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Venezuela Notícia da edição impressa de 05/02/2016. Alterada em 04/02 às 21h04min

Escassez de produtos agrava crise na Venezuela

JUAN BARRETO/JC
Soldados com fuzis organizam fila para mais de mil pessoas em mercado

Faz três meses que o mercado estatal Bicentenário, em Guatire, periferia a Leste de Caracas, não é abastecido com frango, item até então poupado da escassez na Venezuela. A dez minutos de carro, outro mercado estatal, o PDVAL, ainda recebe frango ocasionalmente. Em uma manhã recente, porém, o estoque era insuficiente diante da multidão amontoada no local.
Funcionários e soldados com fuzis explicavam que só metade das mil pessoas na fila poderiam adquirir a cota individual de dois frangos a preço regulado. Houve gritaria e empurra-empurra. "Nós nos comportamos como mortos de fome", disse a dona de casa Susana Oshoa, número 379 na fila, conforme rabiscado em seu braço.
O desabastecimento atinge níveis recordes desde novembro, quando o caos que assola o país há anos deu um salto repentino devido ao agravamento das crises econômica e política. Proliferam saques e pancadaria no comércio.
Um dos temas mais urgentes é a falta de remédios. Segundo um consultor da indústria farmacêutica que pediu anonimato, entre os 6 mil medicamentos registrados no país, menos de 450 estão disponíveis. O setor alertou informalmente a Organização Mundial da Saúde sobre o risco de uma crise humanitária. Grupos de WhatsApp são invadidos por pedidos desesperados de remédios. Em rodas de conversa, o assunto quase sempre vem à tona. "Deixei de trabalhar por três dias para buscar um remédio necessário para um exame médico. Não achei, então cancelei o exame", afirmou o comerciante Pedro Garcia, de 72 anos. A escassez de medicamentos aumenta a preocupação com o zika vírus. O governo admite 4.700 casos, mas médicos falam em milhares. 
A saúde pública também está em alerta devido ao racionamento de água anunciado em janeiro pelo governo, que culpa a seca, mas é acusado de ter sucateado a infraestrutura hídrica. Em algumas favelas, a água só chega em caminhões.
A inflação fechou 2015 como a mais alta do mundo (190%) e caminha para quadruplicar neste ano, com previsão de 720%, de acordo com o FMI. Preços de artigos não tabelados parecem surreais. Um quilo de tomate ou uma lata de atum custam 1.000 bolívares - 10% do salário-mínimo, de 10 mil bolívares, que equivale a
US$ 10,00 na cotação paralela. Há algumas semanas, a dona de casa Evelyn Cáceres fez algo que jamais imaginava: recolheu pimentões no lixo. "Me senti humilhada, mas tirei a parte estragada e cozinhei." 
Outro problema grave é a criminalidade. Caracas acaba de ser proclamada a cidade mais violenta do mundo (fora áreas sob guerra) por uma ONG mexicana que emite ranking a cada ano. A noite de Natal foi a mais violenta de 2015 em Caracas, com 30 assassinatos. Desde 2007, não havia um janeiro com tantas mortes violentas.
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