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ENTREVISTA ESPECIAL Notícia da edição impressa de 01/02/2016. Alterada em 31/01 às 23h06min

Silvana Covatti quer ampliar presença das mulheres

MARCELO G. RIBEIRO/JC
Entrevista especial com a futura presidente da Assembleia Legislativa, deputada Silvana Covatti (PP).

Lívia Araújo

Primeira mulher a assumir a presidência da Assembleia Legislativa em 180 anos de existência do Parlamento gaúcho, e 65 anos depois da eleição da primeira deputada estadual da história, Silvana Covatti (PP) quer estimular a ampliação da presença feminina no Poder Legislativo, levando o tema para discussão nos municípios gaúchos, onde o PP possui tradicionalmente grande capilaridade. "Somos muito poucas na Assembleia, apenas nove deputadas. Quero levar a importância das mulheres nas câmaras e prefeituras."
Para 2016, Silvana afirma que os planos para a condução da Casa passam por uma ampliação da transparência no dia a dia dos parlamentares. "Temos que melhorar muito a questão de diárias, combustíveis", expõe, comunicando a adoção, a partir do mês de março, de um gabinete de gestão para dar subsídios à deputada no controle das ações da Assembleia.
Fazendo referência às votações mais tensas ocorridas em 2015, que geraram medidas de restrição de público no plenário, a parlamentar garante que buscará o diálogo com as entidades de servidores antes de tomar outras metidas. "Não tendo diálogo, acredito que tanto as entidades quanto a Casa têm de tomar suas posições. Espero que não precise", advertiu.
Nesta entrevista ao Jornal do Comércio, Silvana Covatti também comentou que o PP tem a intenção de lançar um candidato próprio à prefeitura de Porto Alegre.
Jornal do Comércio - A senhora é a primeira mulher, nos 180 anos da Assembleia, a assumir a presidência da Casa. Como se sente em relação a esse ineditismo?
Silvana Covatti - Nesse terceiro mandato que inicio, esse é um grande desafio. O Parlamento tem 180 anos de história, e hoje, 65 anos depois de eleita nossa primeira deputada, a Suely (Gomes de Oliveira, em 1951), eu estou tendo esta oportunidade de, junto com as mulheres do Estado, presidir esta Casa legislativa. Eu diria que estou preparada. No meu primeiro mandato, eu me elegi com a força e a participação do Covatti (Vilson, do PP), meu esposo. Mas no meu segundo mandato, participando do governo Yeda (Crusius, PSDB, de 2007 a 2010), fui relatora do orçamento, e pude mostrar minha capacidade como mulher e minhas posições. E hoje posso assumir o desafio de conduzir a Casa, num momento muito importante do Estado, de crise, e eu diria que a mulher é capaz. Eu me elegi com muita determinação, com atitude. Eu gosto da vida pública, com muita responsabilidade e ética, e a mulher precisa, sim, dar essa contribuição à sociedade.
JC - Pretende apresentar à Mesa Diretora propostas que ampliem a presença das mulheres no Parlamento?
Silvana - Sem dúvida. Os meus pilares nesse mandato como presidente são igualdade, participação e gestão. E é na igualdade que entra a participação da mulher. O voto feminino corresponde a quase 52% nas eleições. Somos a maioria no Estado e no País, mas somos muito poucas na Assembleia, apenas nove deputadas. A história mostra que a mulher teve uma grande evolução em todos os setores, e eu quero, principalmente neste ano, em que uma voz feminina vai conduzir o plenário da Assembleia, levar à sociedade a importância das mulheres nas câmaras municipais e prefeituras, pois a mulher tem a grande peculiaridade de ser verdadeira, quer as coisas corretas e não tem muita paciência de esperar. Ela quer a resposta, e eu vejo isso também no meu trabalho como parlamentar: eu acompanhava minha liderança em audiências, e sempre exigia saber qual é a resposta que será dada à população. Então, a mulher sempre busca essa resposta. Eu acredito que o equilíbrio entre homens e mulheres é muito importante para o Estado.
JC - No âmbito dos partidos, a senhora observa um crescimento da participação feminina, ou ainda existe uma resistência interna à questão?
Silvana - Ainda existe uma resistência interna. Eu enfrentei isso, já estou estruturada. Mas eu entrei sem estrutura. Partidariamente, eu tive de ter muita persistência, mas o nosso partido tem um movimento muito grande, por meio da ação da Mulher Progressista, também com a maravilhosa entrada da senadora Ana Amélia (Lemos, PP). Como duas mulheres eleitas, temos um trabalho muito intenso, de reuniões com mulheres no Interior e na Capital, levando a importância de nós participarmos. Sempre fomos questionadas se entendemos de saúde, por exemplo. É claro que sim. Eu tenho três filhos. A febre que eles tinham na infância eu procurei atacar em casa. A mulher entende de educação, de finanças... quantas mulheres do Interior ajudam nas finanças da casa fazendo pão, trabalhando fora? A mulher entende, e no momento de crise econômica, de valores, em que vivemos, não há um momento tão importante como esse para a participação da mulher. Então, esse é o meu papel, de resgatar os valores, fazer o meu trabalho com a participação da sociedade, com igualdade e, principalmente, com gestão e transparência, que é o que o povo está exigindo hoje dos políticos.
JC - Quais seus planos para este ano à frente da Assembleia?
Silvana - Nós queremos muito trabalhar essa questão da transparência. Hoje, o trabalho do parlamentar é fazer projetos, fiscalizar. Hoje, estamos tendo um desgaste muito grande do Legislativo. O deputado ganha bem e tem regalias, mas a sociedade questiona o que ele está fazendo por ela. Temos várias leis importantes tramitando e que já foram aprovadas nesta Casa. Estamos buscando uma economia grande do Parlamento gaúcho, para ajudar nas finanças do governo do Estado, e é isso que quero manter, trazer a gestão pública de qualidade e levar à sociedade um resgate do Parlamento gaúcho. É nosso papel fiscalizar, dar bom exemplo e irradiar isso para outros parlamentos, como os municipais, e para o Executivo e o Judiciário.
JC - Falando em bom exemplo, como avaliou as denúncias de corrupção envolvendo parlamentares na vigência do mandato em 2015?
Silvana - Foi um momento muito triste para o Parlamento. Nós tivemos, aqui, de apreciar o pedido de cassação de um colega, e o Parlamento deu essa resposta à sociedade. Somos contra essa questão de fraudes e corrupção, pois nós temos fiscalização na Casa. Isso eu quero manter e, também, cada vez mais, dar ferramentas aos parlamentares no sentido de que não se faça mais isso. Eu vou ter uma Mesa Diretora com quem vou dividir tudo, com o plenário. Temos uma gestão compartilhada na Casa, então temos ainda muito o que fazer nessa questão de o Parlamento ter mais ética e resolver os problemas. Ainda temos a questão do (Mário) Jardel (PSD, responde processo na Comissão de Ética), solucionamos a questão do Doutor Basegio (PDT, renunciou depois de iniciado o processo de cassação), e eu vou tomar as mesmas atitudes, de encaminhar à Mesa e ao plenário.
JC - Como pretende aprimorar os meios de controle da Casa?
Silvana - Ter sido primeira-secretária na gestão do presidente Edson Brum (PMDB) me deu uma visão enorme da Casa, para inclusive dar seguimento com meu trabalho na presidência. Temos que melhorar muito a questão de diárias, combustíveis. Temos parceria com o Tribunal de Contas do Estado, o Ministério Público nos fiscaliza muito também, teremos uma Sala de Gestão em março, para nos dar subsídios...
JC - Que projetos em 2016 acredita que sejam os mais mobilizadores?
Silvana - Temos muitos projetos tramitando na Casa. Há os mais polêmicos, dos aumentos do Judiciário, Legislativo e Executivo... O projeto de concessão das rodovias é importante, e não podemos esperar muito...
JC - A questão do salário-mínimo regional deve ser abordada já nesta semana pela Assembleia?
Silvana - Acredito que sim. Acredito que o governador, chegando agora, a primeira ação que vai fazer é encaminhar o projeto do mínimo, sim. Até porque está na hora, e a sociedade está exigindo isso.
JC - Justamente por conta de alguns projetos como esse, 2015 foi um ano tenso no Parlamento. Pretende manter a conduta adotada no ano passado, de distribuir senhas para a participação do público externo ou impedir a entrada nas votações mais polêmicas?
Silvana - Foi um ano atípico na Assembleia, e o Edson (Brum) soube conduzir isso muito bem. Mas todo esse cercamento da Casa foi através de medida judicial. Conforme vierem as situações, eu também terei de tomar medidas. Quero buscar o diálogo. Temos representatividades muito grandes no nosso Estado, e tenho respeito por isso. A ideia é sentar à mesa e dialogar, achar um caminho melhor para todos. O diálogo é fundamental, e vejo isso pela relação que tenho em casa com os filhos. Na brabeza, tu não consegues nada, mas conversando, e com cada um colocando seus prós e contras, é a melhor forma. Não tendo diálogo, acredito que tanto as entidades quanto a Casa têm de tomar suas posições. Espero que não precise.
JC - Qual sua visão sobre a política brasileira? Acredita, por exemplo, que se dê seguimento ao processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff (PT)?
Silvana - Eu acredito que não. Não há provas suficientes. Acredito que o impeachment não vá ocorrer, mas sim que ainda vá haver muita instabilidade política, porque ainda continuam investigando, ainda aparecem várias denúncias. Isso pode parar no meio do caminho, quando entrarmos no período eleitoral. Creio que possa dar uma aliviada, mas não que vá parar, porque aí todo mundo vai para as suas bases. Mas acredito que ainda haja muita turbulência, com essas coisas aparecendo, esses "apartamentos" (Operação Lava Jato investiga triplex que seria de propriedade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, PT). Nós não vamos parar por aí.
JC - Como avalia o fato de nomes do PP terem sido citados na Lava Jato?
Silvana - Eu avalio que foi um ano bem atípico, que pegou todo mundo de surpresa... Acho que os culpados têm de pagar, não adianta mais ficar atirando pedra em todo mundo, e acredito que a coisa já está indo para um caminho de soluções, de achar quem são mesmo os envolvidos, porque foi como atirar penas pela janela: soltaram, envolveram, mas não houve denúncia, e os nomes estão aí. Então vai ser um ano de muitos esclarecimentos. Virá à tona quem comandou toda essa corrupção, e acredito que vai haver justiça. Gente boa tem que fazer a boa política. Nós estamos entrando em um momento em que está todo mundo envolvido, mas tem gente boa na política, que tem boa índole e boas intenções. Nós vamos achar os culpados, e eu torço para isso.
JC - Também houve nomes do PP gaúcho na Lava Jato?
Silvana - Quando há crise, a gente trabalha em dobro. No início, houve um abalo, um apavoramento dentro do partido. Mas ninguém foi denunciado, e o partido se fortaleceu com isso, se mobilizou, buscou seus correligionários, seus filiados; tivemos reuniões internas, discutimos os fatos, cada um falou de sua angústia, e o partido se fortaleceu. Nós vamos aumentar nossos prefeitos, nossos vices, e acredito que vai haver uma adesão muito grande das mulheres na política. Estamos vendo tudo isso, e não há envolvimento de mulheres, então vamos nos engajar e conseguir.
JC - Quanto à disputa municipal, a sigla deve lançar candidato próprio em Porto Alegre? Quem está mais cotado?
Silvana - Deve. Estamos trabalhando para isso. Há boas lideranças, mas pontualmente ainda não há nomes. Falou-se no (deputado) Marcel van Hattem, no (vereador) Kevin Krieger, na vereadora Mônica Leal, e no (ex-deputado)Cassiá Carpes. Essa vinda do Cassiá (que se desligou do SD em abril de 2015) é uma via importante para nós.
JC - Na semana passada, houve a visita do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). O que achou de sua presença na Assembleia?
Silvana - Eu estava viajando, tirei 10 dias, e só acompanhei pela imprensa.
JC - Qual sua opinião sobre as posições dele?
Silvana - Ah, são posições muito polêmicas. Eu tenho a minha espiritualidade, têm coisas que não compartilho muito. Ele é muito polêmico. É muito ao extremo. Essa questão de gênero. Nós vivemos em outro mundo, é uma geração diferente. Acho que não vale a pena... é muito polêmico.

Perfil


MARCELO G. RIBEIRO/JC
Entrevista especial com a futura presidente da Assembleia Legislativa, deputada Silvana Covatti (PP).
Silvana Franciscatto Covatti nasceu em Frederico Westphalen, em 8 de dezembro de 1963. Tem formação em Magistério e iniciou os cursos de Letras e Direito. Por mais de 20 anos, Silvana foi voluntária nos bastidores da política, sendo eleita a primeira presidente do grupo Mulher Progressista no Estado. Em 2006, concorreu pela primeira vez à Assembleia Legislativa, e foi eleita com 65.547 votos. Em 2010, Silvana foi reconduzida ao cargo com a maior votação do Legislativo naquele ano. Nas eleições de 2014, a deputada foi reeleita com 89.130 votos. Atualmente, Silvana também é primeira vice-presidente do PP estadual. Ao longo de 2015, foi primeira-secretária da Mesa Diretora da Assembleia. Neste ano, Silvana Covatti assume a presidência do Parlamento como a primeira mulher a ocupar o cargo no Legislativo gaúcho. A política é tradição em sua família: o marido, Vilson Covatti, foi deputado federal, e Vilson Covatti Filho integra a bancada gaúcha na Câmara dos Deputados, ambos pelo PP.
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