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Cinema Hélio Nascimento


Cinema

Notícia da edição impressa de 19/02/2016

O inferno

Hélio Nascimento

Nos últimos anos, dois romances - As benevolentes, de Jonathan Littell, e A zona de interesse, de Martin Amis - inovaram e impressionaram pela forma como trataram o tema do Holocausto. O cinema, desde o final da Segunda Guerra Mundial, quando cinegrafistas norte-americanos, britânicos e soviéticos, entre eles George Stevens, o futuro diretor de Um lugar ao sol e Shane, registraram as terríveis imagens dos campos de extermínio, sempre exerceu papel fundamental para que tais atrocidades não fossem esquecidas. O primeiro documentário que resultou de tal material foi editado por Alfred Hitchcock, que, tendo voltado por um tempo à Inglaterra, foi convidado a organizar aquelas imagens que nunca deixarão de causar impacto. O nome do grande cineasta aparece com o merecido destaque nos créditos de Memória dos campos, que pode ser visto na internet e que também tem sido exibido em mostras especiais, depois de muito tempo interditado. Alan Resnais, antes de Hiroshima, meu amor, deixou sua contribuição ao tema em Noite e nevoeiro, realizado em 1955, um documentário em média-metragem, no qual utilizou imagens daquele filme montado por Hitchcock e obteve grande repercussão pela maneira como tratou do tema da responsabilidade pelo ocorrido. Repercussão ainda maior obteria Claude Lanzmann ao realizar, em 1985, Shoah, um documentário de oito horas de duração, apenas com depoimentos e sem imagens de arquivo. Steven Spielberg, com A lista de Schindler, em 1983, mostrou que havia espaço para a emoção e o humanismo em tal tema.
O diretor húngaro László Nemes inova com este impressionante O filho de Saul. Assim, com o romancista Amis, Nemes reconstitui o cotidiano no campo de extermínio de Auschwitz, acompanhando durante todo o tempo de projeção o trabalho e as tentativas de um judeu húngaro, Saul Ausländer, que trabalha como sonderkommando. Ele é, portanto, um daqueles condenados que tem a morte adiada, a fim de que os nazistas fossem poupados da mais abominável das tarefas. Interpretado não por um ator e sim por um poeta, Gesa Röhrig, tal personagem é acompanhado pela câmera durante todo o tempo, o que faz com que o espectador passe por uma experiência que certamente nunca será esquecida. O impacto alcançado por Nemes não tem origem em imagens explícitas do horror. Ele não as utiliza diretamente. Não chega a omiti-las completamente, como sugeria Val Lewton em sua série de horror dos anos 1940, mas as coloca quase fora da imagem, às vezes desfocadas. A imaginação do espectador, portanto, tem seu papel na dramaticidade alcançada, mas, ao mostrar fragmentos de todo aquele horror e de toda aquela monstruosidade, o cineasta, um estreante em longa-metragem, faz com que o impacto seja ainda maior. É como se houvesse uma identificação com o protagonista, que está sempre recusando olhar para um cenário que revela de forma indescritível a que ponto pode chegar o ser humano ao ser movido pelo ódio e por forças irracionais.

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