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Conjuntura Notícia da edição impressa de 09/03/2016. Alterada em 08/03 às 20h49min

Empresas lutam contra queda do consumo

VAGNER RIBAS/ESPECIAL/JC
Mais importante é atitude para enfrentar a crise, diz Carlos Peres

Adriana Lampert

Rever custos e alinhar a estrutura operacional a uma demanda mais tímida virou rotina para empresários gaúchos de diversos ramos, afetados por questões como as de ordem tributária e dificuldades nos balanços e resultados de 2015. Impactadas pela queda do consumo, que chegou ao patamar de 40% a 50% em alguns setores, as empresas enfrentam agora o desafio de se reinventar. "Este é um momento de dificuldades para as companhias de todos os portes, de uma forma geral, e em todo o País", afirma o sócio-proprietário da consultoria e auditoria PWC Região Sul, Carlos Peres. Ele destaca o cenário econômico pós-queda de mais de 3% do PIB no ano passado, reforçado pelas previsões de manutenção de um fraco desempenho em 2016 e sinais de uma "leve" retomada em 2017.
O diretor-geral da PPG Tintas Renner, Fabiano Balieiro, destaca que a forte competitividade do cenário atual fez com que a empresas se "voltasse para dentro" a fim de revisitar toda parte estratégica, escolhendo e priorizando determinados investimentos. "Em particular - considerando o prognóstico de não crescimento da economia - buscando avançar na participação de mercado, sendo cada vez mais eficientes, inovando na forma de gerir, e mudando até mesmo nossa forma de atuação", afirma Balieiro.
Também a PWC tem atuado na busca de soluções a fim de que seus clientes sobrevivam ao "momento turbulento que se vive atualmente no Brasil", considerando a conjuntura política, que tem interferido nos negócios das empresas, ressalta o proprietário da companhia. Peres destaca que, mesmo que tenha ocorrido elevação dos preços dos produtos após o aumento dos insumos, como energia e petróleo, ainda há uma pressão inflacionária ligada a custos de mão de obra.
"O Brasil está amarrado nas questões relacionadas a dissídios, o que atrapalha os movimentos das empresas, que precisam repassar o aumento da mão de obra nos preços para os consumidores, em um mercado não demandante", diz Peres. O resultado, segundo o consultor, é a piora da taxa de desemprego, uma vez que as empresas optam por reduzir custos, cortando mão de obra - o que consequentemente afeta ainda mais a queda do consumo. "Precisamos sair deste ciclo perverso, para poder trabalhar novamente com níveis baixos de inflação e de repasse nos custos, para aquecer a demanda."
"O entrave do impeachment ou não da presidente, as revelações da Operação Lava Jato, e as acusações envolvendo o presidente da Câmara, acabam trazendo um grau de incerteza para os investidores e para os empreendedores", afirma Peres. Ele avalia que enquanto não houver sinais mais claros de desfechos na esfera política, a economia "irá continuar patinando". No entanto, o consultor acredita que existem boas oportunidades de investimento a médio e longo prazo, em vista de que alguns ativos tiveram depreciação nos seus preços (principalmente em dólar). "Nossa área de fusões e aquisições é a que está mais demandada na PWC neste momento, o que demonstra que o mercado está atento a estas oportunidades, olhando para o que pode ser estratégico para as empresas."
Para Balieiro, o mais importante neste momento é a atitude com que a empresa enfrenta cenários de crise. "Recomendo olhar como oportunidade, ao invés de se lamentar." No entanto, ele admite que para os objetivos de qualquer empresa que quer crescer de forma acelerada, a inflação em 10% e o PIB ainda em queda (segundo o IBGE, a retração em 2016 deve ser de 3,50%), tem afetado o humor e a expectativa tanto de empresários quanto de consumidores. "O cenário atual tem segurado a ânsia de desenvolvimento dos empreendedores, o que afeta diretamente a perspectiva e o otimismo da venda. O desafio para as companhias agora é se reinventar."
 

Marketing e comunicação de marca deve ajudar Tintas Renner a crescer 8% em faturamento


Injetar recursos em marketing e comunicação de marca é uma das estratégias da PPG Tintas Renner para 2016, quando o faturamento da empresa deve crescer entre 7% e 8%. "Temos feito um trabalho forte na recuperação dos valores fundamentais da marca", destaca o diretor-geral da companhia, Fabiano Balieiro. "No ano passado, tivemos projetos bastante importantes junto a pintores, arquitetos e outros grupos de influenciadores, o que nos ajudou com ações promocionais."
Na visão de Balieiro, nem mesmo a atual conjuntura pode interferir nos investimentos das empresas brasileiras. "Não se pode parar - ainda que seja necessário revisar a ordem de grandeza destes investimentos e entender aqueles que são de impacto de curto, médio e longo prazo", pondera. O gestor aponta para a necessidade de se fazer escolhas, sem que isso seja uma "desculpa para simplesmente deixar de investir". "A inflação reflete de forma muito direta nos custos da empresa, o que nos força buscar outros elementos de produtividade, seja de desenvolvimento de produtos ou de negociações com nossos fornecedores, e a cadeia acaba se ressentindo deste desafio como um todo."
Enfrentar cenários de crise olhando isso como oportunidade, em vez de se lamentar, tem sido a estratégia da PPG Tintas Renner, garante o empresário. Segundo Balieiro, o investimento em determinadas áreas é fundamental para continuar aspirando uma "continuidade e sustentabilidade" nos resultados. Otimizar recursos, investir em tecnologia e buscar alternativas para atendimento diferenciado também é a estratégia da Óptica Foernges, que atenta para o "momento de conquistar" novos clientes. "Esta é a hora, porque infelizmente algumas empresas estão saindo do mercado." Porém o aumento do preço dos produtos em vista do dólar alto tem sido uma desvantagem, sinaliza o diretor comercial da empresa, Guilherme Foernges. "Um fato positivo é que o consumo no mercado interno aumentou, apesar dos reajustes."
Pontuar os problemas que inviabilizam o desenvolvimento das empresas, "esquecendo a crise", para agir com maior segurança são os caminhos apontados pelo vice-presidente institucional do Sindilojas-Porto Alegre, Ronaldo Sielichow. "Em tempo de turbulências políticas e fragilização econômica, não podemos perder o foco, fazendo cada vez mais da crise uma oportunidade", concorda o diretor-presidente da Cooperativa Piá, Gilberto Kny. Continuar desenvolvendo produtos, capacitando pessoas e buscando eficiência máxima, avaliando as tendências e a capacidade orçamentária adequadas de cada classe econômica de consumidores. "Não se pode deixar de investir em inovações, desenvolvimento, tecnologia, material humano e atendimento do cliente."
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