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Com a Palavra Notícia da edição impressa de 29/02/2016. Alterada em 29/02 às 00h05min

Petroquímica deve enfrentar período de estagnação

JONATHAN HECKLER/JC
João Luiz Zuñeda, diretor da MaxiQuim Assessoria de Mercado

Jefferson Klein

A atual situação política e econômica do Brasil deverá causar na petroquímica nacional reflexos que durarão por mais alguns anos ainda. O sócio fundador da MaxiQuim Assessoria de Mercado João Luiz Zuñeda projeta tempos de estagnação para o setor. A MaxiQuim é uma das empresas mais conceituadas dentro do País em relação a análises nessa área, que são balizadoras das estratégias de diversos e importantes players que compõe a cadeia do plástico. A companhia foi fundada há 20 anos por dois engenheiros químicos, Zuñeda e Solange Stumpf, que largaram seus bem remunerados empregos na antiga Copesul (hoje Braskem) para se arriscarem em um mercado que ainda engatinhava.
JC Empresas & Negócios - Qual será o futuro da petroquímica brasileira?
João Luiz Zuñeda - Eu acho que essa década será de estagnação. O Brasil, não somente para a petroquímica, até para setores altamente produtivos como o agronegócio, precisa passar por reformas estruturais. É preciso uma reforma logística, de infraestrutura, dos custos que vêm inerentes para produzir no Brasil, como os trabalhistas e tributários, que todos conhecemos bem. Atualmente, investir nos Estados Unidos é mais barato do que investir no Brasil. Eu sou de uma década, quando eu era empregado do polo petroquímico em Triunfo, de investimento, de duplicação. Hoje, a época é de investimentos na petroquímica acontecendo no México, por empresa brasileira (Braskem).
Empresas & Negócios - Qual a sua avaliação quanto ao cenário petroquímico internacional? Quem está ditando as regras nos dias de hoje?
Zuñeda - Os grandes mercados petroquímicos, que ditam as regras, são o asiático e o americano. De 10 anos para cá, os Estados Unidos viabilizaram, por uma política de Estado, a questão do shale gas (gás de folhelho, também chamado de gás de xisto), para não ficarem dependentes do petróleo do Oriente Médio e fortalecer a sua própria indústria. O shale gas começou a ser a bola da vez. Os Estados Unidos são um grande produtor e um grande mercado. Já o Oriente Médio é um importante produtor de petroquímicos, com a Ásia, principalmente, como destino, que é uma enorme importadora.
Empresas & Negócios - Que diferencial representa o shale gas para os Estados Unidos?
Zuñeda - Com o shale gas, o custo da produção de energia elétrica nos Estados Unidos caiu drasticamente e isso não somente para a petroquímica, mas para a indústria como um todo. Os Estados Unidos vão aproveitar essa onda por um bom tempo, construindo petroquímicas lá por, no mínimo, duas décadas.
Empresas & Negócios - A queda do preço do barril de petróleo terá que influência no segmento petroquímico?
Zuñeda - Todo mundo acreditava que o petróleo não iria baixar muito dos US$ 100 o barril e esse valor caiu bastante. Hoje,  há muitos analistas prevendo que vai ser difícil retornar aos níveis que estava antes. Além disso, depois da conferência do clima realizada na Europa, vários analistas estão dizendo que a utilização do petróleo como combustível (para a área de transporte) ficará cada vez mais restrita. Os países vão começar a colocar mais impostos, para gerar outras tecnologias. Com isso, o petróleo e até o gás natural vão virar ainda mais matéria-prima para a indústria química, que terá um custo de insumo bem mais barato. As grandes petrolíferas estão vendo isso e estão fortalecendo a suas áreas petroquímicas. A ExxonMobil e a Sabic têm unidades petroquímicas e são duas das maiores petroleiras do mundo.
Empresas & Negócios - Mas, em contrapartida, com o petróleo mais barato, a petroquímica verde, feita de matérias-primas como a cana-de-açúcar, será abalada, não?
Zuñeda - Quando baixou o preço do gás natural nos Estados Unidos para US$ 40 o milhão de BTU (unidade térmica britânica), o produto verde naquele país, que era o etanol de milho, já deixou de ser uma alternativa. Mas, mesmo assim, em nenhum momento alguém pensaria que o álcool, tanto de milho, nos Estados Unidos, como de cana-de-açúcar, no Brasil, seria a única opção da petroquímica. Eu acho que o etanol vai continuar sendo uma fonte segmentada para um tipo de indústria que quer ter um selo verde, um produto premium.
Empresas & Negócios - Qual a sua opinião sobre o acordo de fornecimento de nafta firmado entre Petrobras e Braskem, pelo qual a estatal está cobrando um valor superior à referência internacional ARA (Amsterdã, Roterdã e Antuérpia - preço médio da matéria-prima nesses três mercados)?
Zuñeda - Foi o acordo possível, pelo momento econômico e político que o Brasil passa. Essa é a CPMF que a indústria química e petroquímica pagará, por um tempo, para ter um contrato. Tomara que a CPMF da química e da petroquímica, que a Braskem está pagando, sirva para a Petrobras arrumar a casa, para ter a força que ela teve no passado. Eu esperava mais desse contrato, que fosse de maior prazo, que a Petrobras não cobrasse uma CPMF em cima disso, mas a Petrobras não tinha como fazer isso na ocasião do acordo.
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