
No entanto, em alguns ambientes, está se tornando difícil conservar a cruz e até mesmo realizar um rito cristão. Não faltam expressões agressivas, manifestações contundentes, palavras de ordem contra a exposição da cruz e o que ela representa. As pessoas estariam fartas de representações da cruz e de crucificação.
A bem da verdade, deve-se, porém, ter presente que não foi o cristianismo que descobriu a cruz. Ela é encontrada em diferentes culturas. Entretanto, ela marcou, de forma determinante, o mundo ocidental.
O atual contexto social é multicultural. Em um mesmo lugar, encontram-se pessoas de diferentes proveniências, que possuem cultura própria, tradições características. As diferenças exigem respeito e ponderação. Elas fazem pensar, ajudam a promover o debate, o estudo, o diálogo. Faz-se necessário avaliar o que promove vida, dignifica a pessoa e favorece o convívio. Urge, pois, desenvolver a obra do cuidado e do discernimento.
Há quem acuse a exposição da cruz como meio para glorificar o sofrimento, a submissão e o conformismo. Como no passado, também no presente a cruz causa desconcerto, escândalo, desconforto, estranhamento.
A cruz é instrumento de sofrimento e morte. Ora, o sofrimento é um tabu. Parece não ter, como tal, o direito de existir. E o que dizer da morte, tão humana e tão temida? No entanto, esquecer o sofrimento, a fragilidade e a morte gera insensibilidade, dureza, indiferença, prepotência. Não convém esquecer-se do que foram capazes a insensibilidade, a prepotência e a indiferença humana em um passado recente da história.
Como símbolo e instrumento, a cruz expressa não só o sofrimento de um homem injustiçado e justiçado. Ela continua sendo indicação de um processo iníquo, conduzido por pessoas acovardadas, induzidas por forças perversas que manipularam multidões. Ela é também um símbolo que une opostos e, por isso, símbolo de salvação, harmonização, encontro.
A cruz lança diante dos olhos questões que merecem atenção: do que é capaz o ser humano? Qual a tarefa da justiça? Para onde pode conduzir um processo injusto? O que é a fragilidade humana? Como lidar com ela? Como acolher as imperfeições humanas? Existe um limite possível para aceitá-las? O que é o dilaceramento interior humano?
A cruz adquiriu novo significado quando Jesus de Nazaré tornou-a o sinal mais eloquente do amor que é capaz de dar a vida até pelo inimigo. Para os cristãos, a cruz é símbolo por excelência, expressa uma identidade. É também sinal de esperança. Por meio dela e a partir dela, todo sofrimento pode ser superado, o desespero convertido, as trevas iluminadas, a fraqueza convertida, o sofrimento transformado, o ódio vencido, a vida promovida. Assim, em um mundo marcado por contradições, aflições e dores, a cruz resplandece como elemento de esperança, possibilidade de superação e de integração.
Não seria a cruz um vigoroso convite à solidariedade humana, especialmente em favor das pessoas que sofrem? Não representaria também uma grave provocação a homens e mulheres de boa vontade para um grande mutirão de solidariedade em favor de vida plena para todos?
A cruz não acomoda! Ela incomoda, pois revoluciona esquemas humanos preestabelecidos!
Querer esconder, negar e anular a cruz pode conduzir à anulação, à negação e ao esquecimento do que é capaz o amor e do que significa ser um ser humano. Quando o ser humano se esquece de sua condição, do que é capaz o amor e se acomoda em si mesmo, ele pode se tornar trágico, senão diabólico!
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