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Transporte público Notícia da edição impressa de 22/02/2016. Alterada em 21/02 às 21h49min

Passagem de ônibus sobe hoje para R$ 3,75

JONATHAN HECKLER/JC
Empresas vencedoras da concorrência precisaram adquirir 296 veículos para atender ao edital de licitação

Jessica Gustafson

Inicia-se hoje a operação dos novos consórcios - formados pelas mesmas empresas que já prestam o serviço na cidade - que venceram a licitação do transporte público da Capital. Eles continuarão responsáveis pelas linhas de ônibus pelos próximos 20 anos. A expectativa é que os itens especificados no edital tragam mais qualidade ao sistema, mas, por enquanto, o impacto imediato se dá na tarifa, que passa de R$ 3,25 para R$ 3,75. O Bloco de Luta pelo Transporte Público, que realizou um protesto na semana passada, fará uma nova manifestação hoje. O início do ato está marcado para as 18h, em frente à prefeitura.
Entre as principais modificações no sistema está a divisão das antigas três bacias operacionais em seis lotes e o ingresso de 296 veículos novos. A frota iniciará com um total de 1.715 ônibus, 12 a mais do que havia anteriormente. Nos próximos três anos, serão inseridos 72 veículos a mais na frota. O número de passageiros permitido por metro quadrado foi reduzido, passando de seis pessoas em pé para quatro.
De acordo com o diretor-presidente da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), Vanderlei Cappellari, já no início da operação, 636 (37%) ônibus estarão climatizados, sendo que o mínimo previsto no edital era de 25%. Anteriormente, apenas 23% possuíam ar-condicionado. Além disso, 60% dos coletivos estarão adaptados para cadeirantes.
"O tempo limite previsto no edital era 10 de abril, mas todos se mobilizaram, tanto as empresas quanto os fabricantes, para antecipar o início do serviço", ressalta Cappellari. O anúncio da data foi feito na manhã de sexta-feira e os usuários do transporte tiveram até as 14h de sábado para comprar antecipadamente as passagens pelo preço antigo. O bilhete das lotações passou de R$ 4,85 para R$ 5,60. O aumento provocou fila no Centro Integrado de Passagem Escolar e Isenção para recarregar o cartão TRI ainda com os valores antigos.
Segundo a prefeitura, o reajuste de 15,38% ocorre após o dissídio dos rodoviários, que definiu um aumento de 11,81% no salário da categoria, o maior entre as capitais brasileiras. Os motoristas de ônibus urbanos, que recebiam R$ 2.168,45, passaram a receber R$ 2.424,52. Já os cobradores tiveram aumento de R$ 1.302,76 para R$ 1.456,60. A composição dos custos da nova tarifa abrange, além do salário dos rodoviários, que pesa 46,49% na passagem, variáveis como diesel, lubrificantes, pneus (21,20%), peças e acessórios (5%) e a necessidade de ar-condicionado, entre outros. De acordo com a Associação das Empresas de Transporte Passageiros de Porto Alegre (ATP), somente para o início da operação foram investidos mais de R$ 118 milhões.
Outra novidade é a identidade visual, com cores específicas que informam as regiões de destino para os passageiros, facilitando o entendimento das linhas. As cores foram alteradas: azul para as linhas que atendem a zona Norte, verde para a Leste, vermelho para a Sul e amarelo para a Carris. O edital também trouxe a remodelação das linhas, com a mudanças de algumas radiais pertencentes à Carris.
A realização da licitação não foi uma tarefa fácil para a prefeitura. Esta é a primeira vez na história do transporte por ônibus da cidade, iniciado na década de 1920, que o sistema passa pelo processo, atendendo a uma medida judicial expedida após as manifestações populares de 2013. Desde a Constituição de 1988, a concorrência deveria ter sido feita. A norma foi regulada em 1995, quando a Lei de Concessões entrou em vigor, enfatizando a necessidade de que as empresas concessionárias ou permissionárias fossem escolhidas por meio de licitação.
Após duas tentativas que não tiveram interessados, o município conseguiu finalmente atrair empresas em um terceiro edital, lançado em 6 de maio do ano passado. A única participante que não operava na cidade foi a Stadtbus, de Santa Cruz do Sul, que acabou sendo desclassificada. 

Novo modelo deve reduzir o déficit da Carris entre 10% e 15%, estima presidente da empresa


A Carris passou por uma remodelação de suas linhas com a realização da licitação. A partir de hoje, a empresa pública realiza algumas viagens mais longas e carrega um maior número de passageiros. Em entrevista ao Jornal do Comércio, o diretor-presidente da Carris, Sérgio Zimmermann, ressalta que a empresa nunca visou ao lucro e, desde a sua operação na cidade, sempre ficou entre o equilíbrio financeiro e o déficit. Em 2014, o saldo negativo ficou em R$ 54 milhões e, em 2015, em R$ 48 milhões. Com o novo sistema, ele espera que o déficit fique um pouco menor.
Jornal do Comércio - Como a Carris encara as mudanças trazidas pela licitação?
Sérgio Zimmermann - A Carris, em 144 anos de história no transporte público, foi a pioneira na Capital. Em 1872, a empresa puxou o primeiro bonde da cidade. De lá até aqui, houve uma série de avanços. Somos a maior e mais antiga empresa pública de transporte urbano do País, que permanece viva após ter passado por muitas mudanças. A nova licitação traz mais qualidade ao serviço. Entre as empresas atuais, detemos o maior percentual de ar-condicionado, com 62% de coletivos climatizados. A Carris tem também o maior percentual de acessibilidade, com 67% dos veículos adaptados. Todos os investimentos que o município faz na empresa impactam na elevação da qualidade do transporte como um todo.
JC - É consenso entre os usuários que a Carris oferece o melhor serviço da Capital. O edital teve a intenção de nivelar a qualidade das outras empresas a partir do que é oferecido pela Carris?
Zimmermann - Claro que temos desafios e precisamos avançar mais. Contudo, somos a empresa com o menor número de reclamações dos usuários. Isso faz com que passemos a investir cada vez mais em pessoal e equipamento para garantir o bom atendimento. Agora, viveremos um novo momento, dentro da lei, que tornará certamente o sistema de transporte urbano de Porto Alegre o melhor do País.
JC - A empresa passou por uma remodelação em suas linhas a partir da licitação. Qual foi o objetivo da mudança e qual o impacto que ela deve ter?
Zimmermann - Desde que foram criadas as linhas Ts, historicamente, a Carris opera as transversais. Apenas quatro delas eram operadas pelos consórcios e agora passam para nós: T12 (Restinga/Cairú), T12A (Restinga/PUC), T12.1 (Pitinga/Cairú) e T13 (Triângulo/PUC). Por outro lado, deixamos de operar as radiais que são Auxiliadora, Rio Branco/Anita, Jardim Carvalho/Salso, Carlos Gomes, Petrópolis/PUC e Petrópolis/Madrugada. A única radial que continuaremos atendendo será a Ipiranga/PUC, já que a prefeitura optou por não ter mudanças para os universitários. Aumentaremos, com essa modificação, nossa participação no bolo do sistema, de 22,07% para 22,47%, pois as linhas que passaram para nós são mais longas e isso aumenta a quilometragem. Tivemos, inclusive, pedidos sistemáticos da população da Restinga no Orçamento Participativo para que a Carris operasse essas linhas. Isso agora vai acontecer.
JC - Todos os anos a Carris apresenta déficit no orçamento. Em quanto a remodelação da linhas reduzirá esse déficit?
Zimmermann - Teremos uma melhora, sim, mas o déficit ainda não será vencido. Historicamente, a Carris nunca foi uma empresa que gerasse lucro. Tivemos momentos de equilíbrio e outros de déficit, desde a inauguração. Em 2014, tivemos R$ 54 milhões de déficit e, em 2015, reduzimos para R$ 48 milhões. Acreditamos que, com o novo sistema, a redução será um pouco maior, entre 10% e 15%.
 
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