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Entrevista Especial

- Publicada em 30 de Julho de 2010 às 00:00

Schneider defende mais autonomia para os estados


FREDY VIEIRA/JC
Jornal do Comércio
O candidato do PMN ao Senado, Jose Schneider, entende que se os estados tivessem mais autonomia em relação à União, o País se desenvolveria mais rapidamente e setores da indústria que perderam com a guerra fiscal poderiam se recuperar com maior facilidade. Ele exemplifica no Rio Grande do Sul com o caso do setor coureiro-calçadista do Vale do Rio dos Sinos - sua base eleitoral -, em que diversas empresas deixaram a região e foram produzir no Nordeste, diminuindo a riqueza local e aumentando o desemprego.
O candidato do PMN ao Senado, Jose Schneider, entende que se os estados tivessem mais autonomia em relação à União, o País se desenvolveria mais rapidamente e setores da indústria que perderam com a guerra fiscal poderiam se recuperar com maior facilidade. Ele exemplifica no Rio Grande do Sul com o caso do setor coureiro-calçadista do Vale do Rio dos Sinos - sua base eleitoral -, em que diversas empresas deixaram a região e foram produzir no Nordeste, diminuindo a riqueza local e aumentando o desemprego.
Schneider observa que com mais recursos, os estados poderiam dar atenção a setores que precisam de auxílio. Por isso, prega a inversão da atual divisão do bolo tributário, em que o governo federal fica com a maior parte e os estados e municípios ficam com menos de 50% da arrecadação. Ele tem os Estados Unidos da América como modelo a ser seguido, por garantir mais poder de decisão aos seus estados.
Nesta entrevista ao Jornal do Comércio, Schneider diz que pretende trabalhar pela descentralização dos recursos se for eleito senador em sintonia com o PMN nacional. Fala ainda da importância de investimentos em infraestrutura.
Jornal do Comércio - Como surgiu sua candidatura ao Senado?
Jose Schneider - Defendo a ideia de que o partido tem que lançar candidatura própria. Não deve coligar, senão perde a identidade. Para essas eleições, foram lançados nomes (ao governo do Estado, vice-governador, deputado estadual, deputado federal), mas faltava a indicação para senador. Então, o coordenador nacional do PMN, João Garcia, disse (em um encontro partidário): "Nós temos um senador e eu aqui vou indicar o nome do presidente municipal de Novo Hamburgo, Jose Schneider". Não pude dizer que não.
JC - O que significa "a maior autonomia de estado" pregada pelo PMN e por sua candidatura?
Schneider - Defendo a autonomia do estado desde 1989, quando estava no PL. E autonomia não só nas questões políticas, mas nas questões financeiras. De todo o dinheiro que vai para os cofres públicos da União, só retorna para o estado 25% e uma parcela menor para os municípios. Com esse percentual, os municípios não conseguem suportar as estruturas que têm que sustentar. E não sobram recursos para a educação, segurança, habitação. Se invertêssemos essa situação, mandaríamos (a menor parte dos) recursos para Brasília e 70% permaneceriam no estado para serem repassados aos municípios.
JC - Essa revisão do pacto federativo é a sua proposta para um mandato no Senado?
Schneider - Essa é minha posição. Também defendo um estado aos moldes dos Estados Unidos. É uma utopia, mas levarei a proposta, vou promovê-la. Por que é uma utopia? Porque os estados do Norte e Nordeste do País não apoiarão essa decisão, pois perderiam. Onde é que tem a maior produção? Vem do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e vai descendo...
JC - Essa autonomia que o senhor prega não poderia ser tachada de "separatista"?
Schneider - Não se trata de separatismo. Ouço a mesma opinião de deputados de Santa Catarina. Em São Paulo, Rio de Janeiro, no Paraná - muito mais do que aqui no Rio Grande do Sul - há a defesa da descentralização. Então, não sei por que quem levanta essa bandeira é tachado de separatista.
JC - Mas como o senhor pretende trabalhar sua proposta de descentralização de recursos e de estados autônomos, se eleito?
Schneider - Esse é um papel que vai ser trabalhado em conjunto com o partido, em nível nacional.
JC - E a sua atuação específica no Congresso Nacional?
Schneider - Vou trabalhar pelo setor calçadista de Novo Hamburgo, que está quebrado, porque houve uma guerra fiscal e a demanda foi enviada para o Nordeste. Isso também é um problema sério. Se nós tivéssemos, por exemplo, um Estado autônomo, as coisas não estavam acontecendo desse jeito. Os problemas da saúde estão acontecendo porque não temos um Estado autônomo - os recursos são centralizados. Quando os prefeitos foram a Brasília, o que conseguiram? Vieram com as mãos vazias. São sempre promessas de diálogo. Mas ninguém consegue dialogar com medo, tem que ser com honestidade e coragem, com posição firme e é isso que vamos fazer. Sei que no Senado, no Congresso é difícil, porque só quem quer realmente que o Brasil mude consegue passar pelo cartel partidário.
JC - A sua base política se concentra no Vale do Sinos. Além da defesa do setor coureiro-calçadista, quais são suas propostas para a região?
Schneider - Defendo o setor coureiro-calçadista, a área dos componentes do calçado e do couro. Há falta de infraestrutura e por isso pretendo dar maior atenção às pequenas e microempresas, que hoje estão na informalidade. Isso deve ser revisto, porque temos que trazer emprego para a comunidade, especialmente para o Vale do Sinos, que perdeu muito com a guerra fiscal, com as empresas que se deslocaram para outros locais e deixaram muita gente desempregada. Estamos terminando um projeto de propostas em relação à indústria de calçados.

Perfil

Jose Luis Schneider, 52 anos, é natural de Ivoti (RS). Aos oito anos se mudou para Estância Velha, onde morou na adolescência. Depois, foi para Novo Hamburgo, cidade em que está radicado até hoje. Viveu em uma colônia de agricultores e começou a trabalhar desde cedo. Aos 12, já auxiliava em uma oficina mecânica. Optou pela profissão e atua até hoje como mecânico. Concluiu o Ensino Médio. Exerce atividade político-partidária há duas décadas. Por afinidade com as ideias de Guilherme Afif Domingos, filiou-se ao Partido Liberal (PL) no final dos anos 1980 e coordenou a campanha de Afif à presidência da República, em 1989, no Vale do Sinos. Dois anos mais tarde, deixou o PL e foi para o Partido Social Cristão (PSC). Em 2007, filiou-se ao Partido da Mobilização Nacional (PMN). Schneider é o presidente do diretório municipal do PMN em Novo Hamburgo. Foi lançado como candidato do partido ao Senado Federal nesta eleição, a primeira em que concorre. É irmão do candidato ao Piratini do PMN, Carlos Schneider.
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