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Turismo Notícia da edição impressa de 11/01/2016. Alterada em 10/01 às 21h22min

Brasil é principal destino para os turistas chineses na América Latina

BONITOWAY AGÊNCIA DE TURISMO/DIVULGAÇÃO/JC
Belezas naturais brasileiras, como em Bonito, no Mato Grosso, têm conquistado os visitantes asiáticos

Adriana Lampert

As belezas naturais dos estados brasileiros têm atraído 70 mil chineses por ano, o que já tornou o País o principal destino destes turistas na América Latina. O número ainda é baixo se comparado com o volume de outros estrangeiros - a exemplo de 1,5 milhão de argentinos e 600 mil americanos - que desembarcam anualmente no Brasil. Mas a expectativa do governo federal e de empresários do trade é alta. Segundo o assessor de relações internacionais do Ministério do Turismo (MTur), Acir Madeira Pimenta, a estimativa é de que este ano o número de visitantes chineses salte para 100 mil, graças às Olimpíadas no Rio de Janeiro, um dos destinos brasileiros mais procurados por estes turistas.
Pimenta destaca que desde sua criação, em 2003, o MTur tem trabalhado na atração de visitantes chineses, que cada vez mais buscam conhecer lugares fora do continente asiático. "Tem sido uma das prioridades da atuação da pasta", garante o assessor de relações internacionais do MTur. Ele comenta que desde 2004 é realizado um credenciamento de agências de viagens para a facilitação de ingresso destes visitantes no Brasil. "É uma exigência do governo chinês, que foi registrada há 12 anos via memorando de entendimento com o governo federal, com o objetivo de incentivar o turismo em solo nacional."
Na última década, a média de empresas habilitadas girou em torno de 23 agências. Mas este ano, a disponibilidade de um cadastro digital, realizado via Cadastur, possibilitou um salto que resultou em 304 empresas credenciadas. Destas, 18 são gaúchas. "Esperamos que esse aumento se reflita no número de visitantes ao País", reforça Pimenta. No entanto, os chineses ainda são bastante convencionais na escolha dos destinos, preferindo as cidades do Rio de Janeiro e de Foz do Iguaçu, onde é possível unir a contemplação de belezas naturais com saídas vorazes para as compras, uma das características mais marcantes deste perfil de turista. "Eles são ávidos por compras e gostam muito de atividades culturais. O tíquete médio de cada visitante chinês gira em torno de U$ 1 mil em um período de 10 dias", comenta o assessor do MTur.
Mas, à medida que vão chegando ao País, os chineses têm aprendido que há mais coisas a serem exploradas no Brasil, além dos shoppings centers e museus. "Nos últimos anos vem crescendo o interesse pela região amazônica e por cidades do Mato Grosso, a exemplo de Bonito", aponta Pimenta. "No início, chegavam procurando shoppings, mas quando se davam conta que estavam em um local que mal pega a internet, se sentiam obrigados a se desligar do mundo que estavam acostumados, vivenciando um choque de cultura positivo", comenta a diretora da agência Bonito Way, Adriana Merjan. A empresa está entre as habilitadas para receber grupos de chineses desde 2009. Desde esta época, já foram mais de 100 grupos com cerca de 20 a 30 pessoas em média, fora famílias inteiras.
"Eles gostam muito de viajar em grupos, com a garantia de um guia acompanhando, para fornecer o suporte que for necessário. São novatos no turismo, com pouca experiência em viagens", observa o analista internacional do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), Túlio Cariello. Vale lembrar que ainda é bastante recente (final da década de 1990) a flexibilização que o governo concedeu aos chineses para viajarem para fora do país.

Preferência por ecoturismo e compras beneficia empresas gaúchas


Ao contrário dos demais estrangeiros, os chineses que vem ao Brasil não chegam em busca de praias, mas de cidades com potencial para ecoturismo, cultura e compras. "Eles gastam muito dinheiro, ótimo para o comércio dos destinos turísticos, principalmente onde há lojas de grifes - pois os chineses procuram por marcas consolidadas", observa o analista internacional do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), Túlio Cariello. Cidades da Serra gaúcha podem se beneficiar com isso, acredita a proprietária da agência Paralelo 30 Viagens e Turismo, Aidê Stümer Jones.
Recentemente, a empresa foi convidada pela ABAV-RS a se credenciar no Cadastur para o receptivo de chineses, e entrou para a lista de habilitadas. Com uma equipe preparada para atender em inglês, a Paralelo 30, de São Leopoldo, já trabalha com grupos de estrangeiros, em especial alemães em viagens de negócios e convenções. "A vinda de chineses é uma forma de abrir um novo mercado, e da possibilidade de mostrar que o Rio Grande do Sul é sempre interessante, agregando a todos os setores", avalia Aidê. A agência deve em breve montar pacotes especiais para turistas chegados da China. "É uma população gigantesca, com bom poder aquisitivo, e que está viajando muito. Além da Serra gaúcha, iremos montar pacotes que incluam passeios pelas Missões e pelo Salto do Jacuí", planeja.
No Mato Grosso do Sul, onde funciona a agência Bonito Way, a aposta é ecoturismo e turismo de pesca, em Bonito e no Pantanal. Os passeios incluem visitas às nascentes de rios, ida a cachoeiras e safaris. "Oferecemos como complemento os jantares temáticos com contador de história, shows com danças típicas, e compras em lojinhas de artesanato", enumera a diretora da agência, Adriana Merjan. A exemplo do japonês, o turista chinês é mais exigente que os demais. Cariello sugere adaptação nos quartos de hotéis: "Eles costumam beber água quente - então seria interessante disponibilizar isso nos apartamentos (além do frigobar, por exemplo). Também é uma boa ideia inserir mingaus e outros alimentos a base de arroz no café da manhã", sugere.

Gastronomia local tem sido a aposta do Maranhão


BALUARTE POUSADA E ECOTURISMO/DIVULGAÇÃO/JC
Passeios pelas dunas são um dos atrativos
Curtir paisagens que variam entre praias, rios, quedas dágua, dunas e revoada de pássaros, em meio a passeios de lancha, com parada em uma ilha em meio ao delta do Rio Parnaíba para almoçar camarão e peixe na brasa ou grelhado. Este é um dos roteiros sugeridos pela agência de receptivo Baluarte Ecoturismo, que também disponibiliza hospedagem na pousada de mesmo nome, localizada em Tutóia, no Maranhão. A proprietária, Renata Araújo, acostumada a receber visitantes italianos, alemães e franceses, acredita que o atrativo deve fisgar agora os chineses.
Habilitada na última edição do cadastro para agências de receptivo credenciadas pelo MTur para receber turistas da China, a Baluarte oferece além de passeios contemplativos de ecoturismo - como cata de caranguejo, de cavalo marinho e visita a cemitério de navios - também a opção de assistir de forma exclusiva o voo dos Guarás (pássaro vermelho que só tem na região). "Este passeio é muitos procurado pelos estrangeiros", garante Renata, que irá apostar na divulgação da gastronomia local para atrair os chineses. "Nosso pacote inclui alimentação, pois temos restaurante na pousada. A alimentação é à base de peixe e camarão - aliás, o camarão de Tutoia é famoso, inclusive em outros estados", destaca.
"Ao incentivar a vinda do turista chinês para o Brasil estamos abrindo uma nova e importante oportunidade para atrair divisas e investimentos no turismo nacional", ressalta o assessor de relações internacionais do MTur, Acir Madeira Pimenta. O Ministério das Relações Exteriores instalará três centros de processamentos de vistos na China (Pequim, Xangai, e Cantão), para facilitar o trabalho das embaixadas brasileiras. "As embaixadas estão adotando procedimento para acelerar a concessão do visto aos chineses, e o documento é entregue em 10 dias", garante.
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