O empresário João Carlos Mansur, ex-dono da Reag, gestora investigada no caso Master e suspeita de envolvimento com o crime organizado, disse que a empresa não era de fachada, não tinha investidores ocultos e foi penalizada por ser "grande e independente". As declarações foram dadas em depoimento ontem, na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado, no Senado Federal.
Ele acrescentou que a gestora funcionava no modelo de "partnership", ou seja, com vários sócios e que todas essas informações são públicas.
"Todos esses dados estão disponíveis no site da companhia, que é uma companhia aberta, ou seja, a gente presta regularmente informações ao mercado, a CVM [Comissão de Valores Mobiliários], a B3 [Bolsa de Valores brasileira] e ao Banco Central. Nós éramos auditados por uma empresa internacional", disse.
Ele confirmou que o Master era cliente da gestora, assim como "cerca de sete ou oito instituições financeiras".Mansur também afirmou que a gestora trabalhou "de forma muito diligente e consciente", mas que "infelizmente passou um rolo compressor", ao ser questionado sobre as suspeitas de seu envolvimento com o crime organizado, com as quais disse não ter nenhuma ligação.
A Reag foi um dos alvos das investigações da Operação Carbono Oculto, deflagrada pela PF (Polícia Federal) em agosto de 2025, que apura a atuação do PCC (Primeiro Comando da Capital) em negócios da economia formal, incluindo o mercado financeiro.
Investigadores alegam que a gestora foi implicada em um esquema criminoso para ocultação de lucros ilícitos por meio de veículos de investimento há muito utilizados pela elite brasileira devido a sua discrição e isenções fiscais.
O empresário disse que escolheu o nível de governança "mais alto possível", com um conselho de administração independente e com nomes de referência no mercado, operações claras e muito transparentes.


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