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Sustentabilidade Notícia da edição impressa de 10/03/2016. Alterada em 09/03 às 19h24min

Abastecer carro com combustível alternativo começa a virar realidade

JOÃO MATTOS/JC
Projeto-piloto de Montenegro foi instalado em 2012 para reciclagem de dejetos de granja avícola e de rejeitos cítricos de uma cooperativa

Motoristas brasileiros começam a ter a chance de escolher mais um tipo de combustível ao abastecer: o biometano, produto renovável feito da purificação do biogás, que pode ser extraído da degradação de materiais orgânicos como resíduos agrícolas e dejetos de animais. Ainda usado com mais frequência no País para energia elétrica e térmica, o biogás agora se volta ao abastecimento de frotas veiculares, para substituir o diesel. Pode ser usado em qualquer veículo adaptado para ser movido a gás, como o GNV comum.
Embora também seja menos poluente que o diesel, o GNV convencional, mais conhecido atualmente, não tem origem renovável. Empresários do setor do biogás começam a abrir postos para abastecer frotas particulares com biometano. Pelo menos três empreendimentos já estão em operação. Segundo a ANP (agência nacional do petróleo), um posto só precisa ter autorização para vender GNV e automaticamente também pode abastecer com biometano. Há 1.693 postos autorizados.
A fundação Parque Tecnológico de Itaipu, em Foz do Iguaçu, tem hoje um projeto desenvolvido pelo CIBiogás (Centro Internacional de Biogás) que abastece mais de 40 veículos da Itaipu Binacional. Neste ano, a meta da hidrelétrica binacional é mais que dobrar a capacidade. Com biometano produzido em uma granja com mais de 80 mil aves, o posto também atende veículos leves de pessoas físicas cadastradas.
"O biometano usado na mobilidade reduz a dependência de combustível fóssil, a poluição e a carga de dejetos de animais", destaca Marcelo de Sousa, gerente do CIBiogás. Ele estima que em quatro anos o gás será vendido em postos no interior do País, sem demandar infraestrutura específica e construção de gasodutos, pois pode ser transportado em cilindros.
O primeiro caminhão de coleta de lixo convertido para operar com biometano começou a rodar neste mês no Rio de Janeiro. O combustível que o movimenta é produzido na usina do Aterro Sanitário Dois Arcos, em São Pedro da Aldeia (Rio de Janeiro). "Queremos replicar para 40 caminhões em três anos. Nos Estados Unidos, a conversão de frotas de lixo de diesel para gás é crescente", afirma André Lima, diretor da GNR Dois Arcos.
Diferentemente do biometano gerado a partir de rejeitos agrícolas e pastoris, o gás derivado do lixo urbano ainda não pode abastecer veículos de terceiros, apenas a própria frota, devido à regulação vigente. O pioneiro desse processo todo foi um projeto iniciado há cerca de três anos pela cooperativa de citricultores Ecocitrus e pela empresa de alimentos Naturovos, com apoio da Sulgás (Companhia de Gás do Estado do Rio Grande do Sul). Além de carros das frotas das duas empresas, pessoas físicas ligadas aos parceiros do projeto também abastecem seus veículos com o gás.
A tendência de utilização de biometano se repete na cadeia automotiva. Em abril, a Scania, que também participa do projeto de Itaipu, passa a produzir o chassi do ônibus biometano/GNV na fábrica de São Bernardo (SP). A montadora já fez oito demonstrações para governos e instituições privadas de um ônibus movido a gás. "Quebrar o paradigma do diesel não é fácil. Há as opções do elétrico e do híbrido, mas ambas são mais caras do que o gás. O projeto do biometano não requer subsídio nenhum", garante Silvio Munhoz, diretor da Scania. Em um teste realizado pela Scania, o custo por quilômetro rodado do biometano ficou em R$ 0,89, enquanto o do diesel saiu por R$ 1,26.
A planta-piloto de biometano, localizada junto à Usina de Compostagem da Ecocitrus, no município de Montenegro, inciou com a capacidade para produzir 5mil m3/dia de biogás e com a possibilidade de expandir para 20mil m3/dia. A operação foi iniciada em 2012 por meio do Consórcio Verde Brasil, união da Ecocitrus com a Naturovos para a geração de um gás inteiramente natural e renovável, o GNVerde.
O GNVerde contém 96% de metano, índice que o equipara ao similar importado da Bolívia, podendo ser utilizado para a geração de energia elétrica, energia térmica e para o abastecimento de veículos, entre outras aplicações. A Companhia de Gás do Estado do Rio Grande do Sul - Sulgás é responsável pela distribuição e comercialização do GNVerde no Estado

Importação de veículos elétricos e a hidrogênio tiveram o imposto zerado


DANIEL GUIMARÃES/GOVERNO DE SÃO PAULO/JC
Primeira frota de ônibus a hidrogênio foi introduzida pela Emtu SP, da Secretaria dos Transportes de São Paulo
Desde outubro do ano passado, os carros movidos a eletricidade ou hidrogênio tiveram o imposto de importação zerado pelo governo. Até então, os automóveis movidos com esses combustíveis tinham alíquota de 35%. A resolução foi publicada pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) no Diário Oficial da União. A medida entrou em vigor imediatamente e exige que os carros tenham autonomia de pelo menos 80 quilômetros com uma carga. Serão beneficiadas unidades importadas, desmontadas ou semidesmontadas.
Os modelos híbridos, que trabalham com propulsor elétrico aliado a outro tradicional a combustão, continuarão com alíquota entre zero e 7%, dependendo da cilindrada e da eficiência energética. A Camex já havia reduzido o tributo dos veículos híbridos sem tecnologia de recarga externa (com motor a combustão) em setembro de 2014. A novidade foi a ampliação para os híbridos com recarga na tomada. Os modelos híbridos com incentivo fiscal podem levar até 6 pessoas e não podem ultrapassar 3.0 litros do motor a combustão.
Poucos exemplares estão disponíveis no mercado brasileiro, mas a decisão abre caminho para que outros desembarquem por aqui, com fabricação local ou não. Os carros "verdes" emitem pouquíssima ou nenhum poluente na atmosfera, em comparação com os movidos a gasolina ou diesel, mas o preço alto de aquisição ainda é a maior barreira para a popularização.
Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico, o País conta com cerca de 3 mil veículos elétricos e híbridos. A frota total do País era de 89,7 milhões de veículos em setembro passado, segundo o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). Atualmente, apenas um modelo de carro elétrico, o compacto BMW i3, é comercializado no País.
Há 5 modelos de carros híbridos: o sedã Ford Susion Hybrid, o hatch Toyota Prius, o Lexus CT200, o Mitsubishi Outlander PHEV e o esportivo BMW i8. A notícia de isenção foi recebida de forma positiva pela Toyota às vésperas do Salão de Tóquio, onde a montadora apresentou a nova geração do híbrido Prius, o mais "barato" dos carros "verdes" no Brasil. "Neste ano, mesmo com a crise, vamos vender mais (híbridos e elétricos) do que no ano passado. Esperamos passar a marca de 1 mil", diz Ricardo Bastos, gerente-geral de Relações Públicas e Assuntos Governamentais da marca no País. O volume é irrisório comparado com a frota do País.
A recente alta do dólar também prejudica o aumento dos emplacamentos, já que os poucos modelos "verdes" à venda no Brasil são importados. "Tentamos segurar o preço ao máximo. (O Prius) Está em R$ 116 mil, já foi
R$ 110 mil (há 1 ano). Ainda estamos perdendo (dinheiro, com a importação do modelo)", afirma Bastos. "A ideia é, em algum momento, empatar (custos e ganhos)." A resolução publicada engloba veículos impulsionados por hidrogênio, que, por enquanto, só existem no Japão. Estes modelos funcionam com eletricidade gerada ao misturar combustível de hidrôgenio e o oxigênio do ar. O resultado da reação é apenas vapor de água e calor.

Para AIE, a demanda por gasolina no Brasil deve cair nos próximos seis anos


CRISTINA ÍNDIO DO BRASIL/ABR/JC
Diretor da ANP Waldyr Barroso e o superintendente adjunto de Abastecimento, Rubens Freitas, apresentam relatório sobre o consumo
O crescimento da demanda por gasolina no Brasil vai desacelerar nos próximos seis anos, prevê relatório da Agência Internacional de Energia (AIE). Segundo o documento, de 6,3% ao ano no período anterior de seis anos, a alta da demanda ficará em 1% ao ano entre 2015 e 2021. De acordo com a AIE, o crescimento mais lento da frota de veículos e a estimativa de ganho de eficiência de aproximadamente 2% ao ano são as causas da retração.
O relatório da agência destaca que os biocombustíveis desempenham papel de crescente importância na demanda brasileira, com tendência a aumentar. Diz o documento: "em 2015, por exemplo, o consumo de etanol hidratado aumentou cerca de 40% devido a aumentos de taxas federais para os não biocombustíveis, o que, complementado por mudanças favoráveis na taxação regional em alguns estados, aumentou a competitividade com a gasolina".
As vendas de gasolina no País se retraíram 9,2% em 2015 ante o ano anterior, confirmou o balanço anual apresentado na semana passada pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP). Acompanhando o fraco desempenho da economia, o consumo de diesel também recuou, 4,7%. Apenas o consumo de etanol cresceu no País, na faixa de 37,5%, como alternativa para o consumidor frente à elevação do preço dos combustíveis.
"O encolhimento não é tão ruim assim. Se fizer comparação com o emplacamento de veículos, que caiu mais de 27%, vemos que não foi tão ruim", ponderou Rubens Freitas, superintendente adjunto de Abastecimento da agência reguladora. Segundo ele, o setor tem rápida resposta diante da retomada do crescimento e da distribuição de renda. "Qualquer R$ 200,00 que coloquemos na renda das classes C e D, isso vai se repercutir na demanda por combustíveis", avaliou. De acordo com os dados da ANP, a produção de gasolina no País caiu no último ano, como reação da Petrobras à queda na demanda.
Houve um déficit de 30 mil barris por dia na balança comercial do combustível. Em volumes, houve uma alta de 1% no total importado, associada a uma menor produção da Petrobras. "A Petrobras deixou de produzir o equivalente a 3 bilhões de litros. Ela vinha, ao longo dos últimos anos, aumentando sua produção de gasolina A. No ano passado, optou por tirar o pé do acelerador na produção de gasolina", afirmou Freitas.
Segundo a AIE, o uso de veículos leves de passageiros com tanques do modelo flex, que podem receber mais de um tipo de combustível, está disseminado no País e já responde por mais de 90% dos registros de veículos. A agência lembra ainda que o Brasil está comprometido com a expansão do biodiesel como uma medida importante para a redução das emissões de carbono. Com base nesses fatores, a AIE ressalta que o aumento do consumo de biocombustíveis pode ser esperado no médio prazo.
O relatório da Agência Internacional de Energia considera o Brasil peça importante na produção de petróleo até 2021. Segundo o documento, o País será o segundo entre os não membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) com a maior alta na produção da commodity (bem primário com cotação internacional). A estimativa de crescimento da produção brasileira fica atrás apenas da dos Estados Unidos, estimada em 1,3 milhão de barris por dia. Com projeção de 800 mil de barris por dia, o Brasil empata com o Canadá.
Caso a estimativa se prove verdadeira, a produção do Brasil cresceria de 2,5 milhões de barris por dia para 3,4 milhões de barris por dia entre 2015 e 2021. A AIE, no entanto, chamou a atenção para a situação da Petrobras. O relatório enfatiza que a estatal "lida com um escândalo de corrupção, grandes débitos e problemas políticos e econômicos". Para a AIE, porém, "novas instalações de produção vão mais do que compensar o declínio em alguns campos produtores".
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