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Porto Alegre, segunda-feira, 16 de maio de 2016. Atualizado às 18h57.

Jornal do Comércio

Política

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novo governo

16/05/2016 - 18h41min. Alterada em 16/05 às 18h57min

Temer cria grupo com centrais para discutir reforma da Previdência em 30 dias

Temer se reúne com dirigentes de centrais sindicais

Temer se reúne com dirigentes de centrais sindicais


Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil/JC
Agência Brasil
O presidente interino Michel Temer decidiu nesta segunda-feira (16) criar um grupo de trabalho com as centrais sindicais para apresentar, em 30 dias, uma proposta sobre a reforma da Previdência. Cada entidade terá dois representantes no colegiado, que terá a primeira reunião na próxima quarta-feira (18).
Foram à reunião apenas Força Sindical, a Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) e União Geral dos Trabalhadores (UGT). Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), contrárias ao afastamento de Dilma Rousseff, não compareceram. 
Embora tenham se manifestado reticentes a mudanças na aposentadoria, sindicalistas que participaram se comprometeram a procurar soluções junto com o governo. O presidente da CSB, Antônio Neto, disse que as entidades podem até ser convencidas pelo governo, mas a posição inicial do setor é que não é necessária uma reforma na Previdência.
"Achamos que não precisa, posso dizer com toda tranquilidade. Quando foi feita a 85/95 progressivo, já foi feita a maldade [nova fórmula de cálculo das aposentadorias]. Em 2026, ninguém mais no Brasil se aposentará com 65 anos  (homem) e com 60 anos (mulher). É repetir o erro de novo. Aliás, todas mexidas da Previdência mexeram sempre com o todo dos trabalhadores."

Alternativas afastariam mudança em idade

Na opinião das centrais sindicais, há alternativas de financiamento para a Previdência que não seja a mudança na idade dos trabalhadores para ter direito ao benefício, como o aumento da arrecadação por meio da formalização do trabalho e a criação de impostos por meio da legalização dos jogos de azar.
O presidente da Força Sindical, deputado Paulinho da Força (SD-SP), disse que Temer está disposto a negociar para resolver o problema. "Do nosso ponto de vista, esse acordo não pode tirar direitos. Direitos adquiridos não podem ser mexidos, não aceitaremos nenhuma retirada de direitos de quem está no mercado de trabalho. Mudança para quem vai entrar no mercado de trabalho, nós podemos discutir. (Ele) espera que em 30 dias chegue em um acordo. Se não chegar, ele pode adiar um pouco mais."
Após o encontro, o presidente da UGT, Ricardo Patah, disse que vai tentar sensibilizar as demais centrais a participar dos debates, porque, segundo ele, Michel Temer disse não querer deixar como legado a retirada de direitos dos trabalhadores.
"Este diálogo é fundamental. Querendo ou não querendo, está aí o governo colocado. Se não houver um debate profundo, quem vai sair prejudicado são todos os trabalhadores. Eles que estão pagando com o desemprego. Não podemos ter situação de impedimento do diálogo para que a gente possa solucionar a crise mais grave que a gente tem que é a do desemprego", disse Patah.
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