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Porto Alegre, quarta-feira, 20 de junho de 2018.

Jornal do Comércio

Seguros & Previdência

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Conjuntura

29/10/2015 - 21h59min. Alterada em 20/06 às 16h32min

Mercado segurador brasileiro tem fôlego para se expandir

Solange, da CNseg, afirma que o setor não pretende ser elitista

Solange, da CNseg, afirma que o setor não pretende ser elitista


CNSEG/DIVULGAÇÃO/JC
Enquanto a economia brasileira treme em corda bamba, o setor de seguros e previdência privada aproveita um resquício de fôlego para crescer, já que ainda tem muito mercado a explorar no longo prazo. É só pensar: quantas pessoas você conhece que têm um seguro de vida ou de residência? Pela quantidade de brasileiros que têm previdência privada, dá para entender porque a capacidade de crescimento do setor está longe de ser esgotada. São pouco mais de 12 milhões de pessoas, equivalente a 6% da população, segundo a Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi). Mas, para aumentar a penetração, há um longo trajeto de educação financeira pela frente.
"Não queremos ser elitistas. Proteção é um direito de todos", afirma a diretora executiva da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg), Solange Beatriz Mendes. O combo de ações para atrair novos clientes e fidelizar os antigos inclui agregar novos serviços com frequência, otimizar o atendimento e disseminar informação. "Estamos nos aproximando de órgãos de defesa do consumidor para compreender as reclamações e necessidades dos clientes e buscar soluções", diz.
Em meio à recessão econômica, o mercado segurador incluindo previdência privada, seguros e capitalização arrecadou R$ 142,3 bilhões entre janeiro e agosto deste ano, um crescimento de 13,7% em relação ao mesmo período de 2014. A arrecadação deve atingir R$ 364,8 bilhões em 2015, número 12,4% superior ao registrado em 2014.
"Embora o setor tenha relação direta com a renda, o efeito da crise chega com atraso. As pessoas abrem mão do seguro em último caso", explica. Solange destaca que o mercado segurador no Brasil é formado por empresas sólidas e tem uma regulamentação eficaz. "Na medida em que a população recebe mais informações e se torna mais consciente, temos um espaço enorme para crescer", traça.
Apesar do grande mercado a explorar pela frente, o vice-presidente da FenaPrevi e presidente da Bradesco Vida e Previdência, Lúcio Flávio de Oliveira, é mais cauteloso quanto ao bom desempenho do setor neste ano. Ele projeta um crescimento entre 8% e 12% para 2015 no mercado de previdência privada e seguros de vida. "Não vamos conseguir manter a expansão dos últimos anos. Se avançarmos dois dígitos, vamos comemorar", avalia.
Oliveira explica que, a partir do segundo semestre, a atividade de produtos de longo prazo foi afetada pela baixa confiança dos brasileiros quanto ao futuro. Na previdência, planos atrelados a fundos de renda variável foram substituídos pelos de renda fixa, devido à grande oscilação na rentabilidade, causada pelas incertezas no País.
Por outro lado, para o vice-presidente corporativo da Icatu Seguros, César Saut, o mercado consegue se beneficiar com a percepção de risco das pessoas em um momento de crise. "A instabilidade auxilia a gerar lucidez e motiva as pessoas a encarar os riscos que correm", acredita. Ele percebe um esforço das empresas para se comunicar com clientes de maneira mais simples e entregar produtos com condições mais claras. "Tentamos tirar o segurês do nosso vocabulário", diz.

Seguradoras no Rio Grande do Sul apostam em comunicação e educação

O mercado de seguros no Rio Grande do Sul deverá crescer entre 8% e 10% em 2015, segundo o presidente do Sindicato das Seguradoras do Rio Grande do Sul (Sindseg-RS), Julio Cesar Rosa. Ele avalia que há espaço para avançar e, a cada ano, surgem mais demandas. Para Rosa, a estratégia para crescer está no esforço em atender bem os segurados, já que cerca de 70% da receita das seguradoras é devolvida em forma de indenização.
Para o diretor-geral da Luterprev, Evandro Raber, o mercado ainda é tímido, e a educação financeira é também responsabilidade das empresas. A Luterprev desenvolve um programa que capacita professores de escolas que são clientes de planos corporativos de previdência na empresa, desde a Educação Infantil até o Ensino Superior. "Ainda há muito por fazer", acredita.
A Gboex tem mantido seu crescimento na faixa dos 10% ao ano e administra aproximadamente 200 mil planos só na modalidade dos planos de pecúlio, atrelados à previdência. "Há uma demanda muito grande a ser trabalhada", diz o diretor do grupo Gboex, Ilton de Oliveira. Ele destaca que há um esforço das empresas para desenvolver produtos mais acessíveis, ampliando ações em comunicação e educação financeira.

Automóvel se mantém como o principal seguro no País

Solange, da CNseg, afirma que o setor não pretende ser elitista

Solange, da CNseg, afirma que o setor não pretende ser elitista


CNSEG/DIVULGAÇÃO/JC
Quando se fala em seguros, é provável que o primeiro que venha à cabeça seja o de automóveis. Os números mostram a popularidade do seguro de carro entre os brasileiros: ele representa 46,5% do mercado de seguros gerais no Brasil e arrecadou R$ 21,5 bilhões entre janeiro e agosto, expansão de 4,8% em relação ao mesmo período de 2014.
"Seguros de carros são proporcionalmente mais caros do que os seguros de residência, e mesmo assim são bem mais procurados", diz o vice-presidente da Comissão de Seguro de Automóvel da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) e diretor-geral da Porto Seguro, Luiz Pomarole.
Mesmo assim, apenas 30% da frota brasileira está segurada, o que significa que há espaço para expandir. Pomarole explica que ainda é um desafio criar soluções para carros antigos e explorar cidades no interior do País. Roubos e colisões com frequência foram os responsáveis por disseminar a cultura da necessidade do seguro de automóvel no Brasil, de acordo com o diretor técnico do segmento de automóveis e ramos elementares do Bradesco Seguros, Saint'Clair Pereira Lima.
Dos anos 2000 para cá, o mercado deu um salto ao oferecer, além da cobertura em casos de acidentes e roubo, serviços de assistência como carro-reserva, troca de vidros e indicação de mecânica de confiança.
Os preços, no entanto, assustam consumidores e variam até 70% no mercado, como mostrou uma pesquisa da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste). O levantamento, realizado a partir de 310 apólices com coberturas e benefícios distintos, apontou que é possível economizar até R$ 3.441,00 ao ano ao contratar um seguro de carro.
O técnico do Bradesco Seguros justifica que o setor opera com margem apertada e que há um esforço das seguradoras para tornar a precificação mais justa. Uma das alternativas estudadas pelo mercado é o uso de uma tecnologia chamada telemetria como ferramenta para determinar o preço do seguro de automóvel.
A Liberty Seguros lançou recentemente um programa para calcular o preço do seguro com a ajuda de um dispositivo instalado no carro, que mede o comportamento do segurado no trânsito.
Durante quatro meses, será possível verificar a velocidade média, o nível de freagem e a frequência de movimentos bruscos. O segurado terá acesso em tempo real ao diagnóstico e, de acordo com a sua conduta no trânsito, poderá ser bonificado na renovação da apólice.

Saúde suplementar busca se tornar sustentável

A saúde suplementar é mais impactada pela queda no emprego e na renda das pessoas do que outros segmentos do setor de seguros, principalmente devido às dificuldades econômicas das empresas. Isso porque três em cada quatro planos de saúde são coletivos, contratados por pessoas jurídicas. Além disso, a tendência de crescimento das despesas acima das receitas, registrada nos últimos anos nesse segmento, reforça a preocupação das seguradoras em encontrar formas de manter o equilíbio do sistema.
Entre junho do ano passado e junho de 2015, o setor registrou déficit de R$ 600 milhões e contabilizou crescimento de 2,2% no número de beneficiários, totalizando 72 milhões de brasileiros. Já no mesmo período de 2013 para 2014, a expansão havia sido de 4,5%. A tendência de queda é verificada desde junho de 2008, quando o mercado registrou crescimento de 9,9%, em comparação com os 12 meses anteriores.
Os custos do setor estão até quatro vezes acima da inflação e são repassados para consumidores, como explica o corretor de seguros especializado em saúde suplementar Maurício Junqueira. Ele avalia que a utilização dos planos pelos segurados, algumas vezes em excesso, impacta em grande custo para as seguradoras. Por isso, a redução dos preços depende de melhorias na gestão. "É preciso conscientizar as pessoas a usar os planos com moderação e responsabilidade, ao mesmo tempo em que eles precisam funcionar quando os segurados precisam", considera.
Por meio de sua assessoria de imprensa, a Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) afirmou que o ajuste nas contas do setor também precisaenglobar a revisão do modelo de remuneração médica, atualmente por quantidade de procedimentos indicados e não por resultados clínicos obtidos. Também destacou que a concessão de privilégios a beneficiários que recorrem à Justiça, questionando coberturas muitas vezes não estabelecidas no contrato, sobrecarrega o sistema.
Em meio às dificuldades de grandes empresas em beneficiar funcionários com planos de saúde coletivos, pequenas e médias empresas se tornam o novo alvo de grupos como a Bradesco Saúde, de acordo com o presidente, Marcio Coriolano. Apesar dos passos mais lentos, a empresa cresceu 2,59% em beneficiários e 24,4% em faturamento no primeiro semestre do ano, em comparação ao mesmo período de 2014. Como estratégia para se manter, a Bradesco Saúde foca na redução de custos, negociando preços com fornecedores de materiais e desenvolvendo programas para reduzir intervenções cirúrgicas e consultas sem necessidade.
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