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Porto Alegre, sexta-feira, 06 de maio de 2016. Atualizado às 15h44.

Jornal do Comércio

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Jaime Cimenti

Livros

Notícia da edição impressa de 06/05/2016. Alterada em 06/05 às 15h43min

Espaço urbano na literatura brasileira atual

Do trauma à trama: o espaço urbano na literatura brasileira contemporânea (Luminara Editorial, 364 páginas, R$ 39,50), obra organizada pelos professores Ricardo Barberena, da Pucrs, e Regina Dalcastagné (UnB), reúne artigos sobre a potência do texto literário para a representação e a contribuição das geografias sociais. O volume é o segundo da série Limiar e busca, acima de tudo, promover um debate crítico acerca dos múltiplos quadrantes identitários da literatura brasileira contemporânea. O primeiro livro da série, intitulado Das luzes às soleiras: perspectivas críticas na literatura brasileira contemporânea, foi publicado em 2015 pela Luminara.
Além dos professores organizadores, o livro é composto por 10 textos de pesquisadores nacionais e internacionais: Luciene Azevedo (UFBA); Sophia Beal (Universidade de Minnesota); Milton Colonetti (Pucrs); Luciana Paiva Coronel (Furg); Ângela Maris Dias (UFF); Alexandre Faria (UFF); Friedrich Frosch (Universidade de Viena); Jeremy Lehnen (Universidade do Novo México); Lucia Tennina (Universidade de Buenos Aires) e Lúcia Osana Zolin (UEM).
Os temas abordados são diversos, como literatura marginal, autobiografia e migração, crise de masculinidade, autoria feminina, escrita do cárcere, representatividade das vozes de mulheres na periferia, o espaço urbano de Brasília, o deslocamento como estratégia narrativa e reflexo de instabilidade do sujeito, os atores políticos em jogo na definição do sistema literário.
Dentro dessa diversidade temática, corresponde uma mesma preocupação estética e crítica com a potência do texto. Segundo o professor Barberena: "Refletir sobre os traumas de hoje é pensar sobre os traumas do transitar". Assim, problematizar o espaço urbano na literatura contemporânea é questionar a própria noção de espaço - do local ao global, passando pelo nacional. Como os recursos estéticos da forma literária dão vazão a estes fenômenos, de mobilidade, trânsito etc? Cada um dos artigos do livro caminha pelo espaço urbano da literatura, e este caminho, sempre é bom lembrar, vai se construindo justamente à medida que caminhamos.
Traumas e tramas: entre paus de selfie e paus de arara; Colocar-se em palavras: memórias de um percurso íntimo; Machos em crise? A masculinidade nos romances de Daniel Galera; Afeto, escrita e corpo na produção feminina das periferias de São Paulo; Identidades deslocadas: representações femininas na ficção escrita por mulheres; Estruturas narrativas nas obras de Carlos Sussekind; A prisão como espaço fundador em Memórias de um sobrevivente; e Espaço e invenção em Brasília: textos culturais de 2009 a 2014 são os títulos de alguns textos da abrangente, densa e profunda obra.

Lançamentos

  • Os baobás do fim do mundo (Après-Coup - Escola de Poesia 2015), de Marília Kosby, antropóloga estudiosa da presença negra no Estado, poeta desde 2008 e autora de três livros de poesia, apresenta poemas que, segundo Edgar Rodrigues Barbosa Neto, são "a voz do índio dentro da voz do negro".
  • O jogo dos tesouros (Edelbra, 96 páginas), da escritora e tradutora Heloisa Prieto, com ilustrações de Jan Limpens, ficção infantojuvenil, traz Marinês, adolescente envolvida com bullying, popularidade e disputa de jogos na escola. Num domingo, a avó dá a ela mapas guardados pelo avô.
  • Esse bendito fecho-éclair e outras histórias (Paixão Editores, 280 páginas), do advogado, professor e escritor Ademir Fernandes Gonçalves, criador do blog www.porlinhastortas.com.br, tem centenas de textos ágeis e bem-humorados, com variados temas e fotografias.

Maria Gorete de Brito Lyra, uma mãe brasileira

Dia das Mães, hora de homenagear todas, desde Eva até alguma mãe anônima que está dando à luz neste segundo, colocando uma vida nova no planeta, para, quem sabe, melhorá-lo. Pele de bebê é cheia de esperança, como folha branca de velho caderno novo escolar ou tela em branco de computador.
Podia falar da história do Dia das Mães, das diferenças entre as mães de milênios atrás e as de agora e projetar alguma coisa sobre as mães do futuro. Sim, vamos sempre esperar que exista futuro!
Podia falar em Maria, mãe de Jesus, Maria da Penha, também, ou da Maria Maria, da música imortal do Milton Nascimento. Mas em homenagem a todas as mães do Brasil, falo de uma que não conheço muito, nem pessoalmente: Maria Gorete de Brito Lyra. O nome parece de senhora de sociedade, mas não é. Ela é uma senhora negra, pobre, foi favelada, é mulher de ex-presidiário e, com muito amor, dedicação e trabalho, conseguiu formar seu filho em Jornalismo.
Ele é o famoso Eduardo Lyra, 27 anos, palestrante, autor do best-seller Jovens falcões, roteirista de Na quebrada, fundador do Instituto Gerando Falcões (em três anos, inspiração para 300 mil por meio da arte e da literatura); um dos 15 jovens brasileiros que podem mudar o mundo, segundo o Fórum Social Econômico, um dos 30 jovens mais influentes que podem mudar o mundo, segundo a Forbes, e Palestrante Nota 10, segundo a Veja.
Maria Gorete disse ao filho que, até os nove meses, teve como berço uma banheira azul e que morava num barraco de chão batido em uma favela de Guarulhos (SP): "Filho, não importa de onde você vem, importa para onde você vai". Gorete ia visitar o marido no presídio com Eduardo e disse a ele que não se casaria com outro, que esperaria as coisas melhorarem. O pai de Eduardo, há 20 anos, é egresso e retornou à vida normal. Tinha sido, antes da passagem pela vida criminal, atleta do Corinthians.
Maria Gorete, uma mãe brasileira como muitas, deu ao filho educação, motivação para estudar, ânimo para ir atrás dos sonhos, um ótimo exemplo. Quando o professor da faculdade de Jornalismo falou que Eduardo não levava jeito, que não sabia escrever, Gorete quase foi lá dar uns tapas no cara. Ela sempre acreditou no filho. Ele acreditou nela, acredita nos jovens da periferia, no Brasil, acredita que é possível sair da favela para o mundo, andar pelos caminhos do bem e chegar lá. Dona Maria Gorete simboliza o que temos de melhor: o Brasil que a gente quer, que a gente ama, gosta e precisa.
Dona Maria Gorete, a senhora não criou um falcão para si. Criou para o Brasil e o mundo. Deus lhe abençoe, siga lhe iluminando, junto com todas as mães brasileiras e do mundo, junto com todas as Marias Marias dessa Terra de Santa Cruz, que, se depender de pessoas como a senhora, tem jeito, sim.

A propósito...

História de mãe. Se não for verdade, leia como piada: dizem que Leonid Brezhnev, então premier soviético, convidou a mãe, agricultora residente no interior, para visitá-lo. O motorista buscou-a na estação de trem com o Lincoln Continental (presente do Nixon?), levou-a ao Palácio do Kremlim, restaurante, apartamento em Moscou etc. Domingo de tarde, ela disse: tenho que voltar para a chácara, cuidar das galinhas e dos canteiros. Leonid perguntou: Mãe, que tu achou de tudo isso? Ela: Querido, sempre foste inteligente, trabalhador, não poderia imaginar tanto sucesso. Mas, amado, não tens medo que venha o comunismo e te tire todas essas coisas? Fico preocupada...
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