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Porto Alegre, quarta-feira, 20 de junho de 2018.

Jornal do Comércio

Economia

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INVESTIMENTOS

Notícia da edição impressa de 01/12/2015. Alterada em 20/06 às 15h28min

Associações de compradores reagem a atrasos do M.Grupo

Paralisação do Residencial Jardins do Shopping, em Gravataí, preocupa os adquirentes dos apartamentos

Paralisação do Residencial Jardins do Shopping, em Gravataí, preocupa os adquirentes dos apartamentos


marco quintana/jc
Patrícia Comunello
A criação de associações para acionar a Justiça e buscar o término de empreendimentos lançados pelo M.Grupo é a principal arma das pessoas que compraram unidades e não sabem quando terão os ativos em mãos. Mais de 200 pessoas já estão ligadas a movimentos que optaram pelo mecanismo, previsto em lei. Duas associações estão oficializadas - do flat na rua 24 de Outubro, em Porto Alegre, e da torre comercial Unique, ao lado do Shopping Gravataí. No próximo sábado, uma assembleia deve validar a mesma iniciativa para os adquirentes de mais de 150 unidades das 269 do Residencial Jardins do Shopping, também na vizinhança do shopping na cidade da Região Metropolitana. Os três empreendimentos estão parados desde 2014 e são geridos pela Magazine Incorporações, do M.Grupo.
"Tentamos comprar o imóvel em 2010, assinamos o contrato em 2013 e a entrega era prevista para julho do mesmo ano. Adiamos o nosso casamento para morar aqui", descreve o profissional de tecnologia Rubem Nakamura, ao lado da esposa Jenifer. O casal se mudou para Santa Catarina devido à frustração. De volta ao local do empreendimento em novembro, os dois estavam inconformados. "Olhar e ver tudo jogado às traças é decepcionante. Não sei nem o que falar", revolta-se Nakamura.
Antônio Benites Moraes e a esposa Vera compraram um apartamento para facilitar a vida de filhos que iriam estudar. O casl protesta por ter de pagar os juros do financiamento sem saber quando terão o imóvel ou se terão. Alex da Silva Martins, servidor público da prefeitura de Gravataí, aponta a torre B do Jardins, que seria no 11º andar. "Nem existe (não foi concluído) e já estou pagando", inquieta-se Martins, que cobra atitude do Banco do Brasil (BB).
O advogado da futura associação dos residenciais, Rafael Nunes, espera que mais adquirentes se somem ao grupo e adianta que já foi pedida a exibição de documentos do empreendimento pelo BB. "A partir desses dados, tomaremos atitudes. Vamos saber a verdade sobre cronograma, fluxo de recursos e venda", diz Nunes. A associação deve contratar um perito para avaliar a obra.
Em Porto Alegre, a dona de casa Seli Rabaioli, passa quase todo o dia em frente ao flat na rua 24 de Outubro. "Percebi que a obra não andava. Comprei o flat quase pronto, deveria ser entregue na Copa do Mundo", cobra Seli, que investe em imóveis para garantir sua renda e a dos filhos. O slogan do M.Grupo "Investindo com qualidade", que está inscrito no tapume, gera ira da dona de casa. O advogado da associação do flat que Seli já participa, Flávio Luz, explica que quase 100 pessoas estão na associação e que já foi pedida a vistoria da obra, entre adquirentes (90) e permutantes do terreno. "Estamos orientando que todos - incluindo os do Unique - registrem os contratos de compra em cartórios de imóveis. Caso a empresa não retome as obras, os grupos vão continuar", garante.
O diretor-presidente da holding, Lorival Rodrigues, alega problemas de fluxo financeiro vinculados a menor oferta de crédito por bancos. Rodrigues estimou, ao Jornal do Comércio, que precisa de R$ 30 milhões para concluir os três projetos. "Estamos passando por dificuldades, como a maioria das empresas", completa o empresário.
O Banco do Brasil foi à Justiça por descumprimento do contrato do Jardins. Nas torres comerciais, as vendas incluíam rendimentos de locação. "Me sinto prejudicado e roubado. Comprei uma unidade no Unique para investir, prometeram cinco anos com locação", diz o comerciante Agnaldo Januário. "Pagaram até dezembro de 2014."

Empresa é associada a promessas não cumpridas

A imagem do M.Grupo em novembro de 2015 em Gravataí está bem distante daquela de 2012, quando foi lançado o complexo do shopping center e torres residenciais e comerciais. O grupo virou trunfo de atração de investimentos para um município que passou a quarto PIB após a instalação da fábrica da General Motors. O Shopping Gravataí, o primeiro do município, foi inaugurado no fim de 2013, com festa local e evento luxuoso em Porto Alegre. Agora, virou sinônimo de ociosidade (tapumes dominam corredores internos), já houve ameaça de corte de luz por falta de pagamento e até agora as salas de cinema não abriram, o que enfraquece o fluxo de clientes.
"A RGE só não cortou a energia porque entramos em campo", diz o secretário de Governo do município, Luiz Zaffalon, que conheceu o diretor-presidente do M.Grupo no fim de 2011, quando a cidade estava prestes a perder o empreendimento por dificuldade de licenciamento. A prefeitura agilizou a tramitação e o complexo saiu em parte do plano. "Conversamos com lojistas, muitos dizem que ficam até o Natal", revela Zaffalon. A falta de cinema - a última previsão era setembro e agora foi transferida para janeiro, segundo Lorival Rodrigues, só aumenta as queixas. Rodrigues chegou a dar entrevistas em 2013 dizendo que acabaria com a cota do pedágio dos moradores que precisavam ir a cinemas na Capital. A despesa é de R$ 12,60 (ida e volta) para automóvel.
Zaffalon diz que a administração tem falado com o empresário, que "coloca a culpa nos bancos". "Temos ouvido muita coisa, de que a Justiça pode tomar os bens por causa de dívidas com fundos de investimentos", cita Zaffalon. A festa dos dois anos do empreendimento, em 21 de novembro, teve a dupla Vitor e Leo e o cantor Alexandre Pires, mas atraiu pouco público. Em março, é prometido show com Luan Santana. "O show não pode parar. Não posso pegar o dinheiro do shopping e botar no residencial", alegou o empresário. Ele admite baixo movimento e diz que está renegociando para baixar aluguéis.

CANTEIRO DE PROBLEMAS

M.Grupo: holding do empresário do interior paulista Lorival Rodrigues, que diz ter atuado no Magazine Luiza (em expansão e que atuou na compra da Lojas Arno em meados dos anos 2000), é sobrinho dos fundadores e tem ações da companhia. Chegou ao Estado em 2008, com empreendimentos imobiliários. Ativos avaliados em R$ 1 bilhão (segundo o empresário).
Empreendimentos: Capão da Canoa (condomínio Dubai, concluído), Porto Alegre (residencial na rua Coronel Bordini - concluído, e flat na Rua 24 de Outubro - obra parada desde 2014), Gravataí (Shopping Gravataí e Intercity Hotel concluídos, e torres residenciais (3), comercial (Unique) com obras paradas desde 2014, e torre Majestic sem previsão), e operações em Bagé (City Hotel), Bento Gonçalves (Shopping Bento), Lajeado (Shopping Lajeado), Santa Cruz do Sul (MaxShopping) e Xangri-Lá (Aldeia Praia Shopping)
Pendências: débitos de fornecedores e bancos, protestos em cartórios e notificação de execução de garantias para cobertura de dois Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), vinculados a fundos de investimento (gestores Rio Bravo e Banco Fator).
 
 
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