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Agronegócios

24/05/2016 - 19h41min. Alterada em 21/05 às 10h24min

Produtores têm de lidar com os desafios

Carlos Sperotto afirma que setor gaúcho conta com tecnologia acima da média

Carlos Sperotto afirma que setor gaúcho conta com tecnologia acima da média


MARCELO G. RIBEIRO/JC
O presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Carlos Sperotto, fala sobre os reflexos das dificuldades econômicas e da instabilidade política no agronegócio.
O presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Carlos Sperotto, fala sobre os reflexos das dificuldades econômicas e da instabilidade política no agronegócio.
Jornal do Comércio - Como o cenário de incerteza política está afetando o agronegócio no Brasil? E no Rio Grande do Sul?
Carlos Sperotto - Há diversas formas de impacto e a primeira delas é na instabilidade no câmbio. Tanto na formação do custo de produção, pelo fato de sermos importadores de matéria-prima, quanto na venda de produtos a taxa de câmbio é determinante para os preços que pagamos e recebemos, pois operamos em um mercado global de matérias-primas e de produtos agropecuários. Depois que plantamos, levamos quase seis meses para colher e a variação na taxa de câmbio torna o negócio ainda mais incerto. Isso leva a uma retração dos investimentos ainda maior.
JC - Quais os desafios para exportar mais e terminar o ano com saldo positivo?
Sperotto - O primeiro é colher. Devido ao El Niño tivemos muitas perdas nas lavouras irrigadas, nas de arroz e nas de sequeiro. O segundo é escoar a produção das propriedades em estradas de chão batido que em pleno século XXI ainda são intransitáveis, especialmente quando chove. É um festival de caminhões atolados e tombados, gerando perdas de produto, qualidade e principalmente tempo e competitividade. Quando finalmente conseguimos tirar das estradas vicinais não encontramos estradas federais e estaduais em condições muito melhores. Além do mais, faltam-nos hidrovias e ferrovias para chegarmos ao porto com escala e custo mais baixo. Estamos aumentando nossa produção, gerando PIB, empregos e impostos. Entretanto, a infraestrutura não avança nem a passos lentos, quanto menos na velocidade do agronegócio.
JC - Quais os diferenciais da agricultura no Rio Grande do Sul?
Sperotto - Em relação aos demais estados temos pontos positivos e negativos. O fato de termos maior produtividade do que a média do Brasil, mesmo com um clima mais instável, mostra que temos tecnologia acima da média. Entretanto, somos o estado mais ao Sul, exigindo maior custo e tempo de frete para chegarmos aos principais mercados brasileiros. Outro ponto negativo é a infraestrutura bem pior do que a média, devido a dificuldade de conceder serviços para iniciativa privada maior que a média brasileira. Estamos com as finanças públicas em condições muito difíceis, mas ainda esperamos que o Estado oferte aquilo que precisamos, apesar de não ter condições de fazê-lo e com a iniciativa privada pronta para ajudar.
JC - Qual o segmento que absorve e utiliza com melhor eficiência a tecnologia disponível?
Sperotto - Sem dúvida é o agronegócio. Expodireto e Expointer são feiras, em essência, de inovação e tecnologia, seja de genética ou de máquinas. É uma pena que apesar de sermos altamente demandante de tecnologia, a maior produção de informação vem de fora, pois nossa pesquisa brasileira, sobretudo nas universidades, ainda não despertaram para a importância do agronegócio como demandante de inovação e tecnologia.
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