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Porto Alegre, quinta-feira, 19 de maio de 2016. Atualizado às 19h48.

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Artes cênicas

Notícia da edição impressa de 20/05/2016. Alterada em 19/05 às 16h06min

Peça Caranguejo overdrive estreia no Palco Giratório Sesc

Caranguejo overdrive tem como base livro de Josué de Castro e o movimento manguebeat

Caranguejo overdrive tem como base livro de Josué de Castro e o movimento manguebeat


JOÃO JULIO MELLO/DIVULGAÇÃO/JC
Michele Rolim
Peça premiada e cercada de expectativas, Caranguejo overdrive, d'Aquela Companhia de Teatro com direção de Marco André Nunes, chega ao Festival Palco Giratório. A montagem experimental foi produzida com orçamento modesto e tornou-se a maior surpresa da cena carioca. O espetáculo ocorre sábado e domingo, às 20h, na Sala Álvaro Moreyra (Érico Veríssimo, 307).
O ponto inicial é a inspiração no livro Homens e Caranguejos, publicado em 1967 pelo escritor pernambucano Josué de Castro, que também serviu de base para o movimento manguebeat, do músico Chico Science, na década de 1990. "Josué de Castro é o primeiro pensador brasileiro a desnaturalizar a questão da fome. Antes se falava que ela acontecia por um certo determinismo geográfico - ele vai dizer que ela é um fenômeno social de concentração de riqueza", explica o dramaturgo Pedro Kosovski, enfatizando que o livro ainda é extremamente atual, já que no Brasil somente a partir dos anos 1990 houve políticas públicas que tentaram exterminar a fome.
Soma-se a isso a questão da memória: a peça é ambientada em plena Guerra do Paraguai (1864 e 1870) e foi escrita para os 450 anos do Rio de Janeiro. O espetáculo conta a história de um catador de caranguejos do Rio de Janeiro, Cosme, que é convocado para lutar na Guerra do Paraguai e ao retornar, anos depois, se depara com a construção do Canal do Mangue e as mudanças da cidade.
Em cena, estão cinco atores atuando ao redor ou dentro de uma caixa de lama e areia. "Abordamos também como as atuais disputas de territórios no Rio, em decorrência das Olimpíadas, afetam a vida das pessoas", comenta Kosovski.
O texto é apenas uma parte da peça, que ganha destaque também pela forma como é contada. As transformações passam pelos corpos dos atores. Kosovski conta que o ator Fellipe Marques fica 20 minutos imóvel em uma posição de caranguejo. A peça pretende, portanto, levar o teatro político a uma nova direção. "Ocorreu uma repolitização do teatro após junho de 2013. Entre os anos 1960 e 1970, teve um teatro político contundente. Atualmente, estamos tentando ver de que modo conseguimos ser político sem fechar em um tipo de bandeira, a questão agora é como fazer e não para que fazer", relata o dramaturgo e um dos fundadores da companhia, ao lado do diretor Marco André Nunes.
A montagem dá continuidade à pesquisa artística da Aquela Cia de Teatro, que se baseia na criação de uma dramaturgia própria e na ampliação do gênero musical - a trilha sonora é realizada ao vivo e flerta com o punk e o mangue beat. O grupo, que comemorou 10 anos, esteve em diversas ocasiões em Porto Alegre - a última delas foi ano passado apresentando o espetáculo Edypop.
No entanto, Caranguejo faz um retorno aos primeiros trabalhos do grupo feitos para uma plateia menor e, conforme Kosovski, dialogo diretamente com outro espetáculo da companhia:  Cara de cavalo , que esteve na Capital em 2014. A montagem também trabalhava a questão da memória tendo como ponto de partida a história do bandido que lhe empresta o título e o cerco policial que redundou em sua execução com mais de cem tiros em Cabo Frio, em 1964.
Caranguejo overdrive deu a  Kosovski e a Nunes todos os grandes prêmios do ano nas categorias texto e direção: Cesgranrio, Shell e APTR. Além deles, Carolina Virgüez levou o Shell e o APTR de melhor atriz por seu papel na peça. Também estão em cena Alex Nader, Eduardo Speroni e Matheus Macena. Os ingressos estão esgotados.
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