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entrevista especial Notícia da edição impressa de 15/02/2016. Alterada em 15/02 às 00h06min

Sartori 'é um governo de improviso', critica Juliano Roso

fotos: JONATHAN HECKLER/JC
"Quem sofre mais é o povo; não tem segurança, há um desmonte da Brigada"

Fernanda Nascimento

O deputado estadual Juliano Roso (PCdoB) é um dos estreantes na atual legislatura do Parlamento gaúcho e teve um primeiro ano de mandato intenso. Responsável pelo comando da Comissão de Ética, presidiu os trabalhos que culminaram na cassação do ex-deputado estadual Diógenes Basegio (PDT) e que podem resultar no mesmo destino para o deputado Mário Jardel (PSD).
Assíduo na tribuna da Assembleia Legislativa, Roso é um dos parlamentares de oposição mais críticos à gestão do governador José Ivo Sartori (PMDB). Nesta entrevista ao Jornal do Comércio, o parlamentar do PCdoB afirma que Sartori faz "um governo de improviso" e diz que, em mais de um ano de gestão, o chefe do Executivo não apresentou "um projeto de crescimento do Estado". Para Roso, a proposta do peemedebista é de "um programa de Estado mínimo, ataque ao funcionalismo, retirada de direitos e desmonte". O parlamentar avalia que o governo apresenta contradições que podem levar ao desembarque de partidos da base. "Talvez, possamos ter algumas defecções individuais ou de partidos do governo."
Além de criticar a gestão Sartori, o deputado também comenta o cenário político para as eleições de 2016, especialmente a indefinição na candidatura da deputada estadual Manuela d'Ávila para representar o PCdoB em Porto Alegre. "Se for candidata, será uma candidata muito forte, porque lidera todas as pesquisas e é o nome favorito para vencer as eleições. Se não for (candidata), será um elemento importantíssimo na articulação política", afirma.
Jornal do Comércio - Que avaliação é possível fazer do primeiro ano de gestão de Sartori?
Juliano Roso - A avaliação é de que este governo não tem um projeto para o Estado. É um governo que foi eleito dentro de uma estratégia de marketing, e fica claro que não havia uma programação ou preparo para assumir o Rio Grande do Sul. E, mesmo assim, eleitos em outubro, poderiam ter se preparado para apresentar algumas medidas para que o Estado possa superar a crise que vive e crescer. Mas não só se passou novembro, dezembro e janeiro, como um ano inteiro e, até hoje, não se apresentou um projeto de crescimento. Pelo contrário, as poucas medidas que vieram são de estagnação, que apontam para a retomada de um conceito de Estado que não deu certo, que foi o conceito e concretizado pelo ex-governador Antonio Britto (PMDB, 1995-1998). É um programa de Estado mínimo, ataque ao funcionalismo, retirada de direitos e desmonte. O Estado deveria ser um indutor da economia para que a produção possa crescer e a renda possa ser distribuída.
JC - Que consequências tem essa política?
Roso - Quem sofre mais é o povo. A população não tem segurança, porque há um desmonte da Brigada Militar, que não tem efetivo, combustível, viatura, armamento e munição. Quem sofre mais é o povo, porque há desmonte da saúde, sem hospitais públicos e com hospitais filantrópicos fechando, anunciando fechamento ou diminuindo serviços. Além da educação, que vive uma situação precária. Esses são os pontos centrais em que o Estado faz o povo sofrer. O funcionalismo também sofre, porque é tido como único culpado pela crise. Em vez de apresentar um programa, o governo ataca os direitos e as conquistas do funcionalismo. E é um governo que, além de atacar o funcionalismo e de fazer o povo sofrer, tem um discurso depressivo sobre o Estado, um discurso que não chama mais investimento.
JC - A oposição conseguiu barrar alguns projetos apresentados pelo Executivo, mas, de forma geral, o governo garantiu a aprovação das principais matérias que enviou para a Assembleia Legislativa. A oposição cumpriu seu papel?
Roso - A oposição cumpriu o seu papel, mas precisamos trabalhar com números e fatos. Dos 55 deputados estaduais, 20 são de oposição e 35 da base do governo. E há situações em que nem todos os 20 deputados de oposição são contra os projetos. A bancada do PTB e a bancada do PPL, na verdade, são bancadas independentes. A oposição sofre o problema concreto de não ter a maioria dos votos. Perdemos as votações importantes no ano passado, e a tendência é que de isso continue ocorrendo, a não ser que as contradições que existem entre os partidos que compõem a base e o governo apareçam mais. Não acredito, por exemplo, que a bancada do PDT concorde com tudo o que foi votado no ano passado. A bancada do PDT é uma bancada que tem compromisso com o histórico de muito que se construiu nesse Estado pelo trabalhismo. Acredito que o PDT passa por um momento de reflexão interno, se vale a pena ou não continuar compondo esse governo, que ataca o que foi construído pelo trabalhismo. A própria bancada do PP é uma bancada que tem compromisso com o setor produtivo, com a agricultura, com a indústria e com o comércio. Essa é uma bancada que também deve ter contradições internas e deve estar refletindo sobre a participação no governo. Posso elencar também a bancada do PSB, que sempre esteve em outro campo político e sofre uma contradição em estar nesse governo. Por isso, na opinião do PCdoB, essas contradições devem se tornar mais agudas, fazendo com que talvez o governo, neste ano, não tenha tanta facilidade em aprovar os seus projetos. Talvez, possamos ter algumas defecções individuais ou de partidos do governo.
JC - Por outro lado, o PTB tem mantido um diálogo e pode ingressar na base do governo. Como é que está a relação da oposição com o partido e por que ainda não foi consolidado um bloco de oposição, como na Câmara de Porto Alegre?
Roso - O PCdoB tem uma relação de muito respeito e parceria com o PTB. Inclusive, houve momentos em que o PT e o P-Sol foram para um lado, e o PCdoB e o PTB, para outro. Na votação sobre as extinções das fundações, as bancadas do PT e P-Sol optaram por sair do plenário, e o PCdoB e o PTB ficaram para denunciar e votar contra os projetos. Se existe uma discussão do PTB para entrar no governo, desconheço, e cabe ao PTB definir. O que conta atualmente é que a bancada do PTB é oposição. Claro que, em uma composição com cinco partidos (PCdoB, PT, PTB, P-Sol e PPL), cada um tem a sua maneira de fazer oposição. Muitas vezes, não estamos em votações com o P-Sol, por exemplo, que acaba se isolando e votando sozinho. Entendo que existe um acordo global dessas bancadas de votarem como oposição nas votações importantes.
JC - A oposição reclamou muito da ausência de defesa em plenário dos projetos do Executivo por parte da base. É mais complicado travar uma disputa política sem esse diálogo?
Roso - Diria que isso demonstra que existem problemas em defender os projetos do governo Sartori. Há um constrangimento de partidos e deputados da base do governo em defender os projetos que o governador envia para a Assembleia.
JC - Quais são as perspectivas em nível estadual para este ano?
Roso - Temos a percepção de que, infelizmente, esse governo não vai apresentar um plano para sair da crise. Sartori foi eleito pela ampla maioria do eleitorado e teria condições de unir o Estado e construir um projeto econômico. Nada disso foi feito. É um governo de improviso. Mais do que um governo de improviso, é um governo que vem resgatando velhas práticas que não deram certo no Estado, de privatizações, de desmonte da estrutura administrativa e de entrega de setores da economia para a iniciativa privada, fazendo disso um verdadeiro cavalo de batalha. Por isso digo que esse governo é a volta do "brittismo", porque resgata as políticas do ex-governador Antonio Britto. A previsão que estamos fazendo é de que isso continue e, inclusive, se acentue durante este ano. Também acreditamos que haja mais mobilização da sociedade gaúcha, especialmente do funcionalismo, contra essas medidas. Estamos prevendo uma agudização da questão da segurança, que deve se agravar, por conta do não aparecimento de políticas para a área. Também um agravamento da crise na área da saúde, com os hospitais filantrópicos passando por grandes dificuldades, pois aqueles que não têm uma estrutura muito bem-construída deverão, inclusive, passar por imensos problemas. Por conta disso tudo, trabalhamos com a ideia de que haverá uma maior contradição entre as forças que compõem esse governo, podendo haver defecções de parlamentares e de partidos que compõem hoje a base do governo Sartori.
JC - Que avaliação é possível fazer do trabalho da Comissão de Ética?
Roso - A Comissão de Ética tem trabalhado muito nesse período de 2015 e 2016. Temos a consciência de que todas as decisões que foram tomadas foram ancoradas sempre no princípio do diálogo, do consenso e da democracia. Nenhum deputado gostaria de participar de uma Comissão de Ética, de ter que conduzir ou julgar um colega deputado, mas é uma tarefa que alguém tem que fazer, e temos que cumprir esse rito, como fizemos com o ex-deputado Diógenes Basegio.
JC - Em alguns momentos, houve questionamentos sobre os procedimentos da Comissão de Ética. O regimento é falho nesse sentindo?
Roso - Nenhum deputado foi cassado na história da Assembleia, a não ser o deputado Basegio. E agora, há o deputado Mário Jardel, que tem sobre ele um pedido de cassação do corregedor, Marlon Santos (PDT). Portanto, é natural que se suscitem dúvidas. Mas mesmo o regimento abrindo margem para algumas discussões, temos a tranquilidade de que a comissão, dentro do seu pleno, tem deliberado de forma sempre a considerar a opinião da maioria ou de consenso. Estamos tranquilos em relação aos ritos, aos procedimentos e à forma de trabalhar da Comissão de Ética.
JC - A deputada Manuela d'Ávila ainda não definiu se concorre à prefeitura de Porto Alegre. Como tem acompanhado esse processo?
Roso - A deputada Manuela é um quadro político que qualquer agremiação partidária gostaria de ter como filiada. Ela escolheu o PCdoB para militar, desenvolver a sua política, e temos que cuidar do mandato da deputada e de seu futuro político. Se for candidata, será uma candidata muito forte, porque lidera todas as pesquisas e é o nome favorito para vencer as eleições. Se não for, será um elemento importantíssimo na articulação política e, ao mesmo tempo, um nome extremamente cobiçado para estar em qualquer palanque eleitoral pela sua projeção, trabalho e influência. Cabe ao PCdoB e à Manuela definir. Manuela se casou, tem uma filha, e temos que respeitar isso. Essa decisão passa muito pelo momento em que ela vive.
JC - Pesa nessa decisão o fato de o PT, aliado que sempre foi cobiçado e agora sinaliza aliança, viver uma crise?
Roso - Não. A deputada Manuela concorreu duas vezes para a prefeitura e não teve o apoio do PT. Isso não vai pesar, até porque tivemos que arcar com as candidaturas de 2008 e 2012 sem o apoio do partido.
JC - Neste momento, o PT agrega ou desagrega?
Roso - O PT é um partido extremamente importante no cenário político, é um dos principais aliados no cenário nacional, mas não temos uma exclusividade de aliança com o PT. Tanto que, em muitos municípios, já tivemos eleições contra o PT, como as da Manuela em Porto Alegre. Então, não temos um alinhamento automático ao PT, mas temos no PT um grande respeito e consideramos o PT ainda um dos principais partidos políticos do País.
JC - Se Manuela não concorrer, a tendência é apresentar um vice em uma chapa encabeçada pelo PT?
Roso - Não. O PCdoB poderá ter outro candidato a prefeito de Porto Alegre.
JC - Quem?
Roso - Temos quadros para definir isso, ainda mais em uma eleição de segundo turno, que podemos apresentar um nome para defender o nosso programa e, se não formos para o segundo turno, fazer uma aliança posterior. O PCdoB tem quadros históricos aqui em Porto Alegre, como o ex-deputado Raul Carrion e a vereadora Jussara Cony.
Veja vídeo da entrevista:

Perfil


Juliano Roso, 42 anos, nasceu em Nonoai, região Norte do Estado. Formado em História pela Universidade de Passo Fundo (UPF), lecionou por cerca de 20 anos em escolas e cursos pré-vestibulares da região. Iniciou a trajetória política em Passo Fundo, no movimento estudantil. Foi presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UPF e vice-presidente nacional da União Nacional dos Estudantes (UNE). Ingressou no PCdoB em 1992, com 19 anos, e militou na União da Juventude Socialista (UJS), setorial jovem do partido. Foi vereador por três mandatos consecutivos em Passo Fundo. Tentou uma vaga na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados, em 2006 e 2010, respectivamente, sem sucesso. Em 2012, foi eleito vice-prefeito de Passo Fundo, na chapa encabeçada por Luciano Azevedo (PPS). Em 2014, elegeu-se deputado estadual. No primeiro ano de mandato, teve destaque ao presidir a Comissão de Ética, responsável pelo processo que culminou na cassação do ex-deputado Diógenes Basegio (PDT).
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