Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, sexta-feira, 20 de maio de 2016. Atualizado às 08h57.

Jornal do Comércio

Política

COMENTAR | CORRIGIR

crise política

19/05/2016 - 18h01min. Alterada em 19/05 às 18h13min

Em entrevista a Glenn Greenwald, Dilma critica governo Temer e diz que seguirá lutando

Dilma deu entrevista ao jornalista americano Glenn Greenwald

Primeira entrevista da presidente afastafa foi veiculada pelo The Intercept


Reprodução/JC
A presidente afastada Dilma Rousseff foi entrevistada, nesta quinta-feira (19), pelo jornalista norte-americano Glenn Greenwald, cofundador do site The Intercept, em sua primeira entrevista após ser afastada do cargo por 180 dias, na última quinta-feira, com a decisão do Senado de dar continuidade ao processo de impeachment contra ela.
Disponibilizada no fim da tarde de hoje, a entrevista (veja o vídeo abaixo) mostra uma presidente combativa e determinada, conforme o próprio repórter qualifica. Em seu texto, Greenwald ainda destaca o fato de que o presidente interino Michel Temer, ao contrário de Dilma, tem seu nome envolvido em escândalos de corrupção, além de ter o apoio de apenas 1% ou 2% dos brasileiros em uma eleição, enquanto quase 60% desejam vê-lo também impedido.
Na entrevista, Dilma disse que vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal contra o impeachment quando "for adequado" para sua defesa. "No ínterim, ele [o processo de impeachment] correrá no tribunal. Ele irá transcorrer dentro do Senado. A partir daí, o que eu posso fazer é discutir se os procedimentos foram corretamente levantados, foram corretamente aceitos, nos deram amplo direito de defesa, não houve nenhuma interrupção no processo. Nós estamos recorrendo disso", diz.
Segundo Dilma, a suspensão da investigação sobre o Aécio Neves, anunciada pelo ministro do STF Gilmar Mendes logo após a votação do impeachment do Senado, é "estranha". "Até agora, pelo que eu saiba, nenhuma ação teria sido suspensa até então, nenhuma ação de pessoas investigadas pela Lava Jato. Agora, o ministro Gilmar Mendes não é a única pessoa no Supremo Tribunal. O Supremo Tribunal é composto por doze integrantes", afirma.
Dilma ainda se referiu ao governo interino de Michel Temer como 'ilegítimo' e 'bastante conservador', afirmando que a ausência de mulheres e de negros "mostra um certo descuidado com o País que se está governando", citando que se trata de um "governo de homens brancos", em um País onde mais de 50% da população se declarou afro-descendente no último censo.
Ao explicar sua relação de aliada com o presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, Dilma explicou: "Nós começamos a ter atrito desde o primeiro dia do meu governo, do meu segundo governo. Ao longo do meu primeiro governo, nós tivemos atritos sistemáticos com ele. Então, essa é uma questão que é muito importante de ser entendida, porque ele age nas trevas. Ele é muito bom de agir nas trevas", afirmou.
Quando perguntada se preferia, em caso de um afastamento definitivo, o governo Michel Temer ou novas eleições, ela não quis responder: "Se eu colocar uma questão dessas para mim, eu estou me desmobilizando", explicou.
O jornalista do The Intercept já convidou o presidente interino para uma entrevista, mas ainda não obteve resposta. Em abril, Greenwald havia entrevistado o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na época, Lula afirmou que o processo de impeachment era "tramado por um grupo que deseja chegar ao poder desrespeitando o voto popular".
A presidente afastada também deu entrevista ao canal de notícias Russia Today, em que fez críticas aos primeiros dias de gestão do presidente em exercício. Segundo Dilma, o governo do PMDB "adota uma medida hoje e muda amanhã" porque não tem um programa que tenha sido testado nas urnas. De acordo com Dilma, as idas e vindas do ministério de Temer tem como objetivo "encobrir" o objetivo de aplicar um programa "mais neoliberal possível". Ela disse que pretende viajar pelo Brasil para denunciar o "golpe" do qual teria sido vítima. "Pretendo visitar várias cidades, falar com muitas pessoas. Isso permitirá para o Brasil e para o mundo entender o que está acontecendo no País", disse ela.
Veja a entrevista de Dilma para o The Intercept:
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Ronan Schulze 20/05/2016 07h04min
Na entrevista ela falou, que deixou um rombo de 200 milhões?