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Indústria Notícia da edição impressa de 05/02/2016. Alterada em 04/02 às 22h34min

Souza Cruz fecha unidade em Cachoeirinha

SOUZA CRUZ/DIVULGAÇÃO/JC
Altos tributos e contrabando foram citados como causa do fechamento

Marina Schmidt

O comunicado de que a Souza Cruz irá encerrar a fabricação de cigarros na planta industrial instalada em Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre, foi recebido com tristeza pelo prefeito do município, Vicente Pires, porém não foi uma surpresa. Informado na quinta-feira da decisão da empresa, o gestor municipal revela que o desempenho da companhia já vinha recuando nos últimos quatro anos, quando o faturamento da fábrica na cidade baixou de R$ 1 bilhão para R$ 600 milhões.
Na verdade, Pires revela que a possibilidade de que as operações em Cachoeirinha fossem finalizadas chegou a ser cogitada há cerca de meio ano, quando a Souza Cruz concluiu o processo de venda do parque gráfico instalado no município para fabricante mundial de embalagens Amcor. A transação, que resultou na aquisição da PD Embalagens, empresa do grupo Souza Cruz, por parte da Amcor, pelo valor de R$ 96 milhões, foi aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em maio do ano passado.
"Meu setor de orçamento já vinha detectando que a Souza Cruz vinha reduzindo as vendas", menciona Pires. Segundo dados da equipe econômica de Cachoeirinha, o valor agregado da companhia, em 2014, representava 12% do orçamento municipal. No ano seguinte, a participação caiu para 3%.
O prefeito salienta que essa redução tão acentuada é reflexo tanto da retração das operações da Souza Cruz quanto do aumento da participação de outras empresas que se instalaram na cidade. "Mas é inegável que, nos últimos quatro anos, houve uma queda importante no faturamento da empresa. A redução vem sendo muito drástica", avalia.
Segundo a Souza Cruz comunicou ao mercado, a elevação do custo tributário e aumento do contrabando motivaram encerramento das atividades que envolvem a produção de cigarros no município. "A decisão é resultado da imposição de sucessivos aumentos de impostos para o setor, principalmente IPI e ICMS", justifica a nota. A empresa projeta que, até o final do ano, o imposto incidente sobre cada maço de cigarro representará 80% do valor de venda.
"Nos últimos quatro anos, o IPI sobre cigarros já havia aumentado 110%, chegando o ajuste a 140% nas marcas de menor preço. Na última semana, este percentual foi novamente aumentado, em função da aprovação pelo Governo Federal de novo ajuste de 14% na alíquota do imposto, sendo 7% em maio e 7% em dezembro", detalha a empresa. Segundo a companhia, esse contexto leva o consumidor a consumir produtos contrabandeados, segmento que, segundo a empresa, detém 31% do mercado total no Brasil. "A situação é ainda pior na região Sul - destino da maior parte da produção da fábrica de Cachoeirinha - onde os índices do mercado ilegal chegam a 43,3% no Rio Grande do Sul e 52,8% no Paraná", indica a nota.
"Hoje, o maço mais barato de cigarro sai por R$ 4,50. Temos ouvido comentário de que o cigarro contrabandeado gira em torno de R$ 2,00", compara o presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Benício Albano Werner. "Com o aumento do imposto, o maço mais barato vai ser de 5,00, e isso torna a competição muito difícil." O dirigente pontua que a decisão da empresa terá impacto mais forte sobre os 190 trabalhadores que serão demitidos. "Para nós, o fechamento de uma fábrica no Brasil não nos atinge tanto, porque a exportação é muito representativa: 90% do que produzimos vai para exportação."
De acordo com o presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores (Fentifumo), José Milton Kuhnen, a empresa buscou amenizar as demissões de 190 empregados estendendo por seis meses benefícios como cesta-básica e assistência média, e concedendo, ainda, três meses de orientações para recolocação profissional junto a uma empresa de assessoria de gestão de pessoas. Sobre as alegações da empresa em relação ao desafio de enfrentar o aumento tributário e do contrabando, Kuhnen confirma que a queixa não parte somente da Souza Cruz e tem refletido em todo o setor.
"Eu participo da Câmara Setorial do Tabaco, e a gente vem discutindo e questionando muito o governo, tanto federal quanto estadual", afirma, indicando que o poder público está na contramão. "A Anvisa acha que vai reduzir o consumo, e o governo espera arrecadar mais, mas o que acontece é o contrário: os gestores estão perdendo receita, e a população está migrando para produtos sem controle sanitário." 
A Souza Cruz só se pronunciou por meio de nota à imprensa e ao mercado, reforçando que manterá as atividades de pesquisa em Cachoeirinha e que, dos 240 empregados que atuam na fábrica, 190 serão demitidos, e 50 serão mantidos e realocados para outros postos.

Setor cogita que companhia pode fortalecer as operações em Cuba


A joint venture entre a Souza Cruz e a estatal cubana Brascuba, parceria que se estende desde 1995 e na qual a brasileira tem participação de 50%, começa a ganhar evidência com a decisão de encerramento das operações em Cachoeirinha. Segundo fontes próximas à empresa, os 50 funcionários que aceitaram ser realocados - muitos, em cargos de gerência - poderão assumir posições em Cuba.
Os produtos fabricados pela Souza Cruz em Cuba são cigarros de alta qualidade, como a empresa destaca em seu site. Mais uma evidência que fortalece a perspectiva de que haja um fortalecimento das operações cubanas vem da abertura do país socialista ao mercado, que pode se refletir em maior presença internacional.
Segundo o presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Benício Albano Werner, os olhos do mercado fumageiro se voltam cada vez mais para a exportação por conta da queda de consumo no Brasil. "Isso nos leva a procurar maior volume para comercialização no mercado internacional", pontua, citando que, atualmente, 90% da produção já é exportada. A safra 2015/2016 deve ficar em torno de 550 mil toneladas, sinaliza.
Werner cogita que, como o maquinário de Cachoeirinha é moderno, os equipamentos possam ser usados para modernizar a fábrica cubana. Uma coisa é certa: a produção de cigarros em Cachoeirinha está, de fato, encerrada. O prefeito Vicente Pires confirma que a empresa não irá levar a produção para a fábrica de Uberlândia (MG).
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