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Porto Alegre, quinta-feira, 05 de maio de 2016. Atualizado às 09h11.

Jornal do Comércio

Economia

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Conjuntura

Notícia da edição impressa de 05/05/2016. Alterada em 05/05 às 09h11min

Mendonça de Barros defende revisão do acordo da dívida com os estados

Temer seguirá rumo oposto ao de Dilma na economia, diz empresário

Temer seguirá rumo oposto ao de Dilma na economia, diz empresário


FREDY VIEIRA/JC
Patrícia Comunello
Um dos artífices do acordo que repactuou as dívidas dos estados com a União, o empresário, presidente do Conselho de Administração da Foton Caminhões/Aumark do Brasil e ex-ministro de Fernando Henrique Cardoso, Luiz Carlos Mendonça de Barros, defendeu ontem, em Porto Alegre, a reestruturação dos termos firmados entre 1996 e 1997. Barros apontou a medida como necessária para a gestão do vice-presidente Michel Temer, se ele vier a assumir a Presidência.
Barros foi um dos operadores do acordo, por isso admitiu que "erros foram cometidos", mas ele se recusou a apontar quais. "Jurei sobre a foto da minha mãe que não falaria, pois repassei ao governo", despistou, sem precisar o que seria. Ele também informou que não tem aconselhado diretamente o vice-presidente, mas amigos próximos.
O ex-ministro, que foi o palestrante do Tá na Mesa da Federasul, elogiou a posição de Temer, que declarou que seu foco será a economia. "O que ele (Temer) fez correto é não deixar de lado a economia. O Temer percebeu que a Dilma caiu pela economia", relacionou o empresário. "O Temer tem de fazer o oposto de Dilma na economia", acrescentou sobre medidas para reativar a atividade. Para o empresário, os erros do governo petista de Dilma começaram em 2012. "A redução dos juros foi o pior remédio." Barros apontou a mudança de governo como condição necessária para corrigir os erros na condução da política macroeconômica.
O convidado, que veio ao Estado para tratar de detalhes da implantação da fábrica de caminhões com plataforma chinesa com investimento projetado em R$ 250 milhões em Guaíba, lembrou que estava à frente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes) quando houve a renegociação, vinculada a privatizações de estatais. O acordo foi celebrado com o governador Antonio Britto (1995-1998). "Dava-se o dinheiro na frente com o compromisso do governador em privatizar, mas aqui não deu certo. Entrou o bigodudo (referência ao petista Olivio Dutra, governador de 1999 e 2002) e a coisa não andou", criticou o ex-ministro. "Foram cometidos erros que, de certa forma, geraram a crise de hoje. O governo federal terá de abrir o processo de discussão para corrigir."
Segundo Barros, não há saída sem a revisão, e considerou acertada a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), adiando o julgamento por 60 dias sobre o tipo de juro aplicado ao saldo devedor (simples ou capitalizado). O Estado é um dos postulante da regra simples, que reduz a conta. O STF deu liminar com a correção, mas o Supremo quer que União e estados cheguem a um consenso. O ex-ministro opinou que o correto é a capitalização.
Empresário quando se trata do empreendimento de fabricação de caminhões com plataforma chinesa, Barros assinou ontem, em Guaíba, a escritura da área de 150 hectares onde será instalada a montadora no município. O terreno fica na mesma área que, nos anos de 1990, chegou a ser destinada a uma fábrica de automóveis da Ford. 
A escritura, que oficializa a aquisição do imóvel pela empresa Foton Caminhões, de Barros, é exigência para acessar empréstimo do Bndes. "Entre as empresas com projetos de instalação nessa área que era da Ford, a Foton é a primeira a ter o documento", lembrou o empresário. Barros informou ainda que os chineses, da Foton, estão buscando uma sede em Porto Alegre.
O grupo anunciou que quer montar camionetes e SUVs no empreendimento já previsto. A montagem de caminhões, inicialmente de 10 toneladas, começará em setembro deste ano na unidade da Agrale, em Caxias do Sul. O acordo com a companhia caxiense foi a solução para abastecer o mercado enquanto não é construída a estrutura em Guaíba. A previsão é de concluir a obra no final de 2016. Sobre o mercado de veículos, com queda de quase 30% até abril, o dirigente da Foton Aumark espera recuperação em 2021, mas, na economia, Barros observa que já teria começado uma inflexão, alterando as quedas. Recuo da inflação e corte das taxas de juros estão no cenário de médio prazo.    
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