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Consumo Notícia da edição impressa de 10/02/2016. Alterada em 10/02 às 10h34min

Ajuste fiscal das famílias deve continuar em 2016

GILMAR LUÍS/JC
Especialista recomenda cortar supérfluos e revisar as despesas

Espécie de mantra dos membros da equipe econômica em Brasília para tentar solucionar o nó nas contas públicas, o "ajuste fiscal" virou realidade nos lares brasileiros. Em meio ao aumento do desemprego, das dívidas e da inflação, os consumidores apertaram os cintos no ano passado e devem continuar cortando gastos neste ano, de acordo com especialistas.
"As contas de consumo aumentam, a alimentação aumenta, a pensão dos filhos também precisa ser reajustada todo ano. Ainda estou às voltas com as dívidas da obra, então tenho de segurar mais (os gastos)", conta o gerente de marketing Affonso Nunes, que vive no Rio de Janeiro. A obra é o novo apartamento, montado há dois anos, que lhe rendeu dois financiamentos, um para pagar o imóvel e outro para realizar reformas.
Embora os juros tenham subido entre 2013 e 2015, as parcelas pagas por Nunes não aumentaram de valor. Mas as outras contas ficaram mais caras, e o jeito foi eliminar gastos para não ficar inadimplente. Uma das vítimas foi o ar-condicionado, que foi substituído por um ventilador depois de a conta de luz ter registrado um aumento de 51% apenas no ano passado.
"Quando entrou a bandeira vermelha, a conta subiu para R$ 400,00. Comprei um grande circulador de ar e passei a programar o ar-condicionado para que desligasse uma ou duas horas depois de dormir. Consegui diminuir a conta quase pela metade", diz.
No ano passado, 91% dos consumidores afirmaram ter reduzido os gastos em relação a 2014, segundo pesquisa do Instituto Data Popular. Só que, para alguns, a medida não foi suficiente. Mesmo com a contenção de despesas, 15,7% afirmaram, em janeiro de 2016, que usaram recursos da poupança para cobrir despesas correntes, maior percentual em mais de 10 anos de Sondagem do Consumidor da Fundação Getulio Vargas (FGV). Não à toa, a poupança teve um saque líquido (o quanto as retiradas superaram os depósitos) recorde de R$ 53,57 bilhões em 2015.
O superintendente adjunto de Ciclos Econômicos da FGV, Aloisio Campelo, explica que o avanço do indicador de uso da poupança foi surpreendente a partir de janeiro de 2014. "Em 2015, a proporção ultrapassou os 10% e foi gradualmente atingindo novos recordes. Em novembro e dezembro houve alguma acomodação, mas, como a situação financeira das famílias continua piorando, temos de esperar um pouco para confirmar uma mudança de tendência", diz.
Para o especialista em finanças pessoais Roberto Zentgraf, professor do Ibmec e da FGV, a queda no consumo vai continuar. "As pessoas não estão encontrando uma forma de aumentar a receita. Pelo contrário, tem consultor sem consultoria para prestar, professor sem aula para dar. Então, as famílias têm mesmo de fazer um ajuste fiscal." O jeito, segundo o especialista, é cortar supérfluos e revisar despesas desnecessárias antes de sacrificar o bem-estar. "As contas têm de ser pagas em dia, não tem por que pagar 10% de multa. Elimine aquela academia de ginástica que você não frequenta nunca. Não pague um pacote com 200 canais de TV por assinatura se você só assiste aos mesmos quatro canais", exemplifica.

Em meio à recessão, CNC projeta queda de 3,7% nas vendas do varejo neste ano


JOSÉ CRUZ/ABR/JC
Com orçamento comprometido, compra de bens duráveis é adiada
Necessário diante da alta no desemprego e da queda na renda das famílias, o ajuste fiscal domiciliar acaba reforçando o processo de queda na atividade econômica. O consumo das famílias, antes motor da economia brasileira, deve ter registrado em 2015 o pior desempenho em 25 anos, arrastando consigo o comércio e a indústria.
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estima que as vendas no varejo tenham recuado 4,1% no ano passado e que encolham outros 3,7% em 2016. Já a produção nacional de bens de consumo despencou 9,5% de janeiro a novembro de 2015.
Só a fabricação de bens duráveis, que incluem automóveis e eletrodomésticos, foi cortada em 18,3%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Mesmo diante do encarecimento de insumos, fabricantes estão enfrentando dificuldades para repassar os aumentos de custos para os preços de seus produtos, sob o risco de perder a parte da demanda que sobrou.
Segundo a CNC, a avaliação do consumidor sobre o momento para compra de bens duráveis permanece em pisos históricos. "Tudo leva a crer que sim, a redução no consumo deve continuar", diz a economista Marianne Hanson, da CNC.
"O mês de janeiro já começou sofrível (para a produção de eletrodomésticos) em relação ao mesmo mês do ano passado", alerta o presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Lourival Kiçula. A entidade reúne os maiores fabricantes de produtos eletrodomésticos e eletroeletrônicos do País.
Além da inflação elevada e da confiança em baixa, o consumo ainda compete, neste início de ano, com algumas despesas essenciais para as famílias, como mensalidades escolares e transporte público (diante dos reajustes), além da cobrança de impostos como IPVA e IPTU.
"O orçamento das famílias fica mais comprometido com uma série de gastos que são mais difíceis de cortar", lembra Marianne. "As dificuldades crescentes em relação ao crédito, mais escasso e caro, também são uma questão que dificulta que as famílias continuem consumindo", observa.
A FGV projeta nova redução da massa salarial em 2016, puxada pela deterioração no mercado de trabalho e nova rodada de aumentos na taxa de desemprego. A taxa de desocupação no Brasil subiu para 8,9% no terceiro trimestre de 2015, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados pelo IBGE. É a maior taxa da série histórica, iniciada em 2012.
Por isso, o ajuste nas contas das famílias deve continuar, independentemente da moderação dos gastos e do vencimento gradual de dívidas já contraídas.
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