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Armazenagem Notícia da edição impressa de 28/04/2016. Alterada em 27/04 às 20h00min

Self storage se torna uma alternativa para operações de distribuição e de estocagem

GUARDE AQUI/DIVULGAÇÃO/JC
Guarde Aqui, de Santo Amaro, São Paulo, atua em um modelo de negócio que, durante o ano passado, movimentou cerca de R$ 200 milhões, mais do dobro do faturado em 2013

Adriana Lampert

Segmento do mercado de armazenagem que cresce com força no Brasil, o self storage está em alta, mesmo em tempos de crise. Implementados no País há pouco mais de uma década, os espaços de autoestocagem passaram a ser mais demandados justamente nos últimos dois anos. Para se ter ideia, em 2015, este modelo de negócio imobiliário movimentou cerca de R$ 200 milhões em solo brasileiro - mais que o dobro do volume de 2013.
Criado nos Estados Unidos com foco em pessoas físicas; no Brasil, o self storage tem atraído pequenas e médias empresas. "Há varejistas que utilizam estes espaços como centros de distribuição, por considerar esta uma alternativa mais barata do que a locação de galpões de armazenagem e logística", afirma o CEO da Guarde Aqui, Allan Paiotti.
Uma vantagem é que o preço da locação de um box em self storage poupa custos com segurança, água, IPTU, condomínio, portaria e energia elétrica, ressalta o empresário. Em vista disso, com o desaquecimento da economia, o volume de clientes de razão social tem crescido. Para reduzir os custos, lojistas e prestadores de serviço estão transferindo produtos, equipamentos, documentos e até móveis usados nas operações para boxes alugados, com o objetivo de otimizar outras estruturas.
O microempresário Paulo Reinaldo Ferrão, proprietário de um negócio de instalação e manutenção de vidros temperados, precisava de um local que servisse como uma espécie de almoxarifado, para armazenar equipamentos e o material utilizado em serviço. A condição era que o preço da locação fosse baixo e a logística, eficiente.
"A escolha por uma self storage foi tomada por uma questão de redução dos custos", admite Ferrão, que, até o ano passado, utilizava um espaço próprio - que foi vendido, em decisão comum com a família (que detinha parte do imóvel). "Estamos vivendo um momento de crise, e é preciso dar uma segurada nas despesas, pois não se sabe os rumos que a economia vai tomar - e o aluguel de uma sala comercial está em torno de R$ 1,5 mil mês", justifica.
Utilizando o serviço há um mês, Ferrão diz estar satisfeito: o horário de funcionamento do self storage ajuda a logística (funciona das 8h às 19h, com atendimento aos sábados, até as 15h), e o valor da locação é de R$ 330,00 mensais por 6 m2, explica ele. Uma economia de pelo menos quase quatro vezes o preço que gastaria alugando uma sala comercial, por exemplo.
"Tem um componente no segmento do self storage que é o fator conveniência", destaca o CEO da Guarde Aqui. "Os espaços são pensados para que os usuários os utilizem como se fossem uma extensão de sua casa ou de seu escritório." Paiotti argumenta que isso é o que melhor diferencia este negócio de um galpão logístico, por exemplo.
Com a queda das vendas no comércio, cai também o fluxo de caixa e, no intuito de manter a competitividade, os gestores dos mais diversos segmentos têm visto nestes espaços uma opção barata para um serviço que outrora foi o escopo das corporações. "Notamos que, sempre que há uma crise, ocorre uma readequação de estrutura nas empresas," aponta o diretor-presidente do Banrisul Armazéns Gerais (Badergs), João Simioni. "E o mercado é rápido para buscar soluções, a exemplo dos galpões de guarda de bens que disponibilizam boxes para locação por metro quadrado."
Estes galpões se assemelham aos tradicionais de logística, somando pelo 5 mil m2 de área locável. Subdivididos em pequenas unidades (boxes de 2 m2 até 50 m2), são espaços onde o acesso ao conteúdo é exclusivo do cliente. Há, no entanto, uma estrutura na zona Sul de São Paulo que é considerada o maior self storage da América Latina, somando 14 mil m2 de área locada - com boxes de até 200 m2 cada, informa o CEO da Guarde Aqui.
Uma vantagem destes espaços frente aos tradicionais galpões de logística espalhados pelo Brasil é que estes últimos estão fora do eixo central das grandes cidades, geralmente em um raio mínimo de 30 quilômetro das capitais (com fluxo de caminhões com horários restritos), enquanto as self storages, em geral, ficam mais centralizadas.

Bagergs investe R$ 700 mil em armazém para atender ao aumento da demanda


FREDY VIEIRA/JC
Simioni acredita que busca de redução de custos aumenta a procura pelos depósitos
A busca por espaços para estoque de mercadorias cresceu de forma considerável no Banrisul - Armazéns Gerais (Bagergs), em Canoas/RS, segundo o diretor-presidente da empresa, João Simioni. "Tanto é, que estamos investindo R$ 700 mil em um novo armazém para atender à demanda extra." O espaço de 1,8 mil m2 já está quase concluído. "Em 40 dias, deverá estar disponível para estocagem e logística." Atualmente, o Bagergs possui oito armazéns, de 3 mil m2 cada. Ao contrário dos self storages, a empresa não trabalha com boxes individuais para locação. De acordo com Simioni, o novo galpão ainda não finalizado já tem lista de espera para locação, por parte de todo tipo de empresas, incluindo atacado e varejo, de grande, médio e pequeno portes.
Os gestores utilizam o Bagergs para guardar coleções de roupas que serão lançadas, bens e suprimentos de lojas, estoques de brinquedos, pneus, refrigeradores de ar, secadores de cabelo, torradeiras, materiais de escritório, equipamentos e peças para as indústrias, como a automotiva. Geralmente localizados em shoppings e em regiões onde o metro quadrado é mais caro - o que pode tornar o armazenamento de mercadorias no próprio local economicamente inviável -, os lojistas já se deram conta de que podem utilizar o espaço onde antigamente seria o estoque com a inclusão de balcões de atendimento, novos provadores ou corredores de circulação dos clientes.
"Uma locação de prédio para guardar estoques custa mais caro, pois, além de aluguel, é preciso manter mão de obra para controle e segurança, fora os gastos com energia elétrica, entre outros", defende Simioni. Ele acredita que o aumento na procura por estocagem se deve ao fato de as empresas estarem buscando "se livrar" de aluguel mensal, preferindo armazéns ou self storages para guardar as mercadorias.
O Bagergs estoca produtos para 283 varejistas e indústrias. "Algumas são nossos clientes há 20 anos", destaca Simioni. "Mas há bastante rotatividade também." O executivo frisa que o local não estoca grãos nem sementes, mas recebe insumos para agricultura, em geral equipamentos e produtos exportados para colheita. "São itens de empresas que fabricam tratores, colheitadeiras e máquinas agrícolas, que ficam ali até a hora de seguirem para a linha de produção", especifica.
Assim como os self storages, os armazéns do Bagergs são utilizados para a consolidação de cargas em processos de comércio exterior (importação e exportação) ou para a distribuição de produtos em determinadas regiões fora das capitais. Mas o diretor-presidente da empresa lembra que, nos últimos meses, houve queda de importações e aumento no volume de bens exportados. "Ainda é muito recente, mas a redução de importação está em torno de 50%, enquanto que e a exportação cresceu pouco mais de 20%. Estes índices são calculados por um felling que temos de volume de movimentação de cargas, empilhadeiras e mercadorias diárias."

Mais da metade dos clientes de serviços de autoestocagem é formada por empresas

Quando se trata de áreas menores que as dos galpões de armazenagem tradicionais, o self storage preenche uma lacuna que existia até a pouco tempo no Brasil, uma vez que galpões logísticos são mais amplos e ainda exigem contratos de no mínimo dois anos. "Este é um modelo diferente. Ninguém aluga somente 4m2 de um galpão de logística, por exemplo", destaca Allan Paiotti. Outra vantagem em relação aos grandes armazéns é que, após alugar um box de self storage, o cliente não precisa mais falar com ninguém para acessá-lo, basta usar uma senha digitada na entrada das unidades.
"Temos um sistema de monitoramento que desliga o alarme do box, monitora a pessoa andando pela estrutura e, na saída do locatário, aciona novamente o alarme", descreve o CEO da Guarde Aqui. Atualmente, a empresa tem nas pessoas jurídicas bem mais que a metade do total da cartela de clientes. "O self storage se tornou uma solução de logística e de armazenagem de estoques, arquivo morto, documentos, equipamentos e mobílias. A maior vantagem logística destes espaços é que estamos sempre dentro de áreas nobres das grandes cidades", reforça Paiotti.
Os contratos do self storage são mensais e podem ser adequados conforme o tamanho do estoque a ser armazenado - à medida que o estoque diminui, a mensalidade fica mais barata. "Assim, não se paga por um espaço ocioso." Em Porto Alegre, a Guarde Tudo é procurada para estocagem de roupas, calçados, computadores e equipamentos de informática. Geralmente, os contratos são de seis meses a um ano, mas há planos mensais. O espaço possui mais de 110 boxes de vários tamanhos, com um limite máximo de 18 m2. No valor da locação, está prevista segurança, climatização e portaria 24h, entre outros.

Estruturas também servem para guarda de documentos e de arquivos mortos


MARCELO G. RIBEIRO/JC
Alves oferece local especial, com circulação de ar e câmeras, para depósito de papéis
As empresas de logística têm suprido uma demanda do mercado que vai além da estocagem e armazenamento de materiais. Cada vez mais, estes espaços estão servindo também para guardar documentos, atuando como verdadeiros depósitos. No Armazéns Gerais, por exemplo, atualmente cinco empresas mantêm toda sua documentação arquivada em boxes da estrutura mantida pelo Banrisul.
"Neste caso, também tivemos um incremento de serviços. Não temos isso medido, mas a procura aumentou e, nos últimos 60 dias, fechamos contratos com cerca de quatro novas empresas, sendo que outras possuem expectativas de guarda de documentos conosco", afirma o diretor-presidente, João Simioni.
Enquanto varejo e indústria amargam queda de vendas, o setor self storage lucra com o armazenamento de documentos das empresas destes dois ramos. Nos últimos meses, os galpões que alugam boxes para armazenar produtos têm expandido também em número de unidades. A Guarde Aqui ampliou em 38% sua área locada em 2015, com concentração de procura nos últimos meses. A GoodStorage viu a busca por espaço crescer 150% e a Guarde Tudo tem crescido a cada dia, segundo o diretor executivo da empresa, Marcelo Jerabek Alves.
Ele garante inclusive que aumentou a procura de pequenas e médias empresas que, em busca de reduzir custos, estão diminuindo de tamanho. "Na mudança, os gestores optam por usar o espaço que temos para locação para guardar documentos e arquivo morto." Alves tem local apropriado para esta demanda: há boa circulação de ar e câmeras internas, temos código de acesso dos portões, portaria 24h, e ainda oferecemos um seguro dos bens, cuja taxa é bastante econômica (R$ 16,00 mensais)."
O diretor executivo da Guarde Tudo destaca que a localização da empresa (na avenida Sertório, em Porto Alegre, com acesso rápido à freeway, Centro e avenida Assis Brasil) é um dos atrativos para o uso dos espaços. "Muitos profissionais utilizam nossos boxes como depósito para guardar material de trabalho. Desde que inauguramos, em outubro de 2015, foi uma surpresa a procura, pois não sabíamos se conseguiríamos prosperar devido à crise", afirma Alves.
O executivo, que trabalha em outros negócios do ramo imobiliário, faz um comparativo com os outros produtos que oferece neste mercado: "Ao contrário do self storage, a busca por espaços comerciais está caindo", garante. Atualmente, a empresa já conta com 50 clientes, sendo que, destes, 20% são lojistas. "Acreditamos que a demanda ainda vai aumentar por parte de pessoas jurídicas, que buscam o serviço para guardar arquivo morto, e também para estocagem do e-commerce, uma vez que os grandes depósitos estão muito caros."
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