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Com a Palavra Notícia da edição impressa de 25/04/2016. Alterada em 24/04 às 21h53min

Argentina e produção para Foton irrigam lavoura da Agrale

AGRALE/DIVULGAÇÃO/JC
Empresas e Negócios Agrale Hugo Zattera Divulgação Agrale

Patrícia Comunello

Diante de quedas estrondosas do mercado de veículos, o presidente da gaúcha Agrale, Hugo Zattera, tem um objetivo: sobreviver à crise. O próprio Zattera previne que não há muita mágica em driblar os momentos difíceis da economia, senão investir em novas linhas, abrir mercados externos e evitar demissões. A quem não entendeu o peso da empreitada, o executivo lembra a resposta de um ancião sobre o segredo de chegar aos 95 anos. "Ele pensou um instante e disse: 'O importante é não morrer'." Aos 75 anos, Zattera, genro do fundador da Agrale Francisco Stedile, aponta que a expertise do grupo garantiu o acordo para montar caminhões chineses da Foton Aumark do Brasil, que exigirá mais mão de obra. Da Argentina, dor de cabeça de 10 em 10 industriais em anos recentes, vem recordes de vendas. Com essas boas notícias, Zattera espera reverter a receita em queda. Depois de faturar R$ 1,26 bilhão em 2013, a Agrale fechou 2014 em R$ 1,1 bilhão e 2015, em R$ 920 milhões.
JC Empresas & Negócios - Como está o nível de uso da capacidade fabril?
Hugo Zattera - Seguimos o mercado nacional, que é decrescente em tudo e pelo segundo ano consecutivo, efeito de algumas políticas talvez equivocadas, dificuldades de financiamento e falta de confiança dos agentes para investir no longo prazo. O resultado é a queda significativa na demanda. Estamos usando um pouco mais de 50% da capacidade instalada, com um dia a menos na jornada semanal de trabalho, após acordo com o sindicato dos metalúrgicos e que evita reduzir o quadro. Hoje, temos 1.395 funcionários, 1.275 deles em Caxias e 110 na Argentina. Há dois anos tínhamos 2,2 mil empregados. Mas as empresas têm de sobreviver à crise. Lembro da entrevista com um velhinho que completava 95 anos, e a repórter perguntou qual era o segredo para chegar aquela idade. Ele pensou um pouco e respondeu: "O importante é não morrer". (risos).
Empresas & Negócios - E a produção?
Zattera - Três quartos do nosso faturamento, que tinha queda prevista de 16% em 2015 ficando em R$ 920 milhões, estão em veículos, onde fabricamos chassis de ônibus (a Agrale é a terceira do País) - 40% a 50% da receita total, e tem ainda caminhões e as versões militares. Hoje, somos líderes na área leve e o segundo na Argentina. Outros 15% a 20% são tratores, que é a origem da empresa. Em veículos, a demanda cai mais que o setor agrícola e mesmo nesta há número bem interessantes: a venda de tratores caiu 46% em janeiro e fevereiro deste ano sobre o mesmo período de 2015, que já havia registrado recuo de 33% frente a 2014. Em caminhões, a queda foi de 35,5% sobre o ano passado, que foi uma tragédia (-40%) e ônibus, -49%.
Empresas & Negócios - O que foi firmado com a Foton?
Zattera - Vamos montar os caminhões, usando uma expertise de mais de 30 anos. Já tivemos um acordo semelhante com a Navistar, entre 1998 até 2014, quando montamos milhares de produtos, a maioria para o mercado externo. O acordo deve durar até dois anos inicialmente, pois dependerá do ritmo de construção da fábrica em Guaíba. A Foton nos conhece bem, já fizemos mais de 100 mil veículos, além do que foi para a Navistar. É um contrato que, com a produção em baixa, permite melhorar o aproveitamento dos nossos ativos.
Empresas & Negócios - O acordo com a Foton é sobrevida?
Zattera - Não chega a ser isso, porque não é tão importante ao faturamento, mas acresce. O fato é que essa crise era previsível e a conta vinha mais cedo ou mais tarde. Tomamos medidas, evitamos substituir quem saísse, buscamos produtividade. Nunca deixamos de pensar em desenvolvimento de produtos. Em 2015, lançamos três modelos de tratores e uma nova família de caminhões. O negócio é trabalhar muito, pois chorar na crise não resolve. Nossas vendas na Argentina, por exemplo, bateram recorde no ano passado, chegamos a US$ 100 milhões, ante US$ 68 milhões de 2014. O país está tomando seu rumo agora com o presidente Mauricio Macri. No Exterior, entregamos 500 tratores ao Zimbábue e 200 Marruá, um veículo militar, para mais países africanos. Vamos erguer uma nova fábrica no Espírito Santo, onde fornecemos para a Marcopolo e já operamos em uma área arrendada. A unidade lá resolverá o custo logístico e envolve investimento de R$ 40 milhões.
Empresas & Negócios - Precisará contratar para produzir os caminhões chineses?
Zattera - Começamos usando nosso quadro, quando normalizar o volume vamos admitir. A partir de setembro e outubro, contrataremos cerca de 60 pessoas na montagem, que começa em setembro. Nesta fase inicial, temos testes e a pré-série dos modelos, o que é normal. Quem começa um projeto desses é porque calculou e tem expectativas, pois as crises, como as coisas boas, um dia terminam. Se olhar o mercado potencial do Brasil e exportações, é muito grande. A marca já vende importados e tem o prazo para a obra, de um ano e meio a dois anos. Se depois disso o mercado não melhorar, não vai ter mais indústria automotiva no Brasil. Posso estar exagerando um pouco, mas essa é a verdade.
Empresas & Negócios - A montadora pode optar por Caxias em vez de Guaíba?
Zattera - A cidade não pode sofrer o segundo baque, depois da perda da fábrica da Ford na década de 1990. Acho que não há esse risco. Se a Foton quiser, é um tema, se a Agrale quiser, é outro. O projeto foi concebido para ser em Guaíba.
Empresas & Negócios - Como será ter chineses dentro da própria casa?
Zattera - Hoje é tudo muito igual. Estamos vivendo um processo de desindustrialização e desnacionalização. Há 20 anos, a indústria nacional respondia por 28% a 30% do Produto Interno Bruto (PIB), hoje são 12%. Muito do que sobrou não é brasileiro. A concorrência chinesa é importante, tem outros custos, mesmo se dizendo comunistas, não seguem a sanha de arrecadação do governo federal. E competimos com essa gente de fora, o que é desleal. O Inovar-Auto, que atraiu esses fabricantes para cá, equiparará esses custos, mas não adianta sermos mais competitivos apenas internamente, precisamos ser no mundo.


COMENTÁRIOS
Cladir Bono - 25/04/2016 11h20min
Parabenizamos o Zattera por pensar empreendedorismo, palavra que pouco se ouviu falar nos últimos anos.

Cladir Bono - 25/04/2016 11h18min
Parabenizamos o Zattera por pensar empreendedorismo, palavra que pouco se ouviu falar nos últimos anos

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